domingo, 20 de agosto de 2017

Viradouro escolhe seu samba para o carnaval 2018

Por Beatriz Freire
A torcida da parceria campeã na Viradouro (foto: site Carnavalesco)
⁠⁠⁠Inaugurando a temporada das primeiras finais de samba para o carnaval de 2018 da Série A carioca, a Unidos do Viradouro escolheu seu hino na madrugada do domingo (19), em sua quadra. A escola levou ao evento quatro parcerias, sendo elas as composições encabeçadas por PC Portugal, Zé Glória, Paulo César Feital e Felipe Filósofo, em ordem de apresentação.

Confira o desempenho de cada finalista: 
Responsável pela abertura da noite, a parceria de PC Portugal não surpreendeu muito. O canto não explodiu e ao final o público já parecia um pouco desgastado após as 11 passadas na apresentação do samba.

Zé Glória, um dos favoritos da comunidade niteroiense, não contou com Igor Sorriso, o defensor do samba durante toda a disputa. Em seu lugar, o microfone foi assumido pelo intérprete Gilsinho. A torcida manteve um canto forte, com alguns momentos de maior animação, principalmente em seus refrães, o que resultou em uma boa apresentação.

Terceiro samba a se apresentar, a parceria de PC Feital não conseguiu mexer com o público. Com uma torcida pequena e uma posição entre dois dos sambas mais comentados durante toda a temporada de disputa, a quadra não acompanhou o canto de Wantuir.

Por fim, a quarta e última apresentação da noite foi a parceria do bicampeão Felipe Filósofo, que fez questão de se vestir a caráter. Comandado por Diego Nicolau e Tinga, o "Virou, Pirou" fez sucesso ao longo de muitas semanas e, ao lado de Zé Glória, era mais um favorito. Antes mesmo da apresentação começar, a quadra já entoava alguns versos do samba e durante as 11 passadas a torcida, bem empolgada, manteve um bom canto.

O resultado:
Depois das 5h da manhã, a escola retomou a atenção do público para o anúncio do samba campeão. Zé Glória, Lucas Macedo, William Lima, Gugu Psi, Lico Monteiro, Lucas Neves e Matheus Gaúcho levaram para casa o título e são os compositores do hino da Viradouro para o carnaval de 2018, comandado pelo carnavalesco Edson Pereira. A escola desfilará com o enredo "Vira a cabeça, pira o coração. Loucos gênios da criação" e será a terceira a se apresentar no sábado de carnaval.

Confira o samba da Viradouro para o carnaval 2018:

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Do Churrasco à Sapucaí: como o Marquês virou enredo da Beija-Flor

por Guilherme Peixoto


A família Dornas sempre foi apaixonada por carnaval. Por lá, todos os churrascos terminam em samba-enredo. Um desses encontros, deu início ao carnaval de 2016 da Beija-Flor de Nilópolis. Em uma despretensiosa conversa com seu tio Gláucio, Pedro Dornas teve a ideia de apresentar à escola carioca um enredo que abordasse a história de Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí.

Pedro (esq.) e Gláucio (dir.) participaram do desfile de 2016 da Beija-Flor. (Arquivo Pessoal/Pedro Dornas)
Morador de Nova Lima, cidade natal do Marquês, Pedro sempre ficou intrigado com a pouca importância dada ao homem que nomeia a rua onde são realizados os desfiles do carnaval carioca. A proposta de transformar a trajetória do Marquês de Sapucaí em enredo surgiu justamente para preencher essa lacuna. “Pesquisamos muito sobre a história de Cândido José de Araújo Viana. Encaminhamos um e-mail sugerindo tema à diretoria de carnaval da Beija Flor e fomos surpreendidos com um telefonema do Laíla”, conta. Do outro lado da linha, o diretor de carnaval da agremiação propunha uma visita ao município, que fica na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em paralelo aos esforços de Pedro, seu tio, Gláucio Magalhães, que é ritmista da Beija-Flor desde 2013, também sugeriu o tema à azul e branco de Nilópolis. “Por ser integrante da bateria e ter contato com a diretoria, apresentei formalmente a ideia ao Luis Cláudio, filho do Laíla”, diz.

Após a aprovação da sugestão, a missão passou a ser a coleta de informações que pudessem sustentar uma apresentação digna de Grupo Especial. “Depois da confirmação de que o tema seria aquele proposto por nós, passamos a encaminhar diversas obras literárias e biográficas de escritores locais que serviram de base para que a equipe de carnavalescos de Nilópolis desenvolvesse artisticamente o desfile”, explica Pedro, que foi mestre-sala e hoje é presidente da Unidos do Rosário, tradicional agremiação do carnaval nova-limense.


Tendo a vida do Marquês de Sapucaí como fio condutor, apresentação da Beija-Flor rendeu um quinto lugar à escola. (Foto: Wigder Frota) 

Liderado por Laíla, o time de criação da Beija-Flor desenvolveu então o enredo “Mineirinho Genial! Nova Lima – Cidade Natal. Marquês de Sapucaí – O Poeta Imortal!”. Terceira escola do domingo de carnaval, a “Soberana” fez uma apresentação bonita e regular. Embalada pela marcante voz de Neguinho da Beija-Flor, a escola da Baixada Fluminense conseguiu a quinta colocação e, consequentemente, a passagem para o Desfile das Campeãs.

Tradicionalmente um dia de festa para as melhores escolas de samba, o sábado que encerra o carnaval foi inesquecível para vários integrantes da família Dornas, que foram ao Rio de Janeiro para conferir de perto o último ato da epopeia que durou quase um ano.








domingo, 13 de agosto de 2017

De pai para filho: O batuque que atravessa gerações

Por Beatriz Freire, Felipe de Souza e Vitor Melo



Pai
Aquele que tem um ou mais filhos.
Gerador; genitor; progenitor. Criador; autor. Protetor, benfeitor.
Pai, a essência humana na forma de homem. De surdo, repique e tamborim. De escolas, de samba e, até mesmo, de sangue. Hoje é dia de homenagear aquele que, por muitas vezes, nos levou pros ensaios e desfiles, apresentou-nos ao amor de nossas vidas e, hoje, comemora mais um dia com aquele churrascão ao som de muito samba-enredo.


Para exaltar, é preciso muitas vezes se recordar de pais que lá de cima olham por nós. Igor Vianna, intérprete da Alegria da Zona Sul e filho do inigualável Ney Vianna, conta como a influência de seu pai o levou para o mundo do samba, além de reverenciar a figura daquele que defendeu o pavilhão da Mocidade Independente de Padre Miguel por duas décadas.

Igor conta que a relação com seu pai era boa e que Ney não queria que o filho se inserisse no mundo do samba, apesar de perceber que ele teria futuro. Quando ele se foi, no ano de 1989, Igor tinha apenas 10 anos mas já enxergava no pai uma fonte de inspiração, diz ele. "No pouco tempo que ele teve, ele me ensinou tudo que podia ensinar", completa.


Sobre o questionamento de ter sido influenciado ou ter resistido ao samba em algum momento, o intérprete conta que o pai não o instigava a gostar de carnaval, pois não queria os filhos neste meio; "ele achava que era um mundo cruel e não queria para os filhos os sofrimentos pelos quais ele passou". O resultado disso foi que todos os filhos, exceto Igor, terminaram afastados do mundo do samba. Com quase 15 anos de carreira, ele relembra que seu maior exemplo veio de casa, embalado pela voz de Ney cantando: "ao ver o meu pai no microfone, eu, ainda criança, descobri que era aquilo que eu queria".

Recordando-se de alguns bons momentos na companhia de seu pai, ele cita os momentos em que estava no bar cujo Ney era dono, ao lado da quadra da Mocidade, e quando ia aos ensaios às quartas-feiras, pois "começava mais cedo", adiciona o cantor; Já emocionado, recorda-se também de músicas que o pai gostava de ouvir, como "São José de Madueira" e "Todo Menino é um Rei". "Lembro dele quando toca uma música do Almir Guineto que diz: 'Ô Zé, deixa estar no candeeiro/que o terreiro está/iluminado pela lua/pela lua, Zé, pela lua'. Lembro dele quando escuto Beto Sem Braço, que era muito amigo do meu pai".

Concluindo, Igor destaca a saudade de seu pai, aquele que lhe transmitiu o dom de cantar e encantar na Sapucaí, "sempre me vem uma lembrança acompanhada de uma saudade boa. Ele estaria orgulhoso, pois quando viu que eu seguiria seus passos, me ensinou tudo que podia e por isso sou muito grato por tudo que ele fez por mim. Sinto muito a falta dele."
O grande intérprete Ney Vianna.

Saindo da voz e da harmonia, com destino traçado ao baticum inconfundível de uma escola de samba, aterrissamos na batida furiosa do morro do Salgueiro, mais precisamente, na ala de chocalhos, considerada, por muitos, a melhor do carnaval carioca, da Academia do Samba.

O embalo da alvirrubra é comandado com maestria por Mestre Marcão e pelo swing inconfundível das tranças de Markinhos, que nos contará um pouquinho de sua trajetória e de sua relação com aquele que o gerou.

Quando criança, Markinhos desfilava pela Aprendizes do Salgueiro, escola mirim da vermelha e branca tijucana, seus primeiros passos no universo momesco. Para ele, aquilo tudo não passava de diversão, o que era natural para uma criança de 6 anos. Foi com pouca idade, entretanto, que se deu conta de que se interessava pelo universo dos paetês e purpurinas. Em 2006, já nos preparativos para o desfile de Candaces, Markinhos se viu frequentando assiduamente a comunidade e a quadra de seu torrão amado. Embora já vislumbrasse desfilar na Furiosa e contasse com o apoia das diretoras da ala de chocalhos à época, contava com a resistência do pai e mestre Marcão.



"As diretoras chocalho eram todas a favor de que eu desfilasse, queriam que eu saísse na ala com elas e foi uma confusão muito grande porque justamente e apenas ele, a pessoa principal, era contra e no final era ele quem mandava, já que era o mestre."

E o tempo passou, até que os dias da folia estavam se aproximando... "No dia de entrega das fantasias eu peguei meu saco e levei pra casa, muito feliz. Quando abri, era uma fantasia da ala das crianças da escola, não era uma roupa de ritmista da bateria, o que foi uma frustração muito grande para mim." Mas isso não ficaria assim depois de uma pirraça, com direito a "auê pelo telefone", como disse ele, saiu o mestre de bateria e entrou o paizão. "Liguei para o meu pai, até que finalmente me falou para ir buscar minha roupa da bateria porque eu não desfilaria mais na ala das crianças depois do auê que fiz pelo telefone" - risos.



Além de ceder à vontade do filho e de suas diretoras, a relação entre os dois foi fortificada e estreitada com a entrada de Markinhos na bateria. "Foi a partir disso que nossa relação ficou mais forte e que o samba deixou de ser uma diversão e virou trabalho; As diretoras saíram após o carnaval de 2011 e em 2012 eu assumi o comando da ala." Houve aquela resistência por parte de Markinhos, que acabou aceitando no final. "A princípio, eu não queria concordar mas a escola precisava de alguém, então me pediram e eu acabei aceitando o cargo de diretor." E pra separar a figura de pai para mestre da Furiosa? Será que foi fácil no início? "Dentro da quadra ele me trata como faz com todo mundo; se tiver que dar esporro, ele vai dar e se tiver que elogiar, ele vai elogiar. No começo, foi complicado separar meu pai do Mestre Marcão." e completa "sabemos separar bem a vida profissional da pessoal, isso é o mais importante e fundamental!"

Nem tudo são só rosas, ou, melhor dizendo, notas dez! Markinhos lembra do momento "mais memorável", como disse ele, ao lado do pai: "em 2015, quando saíram as notas e a bateria levou 9.9.  Quando veio a justificativa, tiraram um décimo do chocalho. Ele me ligou, dizendo que tudo estava tranquilo, que o trabalho que eu tinha feito tinha sido 100%, enfim... disse que era esquecer o que aconteceu e pensar no próximo ano!". Foi o lado pai do mestre Marcão entrando em cena naquele momento! Tirou dez, hein, mestre!?



Com certeza, não foi a primeira vez em que Markinhos ouviu esse questionamento, mas também queríamos saber... Será que ele pensa em seguir a trajetória do pai até ao posto de ser mestre da bateria? "Eu espero que o futuro me surpreenda, pode ser que eu fique no lugar dele, como pode ser que não. Eu não tinha o intuito de fazer do samba uma coisa profissional, mas aconteceu... se tiver que ser, será!".

No mais, apenas um recado no de pai pra filho, isto é, de Markinhos pra Marcão: "eu sou seu maior fã!" (Como ele disse sempre dizer ao mestre). Só pra deixar claro, também somos, Marcão!
Sabemos da existência de diversas outras histórias de pais e filhos do mundo do carnaval, esperamos que consigamos homenageá-las, assim como todos os pais que nos acompanham.

O Carnavalize deseja um feliz dia dos pais a todos;
Aos de sempre,
aos de samba,
aos de sangue.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Conheça os enredos que brilharão no Anhembi no Carnaval de São Paulo

Por Jéssica Barbosa
(Foto: Alan Morici/G1)

Foi divulgado no último domingo (06) o enredo da Independente Tricolor, assim já é possível saber quais serão os 22 temas que passarão pelo Sambódromo do Anhembi nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro pelos grupos de Acesso e Especial. A escola Tricolor levará para a avenida em seu ano de estreia na elite do carnaval paulistano o tema “Em cartaz: Luz, Câmera e... terror. Uma produção Independente!”. Confira abaixo todos os enredos.

Na sexta-feira (9) de fevereiro, sete escolas abrirão os desfiles do grupo Especial, incluindo a atual campeã Acadêmicos do Tatuapé, que buscará seu bicampeonato na estreia do carnavalesco Wagner Santos pela agremiação, as escolas levarão entre elas temas relacionados à história, homenagens e ficção. 
Independente Tricolor: “Luz, Câmera e... terror. Uma produção Independente” 
Unidos do Peruche: “Peruche Celebra Martinho - 80 Anos do Dikamba da Vila” 
Acadêmicos do Tucuruvi: “Uma Noite no Museu” 
Mancha Verde: “A Amizade: A Mancha Agradece do Fundo do Nosso Quintal” 
Acadêmicos do Tatuapé: “Maranhão, os Tambores vão Ecoar na Terra da Encantaria” 
Rosas de Ouro: “Pelas Estradas da Vida, Sonhos e Aventuras de um Herói Brasileiro” 
Tom Maior: “O Brasil de Duas Imperatrizes: De Viena para o Novo Mundo, Carolina Josefa Leopoldina; de Ramos, Imperatriz Leopoldinense”

Já o sábado (10) de fevereiro, o Anhembi contará com algumas das grandes campeãs do carnaval paulistano dos últimos anos, e as escolas terão a missão de corresponder às expectativas.
 X-9 Paulistana: “A Voz do Samba é a Voz de Deus - Depois da Tempestade Vem a Bonança” 
Império de Casa Verde: “O Povo, a Nobreza Real” 
Mocidade Alegre: “A Voz Marrom que Não Deixa o Samba Morrer” 
Vai-Vai: “Sambar com Fé eu Vou!” 
Gaviões da Fiel: “Guarus - Na Aurora da Criação, a Profecia Tupi... Prosperidade e Paz aos Mensageiros de Rudá” 
Dragões da Real: “Minha Música, Minha Raiz. Abram a Porteira para Essa Gente Caipira e Feliz” 
Unidos de Vila Maria: “Aproveitam-se da Minha Nobreza, Você não Soube, Não te Contaram? Suspeitei Desde o Princípio, Não Contavam com a Minha Astúcia. Arriba Bolaños, Arriba Vila, Arriba México” 

Pelo Grupo de Acesso, no domingo (11), a disputa será acirrada, desfilarão agremiações tradicionais, sendo que todas já passaram pelo Grupo Especial, oito escolas levarão os enredos: 
Barroca Zona Sul: “Carnavale... A Magia da Folia” 
Leandro de Itaquera: “A Celebração da Solidariedade no Mundo. Onde há Necessidade, há um Leão” 
Nenê de Vila Matilde: “A Epopéia de uma Deusa Africana” 
Colorado do Brás: “Axé, os Caminhos que Levam à Fé” 
Camisa Verde e Branco: “100% Camisa Verde e Branco carnavalizando Mário de Andrade. O Berço do Samba, o Poeta e o Herói na Pauliceia Desvairada” 
Águia de Ouro: “Mercadores de Sonhos” 
Pérola Negra: “Numa Viagem Arretada por Terras Nordestinas, a Joia Rara do Samba, Embarca no Trem do Forró rumo ao Maior São João do Mundo: Campina Grande” 
Imperador do Ipiranga: “Solidariedade. A Explicita Magia de Sonhar, Amar, Viver, em Prol do Bem!”

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Conheça os enredos do Grupo Especial e da Série A para o Carnaval 2018

Por Felipe de Souza
Foto: Ricardo Morais
Com a divulgação do enredo da Beija-Flor de Nilópolis, ocorrida no último domingo (30), já é possível saber todos os 26 temas que passarão pela Marquês de Sapucaí ao longo dos quatro dias de desfile. A azul e branco da Baixada levará uma temática crítica à contemporaneidade, fazendo menção ao livro Frankenstein, que completa 200 anos em 2018. "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu" é o título do enredo nilopolitano.

A sexta-feira de Carnaval tem a missão de abrir os caminhos para o desfile das escolas no sambódromo. No primeiro dia da Série A, passarão pela Sapucaí os seguintes enredos:
Unidos de Bangu - "A travessia de Calunga Grande e a Nobreza negra no Brasil"
Império da Tijuca - "Olubajé - Um banquete para o rei"
Acadêmicos do Sossego - "Ritualis"
Porto da Pedra - "Rainhas do Rádio: nas ondas da emoção, o Tigre coroa as divas da canção"
Renascer de Jacarepaguá - "Renascer de Flechas e de Lobos"
Estácio de Sá - "No pregão da folia, sou comerciante da alegria e com a Estácio boto a banca na Avenida"

O segundo dia de desfiles da Série A promete ser disputadíssimo, com a presença de alguns dos destaques do carnaval em 2017. Confira os temas:
Alegria da Zona Sul - "Bravos Malês - A saga de Luiza Mahin"
Acadêmicos de Santa Cruz - "No voo mágico da esperança, quem acredita sempre alcança"
Unidos do Viradouro - "Vira a cabeça, pira o coração. Loucos gênios da criação"
Acadêmicos da Rocinha - "Madeira Matriz"
Acadêmicos do Cubango - "O Rei que bordou o mundo"
Inocentes de Belford Roxo - "Moju, Magé, Mojúbà - Sinfonias e Batuques"
Unidos de Padre Miguel - "Eldorado submerso - Delírio Tupo-Parintintin"

Com a crise financeira, os enredos patrocinados foram preteridos por temáticas mais populares, de cunho crítico e com pitadas de história. A próxima edição do Grupo Especial contará com apenas dois "enredos CEP": China, pelo Império Serrano e Índia, pela Mocidade Independente de Padre Miguel. O primeiro dia de desfiles da elite da festa contará com sete escolas. São elas:
Império Serrano - "O Império do Samba na rota da China"
São Clemente - "Academicamente Popular"
Unidos de Vila Isabel - "Corra que o futuro vem aí"
Paraíso do Tuiuti - "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?!"
Grande Rio - "Vai para o trono ou não vai"
Estação Primeira de Mangueira - "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco"
Mocidade Independente de Padre Miguel - "Namastê - A estrela que brilha em mim saúda a que existe em você"

O último dia de desfiles trará algumas das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. A Portela, atual campeã ao lado da Mocidade, vem em busca do bicampeonato com a carnavalesca Rosa Magalhães. Confira a ordem de desfile e os enredos:
Unidos da Tijuca - "Um coração urbano: Miguel, o Arcanjo das Artes, saúda o povo e pede passagem"
Portela - "De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá"
União da Ilha do Governador - "Brasil Bom de Boca"
Acadêmicos do Salgueiro - "Senhoras do ventre do Mundo"
Imperatriz Leopoldinense - "Uma noite real no Museu Nacional"
Beija-Flor de Nilópolis - "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu"


Abaixo, os logotipos das escolas de samba para o Carnaval 2018:
Logos do Carnaval 2018 [Especial e Série A]

sexta-feira, 28 de julho de 2017

7x1 Carnavalize: Sambas afro nem tão conhecidos assim

por Beatriz Freire


De volta com as listas temáticas, o Carnavalize embarca em mais um 7x1 para mostrar sambas afro pouco conhecidos pelo grande público. O conceito de tempo é relativo e, com certeza, nem todas as obras são totalmente desconhecidas, sobretudo pelos bambas que caminham há mais tempo que nós na estrada da folia. O importante, no entanto, é permitir que conheçamos sambas bonitos e que foram esquecidos, ou talvez nunca lembrados, pelos foliões ao longo de tantos anos. Assim, nossas duas e até três gerações podem sentar juntas e apertar o play para relembrar, descobrir e se apaixonar pelos hinos de escolas que cantaram temáticas negras em nosso carnaval. Apertem os cintos porque nossa viagem ao passado começa agora.


A visita do Oni de Ifé ao Obá de Oyó 
Unidos do Cabuçu (1983)


A Unidos do Cabuçu, do fim da década de 70 até os primeiros anos de 80, ficou conhecida como uma escola extremamente competente por fazer lindos sambas com a temática africana. Como a lista abrange apenas 7 faixas, a prioridade será dada à variedade de escolas. Cabe, no entanto, louvar o samba de 1981 da agremiação, "De Daomé a São Luis, a pureza mina jêje'', que carrega beleza singular e seria facilmente encaixado ao lado do que será apresentado. Fato é que o Cabuçu, em 1983, levou ao público momesco o enredo "A visita do Oni de Ifé ao Obá de Oyó" para o seu desfile, à época pelo grupo 1B. O samba de enredo composto por Grajaú e Jacob é um dos mais bonitos da história da escola e talvez até mesmo do Acesso carioca. Pode ser que não tenha alçado voos mais altos – e conquistado seu lugar num imaginário popular ao lado dos outros hinos antológicos – por conta da pouca visibilidade que se perpetua, principalmente dos antigos carnavais, aos grupos mais baixos das divisões do carnaval. De toda forma, o samba conduzido por Di Miguel, intérprete da agremiação, conquistou o coração de muitos sambistas e torcedores da escola, carregado de muita história a respeito dos reinos iorubás de Ifé e Oyó. Sob o talento dos carnavalescos Gustavo Coutinho e Ronaldo Marins, a escola do Lins conseguiu um confortável 4º lugar – posição que lhe deu estabilidade para o campeonato no carnaval seguinte – naquele ano carregado de axé.


Orun-Ayê 
Boi da Ilha (2001)


O Boi da Ilha pode não ser um conhecido do grande público que acompanha o carnaval quando fevereiro se aproxima. É, porém, uma escola que há alguns anos conta com a simpatia dos sambistas fiéis ao festejo. Sem nunca ter alcançado os holofotes do Grupo Especial, a agremiação teve seus melhores momentos em passagens pelo Grupo A. A primeira delas acontece justamente em 2001, o que torna tudo melhor, ainda mais pelo enredo a ser apresentado naquele ano; "Orun-Ayê" foi a temática escolhida pelo carnavalesco Guilherme Alexandre para o desfile da escola da Freguesia da Ilha do Governador. O enredo contava o mito da criação e a coexistência de Orun, palavra iorubá que se refere ao mundo espiritual, e do Ayê, que está ligado ao mundo físico. A história desenvolvida rendeu um lindo samba, composto por Aloisio Villar, Paulo Travassos, Silvana da Ilha e Clodoaldo Silva. O microfone, por sua vez, foi comandado pela bela voz de Ronaldo Yllê, e o lindo conjunto de letra e melodia rendeu à agremiação a premiação do Estandarte de Ouro de melhor samba. Com ventos mais do que favoráveis, a escola insulana conquistou um satisfatório quinto lugar pelo Grupo A, melhor resultado nesses seus quase 30 anos de vida.

Geledés, o retrato da alma
Arranco (2006)


Contando a história das máscaras e da personalidade humana por meio delas, da África antiga ao momento à época, o Arranco também presenteou o mundo do samba com uma belíssima obra. O ano era 2006 e a escola estava de volta ao Grupo A, após um período de quase 10 anos em uma divisão mais baixa. Jorge Caribé, carnavalesco conhecido pelo seu competente trabalho de enredos afro, foi o profissional que assumiu a agremiação do Engenho de Dentro e teve que driblar os problemas financeiros e a falta de recursos para montar o carnaval daquele ano. Com o papel e o lápis na mão, os consagrados compositores Sylvio Paulo e Juan Espanhol se uniram a Fernando, Bira Só Pagode e Bola para dar ao carnaval um dos sambas mais bonitos de 2006. Zé Paulo Sierra, que fez sua estreia como intérprete oficial, comandou o canto com pouco menos da experiência que era necessária, é verdade, mas conseguiu dar voz ao hino que ganharia prêmios de melhor samba-enredo; Estandarte de Ouro, o troféu S@mba-net, Jorge Lanfond e Tribuna da Imprensa foram as premiações concedidas. O resultado da quarta de cinzas garantiu a permanência no Grupo A para 2007, a partir de um 7º lugar.

As três mulheres do rei 
Império da Tijuca (1979)


Não é de hoje que o primeiro Império da corte do samba faz enredos africanos que trazem novos e bons ventos. Desde os anos 50, a escola já mostrava como contar uma boa história vinda lá da Mãe África. Nos anos 70, fez uma aposta firme na temática e especificamente para o ano de 1979 apresentou o enredo "As três mulheres do rei", desenvolvido pelo carnavalesco Mário Barcelos. A história girava em torno de Xangô e suas três esposas: Obá, Oxum e Oyá. O samba que embalou o desfile do Imperinho foi composto e cantado por Marinho da Muda, figura do bairro e da própria escola. A beleza, além da letra singela, objetiva e bem costurada, fica justamente pelo tom melódico do samba e da própria voz de Marinho. O resultado foi um campeonato que coroou mais uma vez a comunidade do Morro da Formiga.



Ganga Zumba, raiz da liberdade 
Engenho da Rainha (1986)



Tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, o Engenho da Rainha também entrou na nossa lista, e com muito louvor. A escola apresentou, em 1986, um lindo samba que cantava o enredo de Elson Mendes sobre Ganga Zumba, o primeiro líder de Palmares, e a passagem da opressão, do sofrimento e da dor ao anseio e luta por liberdade, através da simbólica resistência do Quilombo dos Palmares. Ciganerey, que ainda era conhecido como Paulinho Poesia, cantou os lindos e melodiosos versos escritos pelas mãos de Jacy Inspiração, Bizil, De Minas e Guará. Felizmente reconhecido, o samba faturou o prêmio do Estandarte de Ouro e, injustamente, a escola amargou um satisfatório 4º lugar, que garantiria pelo menos a permanência da escola no Grupo 1B.

Catopês do Milho Verde, de escravo a rei da festa 
Colorado do Brás (1988)


O Colorado de Brás, no centenário da Lei Áurea, levou a afrobrasilidade para o público e nos presenteou com um dos sambas mais bonitos da folia paulista. O enredo "Catopês do Milho verde, de escravo a rei da festa" fazia referência a Chico Rei e ao catopê, tipo de dança do congado, uma tradição encontrada em Minas Gerais a partir da figura do príncipe-escravo que conseguiu sua liberdade. O festejo tem ligações religiosas com Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, exatamente o que foi cantado pela escola num samba escrito por Dom Marcos, Edinho, Xixa, Minho e Roná Gonzaguinha. Apesar da fama na Terra da Garoa, as novas gerações pouco conhecem o hino que foi cantado pelo próprio Dom Marcos e, mais tarde, por Freddy Vianna em uma reedição da própria escola. Chico Rei coroou, assim, o Colorado com o 9º lugar do Grupo Especial de SP.

Do Iorubá ao Reino de Oyó 
Cabeções da Vila Prudente (1981)


Finalizando nosso 7x1, a escola da Vila Prudente pede passagem para seu maior samba. Como dito anteriormente, não é totalmente desconhecido – é, na verdade, bem elogiado pelos bambas e cantado até em rodas do Rio de Janeiro – mas ainda é um samba desconhecido por muitos. O microfone foi assumido por Dom Marcos, também compositor, e mais tarde regravado por Leandro Lehart, quando ganhou maior destaque. Fez, também, uma ponte aérea RJ-SP e foi parar na Sapucaí com a Unidos de Padre Miguel, em 2013, sendo usado como esquenta da escola da Zona Oeste. Aos apaixonados de pouca idade ou aos que por alguma razão desconhecem o samba, fica a oportunidade de escutar e aprender uma das maiores joias do querido carnaval paulista, que, apesar da beleza, embalou um desfile que garantiu um 10º lugar no Grupo Especial naquele ano.

A temática africana no carnaval não é novidade para ninguém; apesar disso, a lista mostra como o assunto rende histórias muitas vezes não contadas e sambas lindos, que nem sempre permanecem na memória do grande público. Mais uma vez, repetimos que há uma lista interminável de faixas que poderíamos citar, como o belíssimo samba de 1979 da Imperadores do Samba (ouça abaixo), escola de Porto Alegre. De toda forma, a dica de quem vos escreve é que se deliciem e aprendam muito com estes verdadeiros hinos e que busquem outros novos para que possamos dividir e repassar às novas gerações aquilo que formou o nosso carnaval atual. Até a próxima!




quarta-feira, 26 de julho de 2017

Carnavanálise: Que enredo é esse? - Série A 2018

Por Equipe Carnavalize

Estamos cantando parabéns para este site maravilhoso, chamado Carnavalize. Sim, nós mesmos, e com  nosso jeitinho engraçado e divertido, voltamos para o que deu pontapé inicial deste siteco: nossas queridas análises de enredos - as Carnavanálises. Voltamos, nos achando os próprios especialistas e prontos para dar alguns pitacos e pontos de vista com a zoeira de sempre. 





A Série A abre os trabalhos da folia carioca e abrirá também as nossas análises. Como todas as escolas do acesso carioca já sabem os temas, que levarão à avenida, viemos fazer aquele resumão para você. Já adiantamos que a crise fez muito bem e, com patrocínios escassos, os carnavalescos ficaram livres pra criar; Tirando da cabeça o que não se tem no bolso - saudoso Pamplona! Assim, surgiram enredos das mais variadas vertentes, das mais diferentes qualidades. Um luxo só! Apertem os cintos e se segurem no "Santo Antônio" (aquele negócio de segurar destaque), que a alegoria vai fazer a curva.

Sexta


1- "A Travessia da Calunga Grande e a Nobreza Negra no Brasil"
Unidos de Bangu

"Calunga cruzou o mar, nobreza a desembarcar na Bahia..." 
Não, pera! Samba errado.


O que é?
Abrindo os trabalhos em 2018, a Unidos de Bangu volta ao Grupo de Acesso depois do leve vexame de 2015. "Vem sentir meu calor, cheguei pra ficar". Ops, foi mal, mas não rolou. Agora, porém, pode rolar, tanto que a agremiação reforçou o time com nomes de peso. O destaque vai para o experiente carnavalesco Cid Carvalho (ler com a voz dele "tá em moda falar em ecologia"), que está de volta à Sapucaí depois de um ano trabalhando na Intendente Magalhães e no carnaval de Vitória. Por sinal, já estamos à espera das camisas customizadas com muito strass e pedraria... RYCA!


O que esperamos?
Uma pitada de Beija-Flor 2007, um navio negreiro, correntes, muitas correntes, orixás, muita Bahia, muito axé, muitos negros... Rápido, fácil, sem mistérios. Escravidão, "salve a negrura, salve a bravura", uma temática que já vimos passar algumas várias vezes e todo ano um pouco mais. O leve diferencial ficou por conta do tom de protagonismo desses negros guerreiros em suas e em nossa própria história. A figura de Calunga Grande vem somar e trazer uma aura um pouco diferenciada. É um feijão com arroz requentado, mas, se bem servido e bem temperado com o Sazon vermelho e branco banguense,  poderá render um pratão daqueles. Louvar a negritude tem tudo para abrir os melhores caminhos nessa difícil missão de se manter no grupo. No mais, nosso axé, Bangu! 


De 1 a 3 Cids o quanto ele vai fazer sua própria versão de Áfricas da Beija 2007, com muita pluma de pavão e pedraria:




2- "Olubajé – Um Banquete Para o Rei"
Império da Tijuca

O que é?
Depois de dois anos em coma, induzido (ou não), o Império da Tijuca quer se levantar e voltar a comer o asfalto da Sapucaí, como fez no início da década com belos enredos afros. E, para isso, depois de uma longa temporada na escola, Junior Pernambucano saiu para a chegada de Jorge Caribé e Sandro Gomes, dois nomes super experientes da folia e com especialização em temas africanos.

O que esperamos?
O enredo vem cumprindo a cota "orixá" do ano, então não há mistério. Pegue suas guias, seu atabaque, bata cabeça e abra a roda que vai ter muito "xirê, ogãs e alabês". Não, pera, esse era outro orixá. É tanta divindade que a gente fica perdido... Aliás, que não seja só sucessão de orixás ala atrás de ala. Mais do que só fazer aquela macumba – convenhamos, a gente adora – tem de levar conteúdo. Se o morro da Formiga, como é sintetizado também Omolu em algumas vertentes da religião, quer resgatar suas raízes recentes (vamos esquecer 2016 e 17), nada melhor que escolher o senhor das terras africanas... então, é só incorporar e tomar cuidado para não se perder nos reduzidos setores do acesso. Atotô!

De uma escala de 1 a 3 Ito Melodia o quanto queremos incorporar com o desfile



3- "Ritualis"
Acadêmicos do Sossego

O que é?
A Sossego cumpriu a árdua tarefa e permaneceu na Série A com folga e louvor. Saiu de campo o carnavalesco Marcos Puluker e em seu lugar,chegou Petterson Alves, experiente nome da folia capixaba. Com o time todo renovado, a Sossego quer fazer um ritual de amor e sonhar ainda mais no grupo com um enredo que abordará os diferentes rituais da história da humanidade.

O que esperamos?
A gente pega uma palavra, joga no Google. Vê os resultados. Vai juntando um, vai juntando outro. Volta lá na Pré-História, Grécia, Idade Média, Renascimento, Modernidade... Ah, Egito! Não pode esquecer o Egito (obrigado por nos lembrar, Beija-Flor). É isso! A proposta de se falar de rituais traz uma ideia muito ampla. Então, apesar do tema bacanérrimo, sem um fio condutor bem demarcado ou o aparo das arestas, o enredo pode se perder em condensar tantas informações em apenas quatro setores. Será que vai faltar alas, alegorias ou setores? Não dá para saber... De início, só sabemos que se a Sossego mandar nos chamar, nós vamos! 

De 1 a 3 Filósofos o quanto vai ter Sossego Ritual de Amor tour

 


4- "Rainhas do Rádio – Nas Ondas da Emoção, o Tigre Coroa as Divas da Canção!"
Unidos do Porto da Pedra

O que é?
Depois de brincar na Sapucaí com Carequinha e desfilar ao som de deliciosas marchinhas, a Porto da Pedra segue com a linha de enredos leves e nostálgicos que o carnavalesco Jaime Cezário vem tocando na escola. É a construção de uma nova identidade para a escola de São Gonçalo, que tem dado muito certo. Uma mistura de União da Ilha com Caprichosos, amamos!

O que esperamos?
Nostalgia, leveza, bom humor, uma pegada popular e de fácil reconhecimento do público. Todos esses ingredientes que fizeram sucesso nos dois últimos carnavais da Porto devem se repetir nesse enredo, que tem um recorte simples, como os outros, mas super objetivo e correto. Muita dor de cotovelo, muito samba-canção, bolero, muitos laquês e penteados pomposos. O Tigrão de São Gonçalo tem tudo para fazer um desfile que conquistará o público mais uma vez. Agora, resta saber se os jurados sentirão o impacto...
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De 1 a 3 divas do Rádio, o quanto queremos muito bolero e samba canção

  


5- "Renascer de Flechas e de Lobos"
Renascer de Jacarepaguá

O que é?
Depois de uma apresentação super digna no carnaval passado, a Renascer lidou com a situação lamentável de um incêndio que atingiu seu barracão, deixando a escola desorientada para o próximo desfile. Porém, o fato deve servir para motivar a agremiação, que precisa buscar melhores resultados, num enredo com muito diz mata, eu digo verde.

O que esperamos?
Villa-Lobos é prova de brasilidade. Com uma pitada de Mocidade 1999 e mais uma porção de Lendas e Mistérios da Amazônia, a Renascer conta com um enredo riquíssimo, com imagens que a gente já conhece mas que serão mostradas através de um fio condutor bem bolado e requintado; ou seja, com o sambão já garantido, fica fácil de se fazer um desfile babado daqueles.

De 1 a 3 sambões da Renascer nos últimos anos o quanto queremos ver a escola renascer das cinzas




6- "No Pregão da Folia sou Comerciante da Alegria e com a Estácio Boto Banca na Avenida"
Estácio de Sá

"É artigo de primeira, peça rara, coisa fina..."
Opa, não é esse?!

O que é?
Depois de fazer a egípcia no enredo sobre Singapura, a Estácio se restruturou para 2018. Saiu Chico Spinoza e ficou apenas Tarcísio Zanon, que, depois de dois carnavais, assinará sozinho pela primeira vez. Após dar as caras no Especial, o Leão se firmou como uma das grandes da Série A e está sempre na disputa pelo título. Entra, UPM.

O que esperamos?
Na minha mão é + barato! Não é!? Sabe quando a gente pega aquela roupa, faz uma mudança ou outra e acha que ninguém vai reparar que não é nova? Pode ter certeza: tem gente que repara. Risos. Enfim, mudando de assunto... A Estácio é meio Portela, né? Fez uns 10 enredos seguidos sobre o Rio, e, sempre que pode, mete ela mesma dentro das histórias. Afinal, a Estácio de Sá conduz a primeira parte do enredo da escola e esse negócio de ego inflado é mesmo coisa de leonino - RAWR! O que podemos dizer sobre a temática que também já apresentaram em outros momentos? Fizeram e fizeram bem, com direito à estrelinha e "parabéns" da professora. Apesar de ser uma alternativa mais econômica e que permite o uso livre da imaginação do carnavalesco,  o Leão vai ter de ser muito o Berço do Samba para conseguir sair de um desfile apoiado no que já se espera e já passou em enredos parecidos. Esperamos que o morro de São Carlos não precise chegar na hora da xepa e, muito menos, ficar pechinchando por um boa posição.


De 1 a 3 Caprichosos 2015 para mostrar que na mão da Estácio será mais barato:


 


Sábado

1- "Bravos Malês! A Saga de Luiza Mahin"
Alegria da Zona Sul

O que é?

Depois de uma injusta posição em 2017, a Alegria vem mordida. Ainda sob o comando do carnavalesco Marco Antônio Falleiros, que viajou fundo na história brasileira, a alvirrubra do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho trará para a Sapucaí a Revolta dos Malês. A escola, que quer voltar a brilhar na Série A, precisará esquentar muito bem o sábado de carnaval, para iniciar com todos os pés direitos possíveis a segunda noite do carnaval carioca e espantar essa história de que abrir é furada.

O que esperamos?
Mulher, negra, guerreira. Podia ser o enredo do Imperinho em 2013 - e é tão bom quanto, mas não é. Se um dos papéis dos carnaval é trazer para nós, espectadores, personagens e histórias pouco conhecidas do imaginário comum, falar de Luiza Mahin é mostrar que a Alegria cumpre muito bem seu papel como escola de samba Esperamos que, apesar de um período e uma parte da história pouco desbravada, seja um desfile que fuja dos afro densos, cheios de palha, como já cansamos de ver. É essa a parte que nos emociona, afinal, a educação também é bandeira fundamental do samba. Ouviu, Crivella? 

De 1 a 3 Negras Pérolas Mulher o quanto queremos Alegria deixando de fazer figuração na parte de baixo da tabela



2- "No Voo Mágico da 'Esperança', Quem Acredita, Sempre Alcança"

Acadêmicos de Santa Cruz


O que é?
A Santa Cruz, que parece ter se acostumado com a parte de baixo da tabela, se tornando a famosa hora do lanche. Não vamos falar Bob's porque não estamos aqui para fazer propaganda. É um momento bom de levar seu travesseiro e recuperar as energias. Com tantos carnavais regulares e de baixo desempenho, é melhor que  a escola se ligue porque até o Balança cai... se é que vocês nos entendem.

O que esperamos?
O tempo que o tempo tem? Diz mata! Eu digo verde? Literatura infantil... Se pegarmos várias coisas e jogarmos num caldeirão, é só torcer - e rezar muito - para dar certo. Mas... E aí!? Será que vai dar? O enredo tem a cara da Santa Cruz dos últimos anos – infelizmente –, um toque de história requentada, contando várias coisas que todo mundo já sabe... Vale lembrar que a escola terá o experiente e consagrado Quinho dividindo o microfone principal com Roninho, do time de canto da Mocidade. A gente só faz um alerta: Misturar Max Lopes com ciganos nem sempre dá certo, mas se ele insiste... #superaMax ¯\_(ツ)_/¯


De 1 a 3 criadores do universo o quanto vamos ali e já voltamos na hora da Santa Cruz





3- "Vira a Cabeça, Pira o Coração. Loucos Gênios da Criação"

Unidos do Viradouro

"Eu canto, eu pinto, eu bordo. Sapucaí é a tela, Porto da Pedra enlouquece a passarela..." 
ERROOOOOOU

O que é?
Renovada e sempre favorita, a Viradouro foi esperta e abocanhou um dos principais carnavalescos do grupo: Edson Pereira, que saiu de uma longa, brilhante e vitoriosa carreira na UPM, e cruzou a Ponte Rio-Niterói para tentar alcançar o tão sonhado Grupo Especial. Com a sorte de poder escolher a posição de desfile, as atenções estarão voltadas para a vermelha e branca. Será que vai pirar o coração dos jurados!? Criatividade tá acabando gente, perdão :(

O que esperamos?
Já podem fazer suas apostas das quatros esculturas que decorarão as alegorias da Viradouro para 2018. Não tem mistério: pegue cientistas, artistas, carnavalescos (ei, "só" carnavalescos não! Joãosinho Trinta, mané!), uma xícara de Porto da Pedra 2009 com uma pitada generosa do mesmo vizinho Tigre em 1997... e tenha a receita prontinha. Não é nada novo, apesar de não ser mais do mesmo, mas conta com possibilidades de gerar um grande carnaval, principalmente na questão estética, cuidada pelo talento do querido Edson.

De 1 a 3 grandes esculturas o quanto apostamos que a campeã vai ser vermelha e branca (Entra UPM, entra Berço do Samba)





4- "Madeira Matriz"
Acadêmicos da Rocinha

O que é?
Desde "Corações Mamulengos", na Curicica, em 2016, Marcus Ferreira deu uma virada na carreira e vem brincando com carnavais que bebem na fonte da cultura popular. Foi assim no carnaval do Império Serrano campeão em 2017 e pode se repetir na Rocinha, que vem embalada de uma grande apresentação em homenagem à Viriato Ferreira. 

O que esperamos?
Simples, bonito, artístico, popular... É um enredo de poucas, mas boas palavras. Mas não venha nos empurrar a comissão de frente da Vila Isabel 2014, hein... é muito mais! É singelo, não ata nós e nos permite abrir os olhos para algo que possa ser um história desconhecida por muitos. Voa, Borboleta Encantada! 

De 1 a 3 desfiles surpreendentes quanto queremos ver segurar a Rocinha de novo




5- "O Rei que bordou o mundo"
Acadêmicos do Cubango

"Tão louco quanto o Bispo do Rosário, fez um mundo invetado para doar ao criador.."
Mas gente, Porto da Pedra 1997 de novo? Pessoal de Niterói implicou com o Tigre, foi?

O que é?
Depois de ser campeã com a Sossego em 2016, a dupla de novatos-agora-não-tão-novatos-assim, Leonardo Bora e Gabriel Haddad finalmente fará sua estreia na Sapucaí, prometendo registrar nome na nova geração de artistas da festa. Promessas de novos Leandros Vieiras Tour. Ao escolherem o enredo para 2018, em uma safra de enredos robustos e interessantes, nossos meninos talentosos não deixaram por menos. 

O que esperamos?
A gente adora uma aula, né!? E a Cubango promete nos dar isso, com um enredo de cunho social, histórico e, principalmente, artístico. A sinopse é uma das mais belas dos últimos tempos; poética, lírica, mas que embasa a história rica do Bispo do Rosário que bordou o mundo. Rosa Magalhães assinaria fácil. Amém. O único ponto de observação está na parte sobre os festejos folclóricos nordestinos, o que não parece fluir na história, ao menos na escrita... Vamos ver na prática. 


De 1 a 3 novos carnavalescos talentosos o quanto queremos "cantar, pintar e bordar" a Sapucaí é a tela com a Cubango

 


6- "Mojú, Magé, Mojubá – Sinfonias e Batuques"
Inocentes de Belford Roxo

O que é?
Depois de três anos desfilando na mesma posição, a Inocentes subiu algumas casas e pegou um lugar mais nobre. Assim, a escola pode usar a ordem a seu favor para deixar de ser uma simples figurante de meio de tabela e buscar resultados mais expressivos, saindo do grupo intermediário da Série A, que não é elenco de novela, mas só serve pra figuração.

O que esperamos?
Enredo CEP? Afro? Inocentes juntou tudo e fez uma coisa só, numa pegada africana ao contar a história do município de Magé, no RJ. O enredo será conduzido a partir da narrativa do pintor Heitor dos Prazeres, um tempero diferente para imagens já batidas, e com a garantia de um grande samba, assinado por Cláudio Russo e André Diniz. Será que a maldade que não tiveram os vilões ano passado agora vem? Amém, Nazaré Tedesco. 

De 1 a 3 Neguinhos o que ele acha sobre desfiles para ficar na "meiuca" da tabela







7- "O Eldorado Submerso: Delírio Tupi-Parintintin"

Unidos de Padre Miguel


O que é?
Mordida e sempre favorita, a Unidos de Padre Miguel vem em uma posição excelente e quer rasgar o chão para mostrar que já não cabe mais na Série A há alguns anos. Beija-Flor da zona oeste define. A contratação do talentosíssimo João Vitor Araújo tem tudo pra dar certo... quero ver segurar... Calma, esse samba era na outra escola. Se ele já fez a Rocinha sem grana daquele jeito, imagina o estrago que não faz numa escola rica e babadeira dessas!

O que esperamos?
Um quê de Joãosinho Trinta com Fernando Pinto, um enredo super original e atraente, que mistura diversos elementos em várias camadas. Tanta referência que a gente até se perdeu um pouco no texto, que é um pouco longo, diga-se de passagem.  Mas é uma história super rica e que merece ser contada. Amamos. E, baseados no chutômetro de pseudo-entendedores-analistas-dos-analistas-de-enredo, achamos que pode estar chegando o dia na tribo da Vila Vintém, com um aninho de atraso, mas, né... Agora vai, UPM? 

De 1 a 3 desfiles que mereciam ter sido campeões o quanto a UPM não cabe mais na Série A 







E isso é tudo, pessoal! Esperamos que tenham curtido nossas análises super carnavalizadas. Lembrando que nossa missão é sempre trazer mais humor pro mundo carnavalesco, mas sempre com seriedade e respeito com as escolas. Com a benção de Rosa Magalhães e a força dos orixás de Laíla, vamos ficando por aqui. Saravá, axé, amém, salamaleico e namastê!