quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Os Cinco Mais - Nobres casais que encantam a folia paulistana

Foto: Acadêmicos do Tucuruvi | Arte: Carnavalize

Por Bruno Malta e Alisson Valério
O carnaval já está batendo na porta e para matar um pouco dessa ansiedade resolvemos falar sobre a história do Carnaval de São Paulo. Na série "Os 5 Mais", traremos cinco grandes casais de Mestre Sala e Porta-bandeira, cinco grandes interpretes, cinco grandes Comissões de Frente, cinco grandes momentos de Bateria e, claro, cinco grandes Sambas. E para dar início a essa série resolvemos falar sobre os nobres casais de mestre sala e porta-bandeira.

O quesito mestre-sala e porta-bandeira é um dos mais bonitos e difíceis do Carnaval. Duas pessoas carregam o pavilhão da escola e o peso de ter mais de 10% da nota total de uma escola de samba. Apesar disso, sabemos que entre os guerreiros dessa arte, temos os destaques anuais. Por isso e como forma de reconhecer esse trabalho, resolvemos listar os cinco principais casais de mestre-sala e porta-bandeira surgidos na era Anhembi.

Então vamos lá que a sirene já tocou e o desfile de grandes casais já vai começar!  

Karina Zamparolli e Emerson Ramires – Mocidade Alegre
Foto: Alan Morici/G1
Casal unido pelo acaso da lesão da consagrada porta-bandeira Adriana Gomes, Karina e Émerson estrearam juntos no Carnaval de 2013. Ela, que não desfilava desde 2011, saiu de uma contratação contestada para a consagração ao lado do parceiro, que culminou no bicampeonato da escola do bairro do Limão conquistado graças aos 50 pontos trazidos pela dupla. A partir daí e já respeitados, a dupla fez apresentações arrebatadores na Passarela do Samba. No tricampeonato, ajudaram a escola também garantindo a nota máxima possível. Em 2015, o título não veio, mas os dois brilharam com a pontuação total e mais um show de elegância e simpatia. Nos últimos dois anos, a Mocidade Alegre não teve um desempenho exuberante no todo, mas a dupla seguiu impecável. Com um show de caracterização, garantiram 30 pontos em 2016 e bailaram como poesia em 2017 no cinquentenário da escola. Apesar do pouco tempo junto, a dupla Émerson e Karina pode ser considerada, um dos principais casais que o Anhembi que já teve.
 


Michel e Idely – Gaviões da Fiel
Foto: Rosa Bastos/Folha Imagem
Juntos desde a estreia dos Gaviões da Fiel no Grupo Especial – conhecido como Grupo 1 na época – Michel e Idely são uma marca na história do Carnaval Paulistano. Estiveram juntos de 1990 a 2007 como primeiro casal da escola alvinegra e, com isso, participaram dos quatro desfiles campeões da agremiação. Apesar disso, nem tudo foram flores para o casal. Em 2000, por conta de um deslize cometido pela dupla, o sonho do bicampeonato da alvinegra foi adiado. Em 2006, a quebra do mastro da bandeira afetou completamente a apresentação do casal. Entretanto, a marca deles é a regularidade sempre presente. As apresentações inesquecíveis do casal contribuíram para os mágicos campeonatos de 95, 99, 2002 e 2003. Além disso, os dois não abandonaram a escola nem nos piores momentos. Tanto quanto em 2005, quanto em 2007, quando a Torcida que Samba esteve no Grupo de Acesso, Michel e Idely se fizeram presente bailando com muita elegância e leveza. Pela fidelidade empregada pela dupla, as apresentações inesquecíveis e a carreira construída ao longo dos 17 anos de carreira, é impossível falar sobre os grandes casais do Anhembi sem citar Michel e Idely.

A partir de 20:17:



Renatinho e Fabíola – Vai-Vai, Império de Casa Verde, X-9 e Tucuruvi
Foto: Lucas Lima/UOL
Um dos mais tradicionais casais de mestre-sala e porta-bandeira da cidade de São Paulo. Renato e Fabíola Andrade ou, simplesmente, Renatinho e Fabíola são um marco do bailado no Anhembi. Formados no Brinco da Marquesa, entraram para o Vai-Vai em 1993 se tornando o primeiro casal da alvinegra em 1998, onde a escola do Bixiga foi campeã. A partir dali a sequência de títulos da mais tradicional das escolas paulistanas se misturou com a carreira premiada da dupla. Em 2005, o último desfile pela preta e branca foi premiado com o Troféu Nota 10. A partir de 2006, o casal passou a bailar pela nova potência Império de Casa Verde, numa transferência considerada marcante no Carnaval Paulistano. Após uma trajetória de marcas e conquistadas na Casa Verde, o casal bailou pela X-9 Paulistana e pela Acadêmicos do Tucuruvi, sempre com muita elegância, beleza e carisma. Por conta de sua trajetória sempre em alto nível e pela marca construída em suas carreiras, falar dos grandes casais do Anhembi, sem falar de Renatinho e Fabíola é simplesmente impossível.
 

  
Luís Antônio e Sueli Costa – Rosas de Ouro
Foto: José Cordeiro/SPTuris
Luizinho e Sueli formaram um dos grandes casais da passarela do Anhembi. Eles defenderam o pavilhão da Sociedade Rosas de Ouro de 2005 a 2014, conquistando o título de 2010 pela escola. A estreia do casal pela escola foi justamente no ano do enredo "Mar de Rosas", um desfile que já seria inesquecível para os dois foi extremamente mágico e emocionante, culminando numa apresentação arrebatadora. O casal sempre se destacou pela sintonia fina apresentada nos desfiles, além da regularidade e do bailado de bailarina da Sueli, que encantava o público e os jurados. Mas como nem de flores se faz uma história no carnaval, eles também tiveram as suas tempestades pelo caminho; em 2013, a dupla não conseguiu trazer a nota máxima e acabou tirando as chances de título da escola naquele ano, mas em 2014 eles vieram em busca da redenção e nem mesmo a chuva que caiu iria atrapalhar o desempenho dos dois. O resultado foi a nota máxima, o que viria a ser um encerramento de uma parceria inesquecível para o carnaval. É impossível falar sobre os grandes casais do carnaval paulistano sem citar Luizinho e Sueli.
 


Pingo e Paulinha – Vai-Vai
Foto: Alexandre Scheneider/UOL
Substituir o casal Renatinho e Fabiola não é uma missão fácil, mas foi o chamado que Pingo e Paulinha receberam no carnaval de 2006, iniciando ali uma caminhada na escola que continuam trilhando até os dias de hoje com muito sucesso. Ele que chegou a escola em 2001 e era, até o momento, terceiro mestre sala.  Ela, que era a segunda porta-bandeira, desfilava pela escola desde os 7 anos e é da família dos fundadores da escola. Eles iriam estrear a parceria logo como primeiro casal do Vai-Vai, uma grande responsabilidade. Com uma fantasia denominada “Orgulho de ser Vai-Vai”, eles desfilaram em busca da nota máxima no amanhecer do dia e com muita garra mostraram o seu valor e conquistaram os tão sonhados trinta pontos. Nascia ali um dos grandes casais da história do carnaval paulistano. O casal que se prepara para o décimo segundo desfile como primeiro casal do Vai-Vai tem pela sua trajetória três títulos (2008, 2011 e 2015), várias premiações, grandes apresentações e uma carreira regada de notas máximas. Pingo e Paulinha têm o carinho, respeito e a admiração não só do Vai-Vai, mas de toda a comunidade sambista. Não dava para falar dos grandes casais e não citar o casal que virou um dos patrimônios do Carnaval de São Paulo.  
 


 Esses cinco casais são um pequeno resumo de todas as centenas de casais que brilham com seu gingado e elegância ano após ano no Anhembi. Para continuar conhecendo mais do Carnaval de São Paulo acompanhe a série "Os 5 mais".





sexta-feira, 13 de outubro de 2017

QUASE UMA REPÓRTER: Karina Zamparolli, porta-bandeira da Mocidade Alegre

Por Juliana Yamamoto

Fotógrafo: Igor Cantanhende

Olá, seguidores do Carnavalize, adivinha quem está de volta? Isso mesmo, a quase repórter! Após uns meses descansando, estou de volta com as entrevistas que sei muito bem que vocês adoram. Para iniciar o nosso quadro com o pé direito, a entrevistada de hoje é uma das porta-bandeiras de uma das maiores escolas da terra da garoa. Esta porta-bandeira tem uma linda carreira no carnaval de São Paulo e faz história na atual agremiação que defende. De quem estamos falando? Karina Zamparolli! Primeira porta-bandeira da Mocidade Alegre desde o inesquecível ano de 2013 - a nossa pequena gigante!

Eu já conhecia a Karina quando fui num ensaio técnico para o carnaval de 2017 no Anhembi. Ela foi um amor, me tratou muito bem e foi super carinhosa e atenciosa. Por tudo isso, fazia tempo que queria entrevistá-la e a oportunidade finalmente veio no domingo passado. Antes de falar um pouco sobre a entrevista, queria agradecer à assessoria de imprensa da Mocidade Alegre, principalmente ao Fabico, com quem marquei a entrevista e no dia foi muito prestativo e simpático. Obrigada por ajudar os sites carnavalescos e tornar as matérias mais fáceis de serem realizadas, além de toda assistência necessária. Para uma principiante como eu, ter o apoio e a ajuda de vocês é realmente importante e gratificante!

Agora vamos falar da entrevista, que sem dúvidas foi uma das mais emocionantes que já fiz. Uma entrevista longa, mas com várias revelações e um relato emocionante que fez Karina chorar. Não soltarei spoiler, mas vale prestar muita atenção quando ela comenta sobre o carnaval de 2014. Uma história de garra e superação e que poucos sabem ou comentam.

Durante a entrevista - uma das mais longas - pude saber um pouco mais sobre a chegada da Karina na Mocidade Alegre, os frequentes ensaios com o Emerson para o carnaval de 2013, a sua expectativa na apuração e até o seu samba favorito da Morada. Inclusive, ela soltou a voz no final da entrevista, vocês não podem perder esse momento. Porta-bandeira e intérprete, que pisão! Ah, ela também contou uma coisa que bom eu até então não sabia. Uma agremiação da Série A convidou ela e o Emerson para desfilar em um ano! Qual será que foi? Façam suas apostas! 

Fotógrafo: Armando Bruck
Na minha opinião não tinha pessoa melhor para retomar o quadro! Eu já gostava da Karina anteriormente, mas depois de bater um papo com ela, gosto muito mais. Ademais, a minha admiração pela sua pessoa aumentou, por todas as batalhas que passou e dificuldades que enfrentou.

Quem me acompanhou nessa jornada foi um dos novos integrantes da equipe do Carnavalize, Bruno Malta. Torcedor da Morada do Samba, Bruno não conseguiu conter a emoção quando chegou na escola do Limão e conheceu a sua porta-bandeira favorita. Imagina um fã conhecendo seu ídolo? Foi ele mesmo. Até ele ficou emocionado com as palavras da Karina! Brincadeiras à parte, a entrevista foi muito proveitosa. No fim, tivemos a alegria de ver Karina cantando o refrão do samba de 2018, inclusive ela já pode dividir o carro de som com o Tiganá; hein!? E tiramos algumas fotos com seu inseparável pavilhão.

Espero que curtam a entrevista, com certeza, depois de ouvirem, certamente vocês vão gostar ainda mais da maravilhosa porta-bandeira da Morada do Samba! Uma mulher maravilhosa, doce, talentosa e que literalmente veste a camisa. Já estou ansiosa para ver o show que ela dará com o Emerson na avenida.

Um beijo da quase-repórter e até a próxima!

OUÇA A ENTREVISTA:



Ouça o samba da Mocidade Alegre para o carnaval 2018:

(versão concorrente)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

7-1 Carnavalize: sete vezes que o Anhembi explodiu com as Organizadas


Por Alisson Valério
Capa: Alan Morici/G1 | Arte: Carnavalize
Alô, amigos da rede Carnavalize! Se engana quem pensa que é só pelas arquibancadas dos estádios de futebol do estado de São Paulo que as torcidas organizadas fazem a festa, as Escolas de Samba de torcida organizada já sacudiram - e sacodem - muito as arquibancadas do Anhembi desde a sua inauguração em 1991. Todos os principais times paulistanos possuem sua representante no samba. São elas: Gaviões da Fiel (Corinthians), Mancha Verde (Palmeiras), Dragões da Real e Independente Tricolor (São Paulo). Mostrando que essas agremiações também já brilharam no chão sagrado do samba da terra da garoa, muito além de qualquer polêmica, selecionamos 7 grandes desfiles dessas agremiações. E aí, tá pronto? Simbora que o juiz já apitou e a bola vai rolar!


1- Gaviões da Fiel 1995 – Coisa boa é para sempre
"Me dê a mão, me abraça
Viaja comigo pro céu
Sou Gavião, levanto a taça
Com muito orgulho, pra delírio da Fiel"

(foto: SRZD)
Frustrados por um vice-campeonato no ano anterior, os Gaviões da Fiel vieram mordidos em busca do título inédito do grupo especial no ano seguinte. O enredo “Coisa boa é para sempre”, assinado pelo carnavalesco Raul Diniz, falava sobre as lembranças desde os tempos de criança e que ainda ajudava a celebrar os 25 anos de fundação da escola. O tema bem desenvolvido deu origem a um samba empolgante, que foi cantado pelas arquibancadas a pleno pulmões, antes mesmo do desfile começar. Com tanta empolgação, a agremiação fez um desfile de calar a boca dos famosos rivais de dentro das quatro linhas, levantando a torcida e, como sugeria o samba-enredo daquele ano, lavando a alma com o som da bateria. Título inédito conquistado com um samba-enredo que é lembrado por muitos até hoje.



2- Gaviões da Fiel 2002 – Xeque-mate
É hora da virada (vem amor)
Tenho fé e esperança (no coração)
O meu país menino vai mudar
E a felicidade há de brilhar! 

(foto: Ouro de Tolo/pedromigao.com.br)
Transformando a passarela do Anhembi em um tabuleiro de xadrez, os Gaviões da Fiel vieram em busca do seu terceiro título do Grupo Especial dando um xeque-mate nas guerras, impunidades e corrupções em uma grande jogada de mestre ao transformar o nosso país em um lugar de paz, com mais educação, mais moradia e segurança. Tão atual, não é mesmo!? Com a parte artística e estética assinada pelo grande carnavalesco Jorge Freitas, a escola foi com tudo tentando virar esse jogo. O resultado foi um desfile impecável, com a bateria sacudindo a multidão. Xeque-mate na avenida e nos adversário, resultado? Mais um caneco, o terceiro título do grupo especial conquistado com louvor.




3- Mancha Verde 2006 – Bem-aventurados sejam os perseguidos por causa da justiça dos homens.... Porque deles é o reino dos céus
O mundo não vai me calar
Injustiças não vão me deter
Das cinzas se renasce para a vitória
Na adversidade se aprende a crescer
São fatos que descrevem nossa história
O verde é a razão do meu viver

(foto: SRZD)
Um desfile que foi embalado pelo samba-enredo dito por muitos como o melhor samba da história da escola. O enredo que falava sobre os injustiçados e perseguidos na humanidade em geral e que culminava no momento vivido pela escola (e pelos Gaviões da Fiel também) no carnaval por ser uma escola de samba oriunda de uma torcida organizada de futebol e que foi assinado pelo carnavalesco Cebola. A escola não foi julgada por fazer parte de um grupo de escolas de samba desportivas, desfilando assim já com o título desse grupo pois os Gaviões da Fiel que também faziam parte desse grupo conquistaram o direito na justiça de ser julgada no grupo especial, fazendo com que a Mancha desfilasse sozinha nesse grupo, entretanto se fosse julgada entre as demais escolas do grupo especial terminaria na sétima posição. Superando várias adversidades durante o pré-carnaval como um incêndio em dois carros da escola na concentração apenas três dias antes do desfile, a Mancha Verde entrou na avenida no amanhecer do dia e emocionando a todos com o seu desfile. A Mancha renasceu das cinzas e fez um desfile inesquecível.


Desfile que foi reeditado em 2014 no Acesso depois um rebaixamento tido como polêmico pela comunidade sambista. A reedição desse desfile deu a escola o segundo lugar e o retorno ao grupo especial, lugar que ela merece estar.



4- Mancha Verde 2011 – Uma ideia de gênio!
É verde o sangue que corre na veia
Mancha, eterna guerreira
Uma ideia genial
Brilhando nesse carnaval

(foto: Daigo Oliva/G1)
Vindo de um Carnaval onde conquistou a sua melhor colocação no Grupo Especial (quarto lugar), a escola vinha empolgada em busca de algo a mais, para quem sabe buscar o título inédito na elite do carnaval de São Paulo. Para isso, a escola levou à avenida o enredo que falava sobre os gênios da humanidade, com a assinatura dos carnavalescos Pedro Alexandre "Magoo" e Fernando Dias. Fazendo um desfile tecnicamente perfeito, levantando a arquibancada com o seu ótimo samba, a agremiação alviverde acabou repetindo o quarto lugar do ano anterior e gerando uma certa polêmica no mundo do carnaval, já que se acreditava que a escola tinha feito um desfile merecedor de uma posição melhor. O grito de “É campeã” foi adiado, mas a Mancha Verde mostrou na avenida novamente a sua força no carnaval com uma belíssima apresentação.



5- Dragões da Real 2012 – Mãe, ventre da vida e essência do amor
Quem é que não te ama nessa passarela?
Que linda homenagem, Dragões!
Aplausos guerreira, brilhou sua estrela
Em nossos corações!

(foto: Flávio Morais/G1)
Criada em 2000, a Dragões da Real teve uma ascensão meteórica e estreou na elite do carnaval de São Paulo apenas doze anos depois da sua criação. O enredo escolhido foi assinado pelo carnavalesco Eduardo Caetano e falava sobre todos os tipos de mães existentes, como as mães da religião e as mães que integram a comunidade da escola. Que homenagem linda, não é mesmo? O desfile foi arrebatador do começo ao fim, assim como a história da escola no carnaval. A obra virou xodó de muitos sambistas, levantou a arquibancada, e o seu pedido de ser especial foi atendido. Estreou no grupo principal mostrando que não estava para brincadeira e pisou forte no Anhembi. O desfile conquistou a sétima posição, tornando-se a melhor colocação de uma escola que vinha do grupo de acesso no ano anterior e quase levando a escola para o desfile das campeãs no ano de sua estreia. Há seis anos no Grupo Especial, a escola só não voltou no desfile das Campeãs em apenas duas oportunidades (2012 e 2016), sendo a sétima posição em 2012 a sua pior posição conquistada no grupo especial, lugar que ela permanece até hoje com louvor e muito merecimento.


6- Dragões da Real 2017 – Dragões canta Asa Branca
Vem forrozear
Que o sanfoneiro vai tocar
Meu samba em forma de oração
Eu sou Dragões
É Asa Branca embalando gerações

(foto: Rodrigo Godoi/SASP)
Já estabilizada no grupo especial e sonhando com o dia em que o dragão alçará voos maiores, a escola resolveu cantar a história da música Asa Branca no sambódromo do Anhembi, com a assinatura de uma comissão de carnaval formada por Dione Leite, Jorge Silveira, Márcio Gonçalves e Rogério Félix. O resultado foi nada mais que o maior desfile da história da escola. Foi apontado por muitos especialistas e sambistas como a melhor apresentação do ano com sobras, emocionante do começo ao fim. Com um samba espetacular, que foi abraçado pela arquibancada do Anhembi desde o início e que, na opinião de muitos sambistas, é o melhor samba da história da escola, a escola acabou ficando no quase, o título escapou na última nota do último quesito (logo samba-enredo) e ficando na segunda colocação, sua melhor posição no grupo especial. Apesar de não ter sido campeã, a Dragões  deixou o seu recado e mostrou que o título no grupo especial é questão de tempo... Pode esperar!



7- Independente Tricolor 2017 – É mentira! 
Eu quero ver a esperança renascer
Chegou a hora de mudar
Um novo tempo vai florescer
E quem viver, verá

(foto: SASP)
A Independente Tricolor após diversos problemas que chegaram a levar a sua exclusão do carnaval paulistano ressurgiu, em 2009, com o nome de Grêmio Recreativo Cultural e Escola de Samba Malungos Independente, participando pela primeira vez do carnaval em 2010. A escola chegou ao Acesso em 2015 e já utilizava o nome de Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Independente Tricolor, nome que utiliza desde 2012 quando estava no Grupo 3 da UESP. Conquistou o acesso ao Grupo Especial em 2017 quando levou para a avenida um enredo que falava sobre as mentiras, enredo que foi assinado pelo carnavalesco Vinicius Freitas; O desfile chamou a atenção pela grandeza dos carros, pela técnica apresentada durante todo o desfile e pelo samba, que sendo muito divertido, conquistou a arquibancada e deu o tom, o qual precisava o desfile. O resultado não poderia ser outro e a tão sonhada vaga no grupo especial de 2018 veio com a segunda colocação conquistada no Grupo de Acesso. Um novo tempo floresceu e a Independente Tricolor fará parte do panteão das escolas de samba paulistas em 2018 com apenas oito anos de existência.  



O Grêmio Recreativo Esportivo Cultural Escola de Samba Torcida Jovem Santista estreou como escola de samba no carnaval paulistano em 2003 no grupo 3 da UESP, teve uma rápida passagem pelo acesso em 2011 e permanece até hoje no grupo 1 da UESP. Em 2018 levará para a avenida o enredo “O Corsário Elegante: O Terror dos Sete Mares”. O enredo será assinado pelo carnavalesco Pedro Pinotti.

Logo do enredo da agremiação para o carnaval 2018

terça-feira, 3 de outubro de 2017

CANTE COM A GENTE! Ouça os 14 sambas que emocionarão o Anhembi


Por Felipe de Souza
Imagem: SRzd/Cláudio L. Costa
As 14 escolas do Grupo Especial paulistano já escolheram seus sambas para o próximo carnaval. Vem cantar com a gente esses verdadeiros HINOS!



SEXTA-FEIRA

1- "Luz, Câmera e... Terror. Uma produção Independente"
Independente Tricolor
"Hoje o bicho vai pegar, vem ver 
a plateia delirar, enlouquecer.
Saiu da tela, entrou na mente
é o terror, Independente"


2- "Peruche Celebra Martinho - 80 anos do Dikamba da Vila"
Unidos do Peruche
"Vai ter Kizomba e Axé
Peruche é samba no pé
é tradição, celeiro de bambas.
Oitenta fevereiros a cantar
Deixa a tristeza pra lá"



3- "Uma Noite no Museu"
Acadêmicos do Tucuruvi
"Uma noite no museu... você e eu
fazendo história nesse carnaval.
É show na galeria, meu Tucuruvi
Pode aplaudir"



4- "A Amizade: A Mancha agradece do Fundo do Nosso Quintal"
Mancha Verde
"Nesse terreiro de bamba, quero mais é sambar.
Sou Mancha Verde, o show vai continuar
Sua história é o meu carnaval, 
obrigado do Fundo do nosso Quintal"


5- "Maranhão: Os Tambores vão Ecoar na Terra da Encantaria"
Acadêmicos do Tatuapé
"Viva São José, venha me valer
Ilu Ayê ô, Ilu Ayê
Tatuapé numa linda procissão
Canta sua história, ó Maranhão"


6- "Pelas Estradas da Vida, Sonhos e Aventuras de um Herói Brasileiro"
Rosas de Ouro
"Lá vou eu nas curvas desse meu Brasil
levando na boleia a flor,
razão do meu viver, vou te emocionar
quando a Roseira passar"


7- "O Brasil de Duas Imperatrizes: de Viena para o Novo Mundo, Carolina Josefa Leopoldina; de Ramos, Imperatriz Leopoldinense"
Tom Maior
"Vem festejar, coroar essa paixão, 
Imperatriz num só coração.
É carnaval, o meu sonho verdadeiro.
Sou Tom Maior, me orgulho de ser brasileiro"



SÁBADO

1- "A Voz do Samba é a Voz de Deus - Depois da Tempestade vem a Bonança"
X-9 Paulistana
"'Quem canta os males espanta'
nessa festa 'quem não dança, segura a criança'.
Chegou X9, o chão tremeu,
'a voz do samba é a voz de Deus',
pode acreditar, é a 'voz de Deus'"


2- "O Povo, a Nobreza Real"
Império de Casa Verde
"Meu Império é amor, tem a força pra vencer.
Tigre guerreiro não cansa, 
vai à luta de novo.
Teu sangue azul é a cara do povo"


3- "A Voz Marrom Que Não Deixa o Samba Morrer"
Mocidade Alegre
"Não deixe o samba morrer,
não deixe o samba acabar.
Na Mocidade vem ver o nosso povo cantar
a poesia sorriu ao falar de emoção
em sua voz, Marrom"



4- "Sambar com Fé Eu Vou"
Vai-Vai
"Hoje a sua voz vai emocionar
só quem é Vai-Vai sabe o que é amar
Na Bela Vista todo mundo vai sambar com fé
porque a fé não costuma 'faiá'"


5- "Guarus - Na Aurora da Criação, a Profecia Tupi... Prosperidade e Paz aos Mensageiros de Rudá"
Gaviões da Fiel
"Anauê, sou índio guerreiro, sou Gavião (eu sou)
Linda Jaci que clareia a tribo alvinegra
em sagrada missão"


6- "Minha Música, Minha Raiz. Abram a Porteira para essa Gente Caipira e Feliz"
Dragões da Real
"Eu sou caipira pirapora sim 'sinhô',
venho de longe pra mostrar o meu valor.
Chora viola, vamo 'simbora',
abre a porteira que a Dragões chegou"


7- "Arriba Bolaños, Arriba Vila, Arriba México"
Unidos de Vila Maria
"A Mais Famosa chegou, eterno caso de amor
'isso, isso, isso' é paixão
Reviver a pureza e minha nobreza,
Chaves do seu coração" 



Dossiê Carnavalize: O Carnaval das Organizadas, história que dá samba - Parte 2

Por: Jéssica Barbosa

(Arte: Rodrigo Cardoso)

No carnaval de 2018, pela primeira vez, quatro escolas de samba oriundas de torcidas organizadas irão desfilar no Anhembi: Independente Tricolor e Mancha Verde na sexta-feira, Gaviões da Fiel e Dragões da Real no sábado, estarão no mesmo grupo mostrando sua força e que merecem ser tratadas com respeito tal qual suas co-irmãs.

Preparamos um dossiê especial para contar um pouco da trajetória de grandes escolas muitas vezes recriminadas, mas que enchem o mundo do samba de orgulho. Na segunda parte, você acompanha a trajetória estrelada de duas escolas que mexem com o coração do tricolor dos gramados: Dragões da Real e Independente Tricolor.

O VOO METEÓRICO DE UM DRAGÃO
A Dragões da Real foi fundada nos anos 2000 por alguns associados da torcida do São Paulo, foi campeã do grupo 4 da UESP já no seu primeiro ano de desfile com o enredo “Circo Criança, Uma Grande Esperança” dos carnavalescos Marcelo Luis e Paulo Fornias, assim subindo para o grupo 3, passou pelo grupo 2 em 2004 o grupo 1 em 2005 quando foi vice campeã e conseguiu subir para o Grupo de Acesso. Foram 3 anos seguidos ficando em quinto lugar, dois terceiros lugares em 2009 e 2010.

Em 2011 a escola conseguiu seu tão sonhado acesso para o Grupo Especial, se sagrando campeã com o enredo “A Felicidade se Conta em Contos” do carnavalesco Eduardo Caetano. Um desfile leve com fadas e magos na comissão de frente e no abre alas marcou ascensão da escola à elite. A ala das baianas representava bruxas em tons de roxo e rosa já a alegoria mais bonita e colorida era a terceira, que representava a casa de João e Maria feita por doces. O samba era bastante correto, cumprindo seu papel de contar o enredo.

NA BAGAGEM TRAGO O SONHO DE VENCER:
Após alcançar o objetivo de chegar na elite do carnaval paulistano, a Dragões veio falando sobre as mães, trabalho assinado novamente por Eduardo Caetano, entítulado “ Mãe, Ventre da Vida e Essência do Amor”. Para representar a natureza na primeira parte do desfile, a comissão de frente veio com uma proposta muito interessante, uma mulher como a mãe natureza grávida e um elemento alegórico fazendo parte do espetáculo como a árvore da vida.

O abre-alas muito grande em tons de marrom caracterizava a natureza e era lindíssimo! O casal de Mestre Sala e Porta Bandeira, Rubens e Lyssandra, simbolizava as garças da fertilidade com lindas fantasias em vermelho. As baianas eram as mães do samba e em suas fantasias retratos delas mesmas, fantasias luxuosas em vermelho e dourado.
O terceiro carro chamava atenção por seu ótimo acabamento e sua simbologia: as mães de fé que perderam seus filhos e buscaram na religiosidade a força; atrás Nossa Senhora Aparecida como a mãe do Brasil. Mães de Santo e mães de adoção vinham nas alas seguintes. Para dar uma leveza no desfile uma alegoria que trazia mães em situações embaraçosas, como as mães de juízes de futebol e de lutadores.

A emoção voltava ao desfile com a ala “Mães em Oração”, uma lembrança às mães que já faleceram, e logo atrás, no último carro vinha o Dragão, símbolo da escola apresentando as mães da escola. O desfile foi embalado por um samba que funcionou muito bem na avenida na voz de Daniel Collete e a escola ficou em quarto lugar, melhor colocação de uma escola ascendente até então.

Para 2014, a Dragões contratou a carnavalesca multicampeã Rosa Deus Magalhães para desenvolver o desfile sobre os anos 70 e 80, “ Um Museu de Grandes Novidades”. A proposta do enredo era fazer uma viagem por essas décadas, citando filmes, novelas e brinquedos que fizeram parte da vida das pessoas. A comissão de frente teve quase toda a sua apresentação em cima do elemento alegórico que representava um cinema onde as pessoas assistiam ao videoclipe de Thriller, do cantor Michael Jackson.

O abre alas mostrou invenções da época como computador, patins com, na parte de trás uma pintura dos carnavalescos Rosa Magalhães e Fernando Pamplona. A rainha Simone Sampaio vinha vestida de Penélope Charmosa à frente da Bateria Ritmo Que Incendeia, fantasiada de Dick Vigarista.

O segundo carro foi dedicado a música com DJ, pista de dança, integrantes dançando break e performando rock. A ala "Cubos Mágicos" apresentou fantasias muito originais, onde alguns integrantes vestiam roupas imóveis e outros com fantasias que faziam o movimento do brinquedo. As baianas vieram como a boneca Moranguinho, causando um belíssimo efeito nas cores verde, vermelho, roxo, rosa e laranja. 

A penúltima alegoria trazia as Paquitas e a nave da Xuxa, além de um gigante Palhaço Bozo, importantes figuras infantis das décadas. Os filmes fechavam o último setor, com alas representando E.T, Coringa e Star Wars; a última alegoria vinha com gigantes esculturas de personagens de sucesso do terror. Com um desfile muito bem humorado e nostálgico a Dragões conseguiu o quinto lugar, retornando novamente na Sexta das Campeãs.

Para o ano de 2017, a Dragões contratou o intérprete Renê Sobral que estava na Tom Maior, além de mudar também sua linha de enredo. Vindo quase sempre com temas mais lúdicos, a escola resolveu se inspirar na música Asa Branca de Luiz Gonzaga e contar um pouco da história do Nordeste. “Dragões Canta Asa Branca” era o título do enredo, desenvolvido pela comissão de carnaval formada por Dione Leite, Jorge Silveira, Márcio Gonçalves e Rogério Félix.

Com um dos melhores sambas da safra e, pode-se dizer, o melhor da escola, muito bem interpretado pelo ótimo Renê Sobral, a Dragões veio forte buscando o título. O abre alas representava a fé, com um gigante esqueleto de Dragão a frente e uma capela atrás com muitos detalhes. As alas seguintes representavam animais do sertão, como calangos e serpentes da caatinga; esses que vieram simbolizados no segundo casal da escola.

O destaque do segundo carro foi o mandacaru com um tom vibrante de verde, sua flor foi representada por bailarinos, componentes vestidos de calangos subiam e desciam nas laterais do carro. A ala dos retirantes, que também chamou atenção pela coreografia e teatralização muito bem ensaiadas, mostrava o sofrimentos das pessoas por deixarem sua terra. Em seguida, a alegoria “Transportando Sonhos”, apresentava um caminhão 'Pau de Arara' na parte da frente estava decorada por retratos familiares. Compondo o carro, vários integrantes faziam coreografias. Gaiolas, redes, placas e malas também faziam parte da decoração. 

O próximo setor do desfile mostrava toda a cultura nordestina com a ala "Sanfoneiros", além do artesanato em palha, cujo costeiro da fantasia foi concebido na própria palha. As alas "Frevo", "Maracatu" e "Congada" se alternavam em cores fortes e mais claras. Chegando ao fim do desfile com o Nordeste em festa, a última alegoria apresentava uma grande fogueira. O destaque desse carro vai para os componentes formando a fogueira com tecidos leves que, com a ajuda de um ventilador, subiam e desciam, causando um efeito que esquentou (com o perdão do trocadilho) as arquibancadas do Anhembi.

Um desfile impecável em fantasias e alegorias. A bateria, que brincava fazendo bossas e paradinhas remetendo a música nordestina, deu um show, além do samba muito cantado por todos os componentes da escola e um enredo muito rico em cultura, mostrou que a Dragões não era mais uma promessa de escola grande e sim uma concretização. Apesar do grandioso desfile, a Dragões da Real ficaria sem o título na última nota. O vice-campeonato foi muito festejado pela comunidade, que vem forte e no caminho certo para buscar seu grande sonho: o primeiro título do carnaval paulistano!


UM FUTURO INDEPENDENTE
Tendo sua história no carnaval iniciada oficialmente em 2009, a Independente Tricolor é uma escola jovem mas que já acumula bons resultados e no ano de 2017 irá fazer sua estreia na elite do carnaval de São Paulo.

Seu primeiro desfile pela UESP ocorreu em 2010 com o enredo “São Paulo, Hábitos e Tradições”, conseguindo o primeiro lugar e subindo para o Grupo 3, onde ficou até 2012, quando vice-campeã, atingiu o Grupo 2. Em 2013 e 2014, ascendeu meteoricamente chegando ao Grupo de Acesso. Em 2016, por pouco a escola não se sagrou vice-campeã e ascendeu ao Grupo Especial: ficou com a terceira colocação com o enredo “O que Conta no Faz de Conta?”.


EU QUERO VER A ESPERANÇA RENASCER:

2017 chegou e a Independente buscou nas mentiras a inspiração para o enredo. O desfile abordou as mentiras contadas por políticos e sobre os contos infantis com seus personagens mentirosos.

O desfile começa pelo mentiroso mais famoso do cinema: Pinóquio, que vinha na comissão de frente. O abre alas foi uma dura crítica ao sistema político brasileiro, que retratava o planalto como um lugar cheio de mentirosos, com ratos de ternos saindo das laterais e uma grande cabeça de palhaço no topo da alegoria. 

A ala seguinte era sobre as pessoas que ficam cuidando da vida alheia espalhando mentiras, as fofoqueiras. O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Cley Ferreira e Lenita Magrini, vinha representando Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho. A fantasia dela chamava a atenção por ser toda em vermelho e com um capuz na cabeça, primorosamente confeccionada. 

O segundo carro trazia de volta ao desfile o personagem Pinóquio, que vinha representado em madeira na frente da alegoria e como menino acima, contando um pouco do conto do mentiroso. Histórias contadas para crianças também marcaram o desfile, como as alas "Loira do Banheiro" e "Bicho Papão". Já no penúltimo carro, a cegonha foi retratada.

O terceiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira simbolizava a natureza mentirosa, onde animais enganam predadores e se camuflam para sobreviver, como o camaleão, que estava presente em mais uma ala. Várias plantas carnívoras estavam na última alegoria, fechando o desfile. O samba composto pelos intérpretes Pê Santana e Rafael Pínah era de fácil compreensão e muito bem cantado pelos membros escola, fazendo com que a escola se sagrasse vice-campeã e subisse ao Grupo Especial.

Para seu primeiro desfile na elite, a Independente trará o enredo “Luz, Câmera e Terror...Uma Produção Independente” retratando filmes e lendas de terror.

Apesar de ser uma escola muito jovem e dando seus primeiros passos entre as grandes, a Independente Tricolor mostra através de enredos e sambas que está no caminho certo para trilhar uma linda história no carnaval.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Dossiê Carnavalize: O Carnaval das Organizadas, história que dá samba - Parte 1

Por: Jéssica Barbosa
Arte: Rodrigo Cardoso
No carnaval de 2018, pela primeira vez, quatro escolas de samba oriundas de torcidas organizadas irão desfilar no Anhembi: Independente Tricolor e Mancha Verde na sexta-feira, Gaviões da Fiel e Dragões da Real no sábado, estarão no mesmo grupo mostrando sua força e que merecem ser tratadas com respeito tal qual suas co-irmãs.

Preparamos um dossiê especial para contar um pouco da trajetória de grandes escolas muitas vezes recriminadas, mas que enchem o mundo do samba de orgulho. Na primeira parte, você acompanha Gaviões da Fiel e Mancha Verde. 

A TRADIÇÃO ALVINEGRA
Foi em 1975 quando a torcida organizada do Corinthians, após desfilar por alguns carnavais como ala no Vai-Vai, ganhou um bloco carnavalesco para chamar de seu. Um ano depois, em 1976, o bloco foi campeão com o enredo “Vai Corinthians”. Foram 12 títulos (1976 a 1979 - 1981 a 1988) e um vice campeonato em 1980 em 13 anos, o que chamou a atenção da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, que, mais tarde, em 1989, a convidou para fazer parte do Grupo 1 (atual grupo de Acesso) do carnaval paulistano.

Já no seu primeiro ano como escola de samba, conquistou um vice-campeonato no Acesso com o enredo “Preto e Branco na Avenida”, conseguindo a ascensão para o Grupo Especial. Mas foi em 1994 que a escola, até então novata, se viu perto do título inédito. Contando o enredo “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”, desenvolvido pelo carnavalesco Raul Diniz, que ficaria na escola até 1997, o tema contava a história do tabaco a partir de uma lenda do Oriente com o profeta Maomé. Os Gaviões, neste mesmo desfile, trouxeram na parte final do desfile, uma mensagem sobre a conscientização do uso de cigarros: uma ala vestida de caveira apresentava a morte e logo em seguida o último carro, o mais criativo e impactante do cortejo, mostrava novamente uma caveira, desta vez com um cigarro na mão e atrás um crânio com válvulas do coração mostrando os perigos do fumo. O samba é cantado até os dias de hoje, entretanto não agradou um dos jurados que deu nota 6 em melodia. Esta nota levou a escola ao segundo lugar, atrás da campeã Rosas de Ouro.


SOU GAVIÃO, LEVANTO A TAÇA:

Engasgada com o carnaval anterior, a Gaviões da Fiel vinha para 1995 falando de momentos alegres que ficam em nossa memória. “Coisa Boa é Pra Sempre” era o título do enredo, de autoria do carnavalesco Raul Diniz, trazia brincadeiras infantis e as paixões da vida.

A primeira parte do desfile era sobre o jubileu de prata da escola. Na Comissão de Frente vinham palhaços simbolizando a magia do mundo infantil. Já o abre-alas, todo em preto, branco e prata, trazia um grande número 25 em cima, lembrando o aniversário da escola. A segunda alegoria trazia o esporte, com a taça do tetracampeonato brasileiro do Timão e uma homenagem ao piloto Ayrton Senna, falecido um ano antes. Mas, sem dúvidas, a alegoria mais bonita era a que remetia ao Circo. Trazendo muitos palhaços e um elefante logo na frente, chamava atenção pelo seu tamanho e belíssimo acabamento. O final do desfile foi a coroação máxima da felicidade, com um carro que mostrava a maior alegria de um folião: o carnaval.

O grande trunfo deste desfile foi o memorável samba-enredo composto por Grego. Considerado, não apenas um dos sambas mais lembrados pela escola, mas também pelo carnaval paulistano no geral. Quem nunca cantarolou “me dê a mão, me abraça, viaja comigo pro céu…”? Esse samba conquistou o público antes mesmo do desfile, sendo o mais tocado nas rádios da cidade naquele ano, o que chamou a atenção da mídia para os desfiles. O samba foi tão aclamado que tocava em rodas de samba do Rio de Janeiro, fazendo o inesquecível Jamelão regravá-lo. Terminando seu desfile aos gritos de “é campeão”, o resultado final não poderia ser outro: os Gaviões da Fiel eram, pela primeira vez, campeões do carnaval de São Paulo, com um desfile histórico que marcou o carnaval paulistano!

O segundo título veio quatro anos depois, em 1999, com o enredo “O Príncipe Encoberto ou a Busca de Dom Sebastião na Ilha de São Luís do Maranhão”, do carnavalesco Roberto Szaniecki. O desfile contava a lenda de que Dom Sebastião não teria morrido após uma guerra, e seu exército estaria a sua procura. Um enredo muito bem contado que passeou pela fé e pelos motivos que levaram D. Sebastião à guerra contra os mouros, as reconquistas de Portugal, as colônias por onde o procuraram até a chegada ao nordeste brasileiro mostrando os fatos históricos que estavam ocorrendo naquelas regiões, juntamente com a lenda de que Dom Sebastião estaria submerso junto com seu exército em um reino mágico, parte que deixou o cortejo momesco com cores mais claras com o azul e branco. As alegorias eram de fácil entendimento e muito bem feitas, assim como as fantasias, naquele que, talvez tenha sido um dos melhores enredos da escola, muito rico em história e cultura. Com um belo e correto samba, composto por Alemão do Cavaco, José Rifai e Ernesto Teixeira, os Gaviões empataram com o Vai Vai em 299.5 pontos e o título foi dividido entre as duas agremiações.

O terceiro título da escola do Bom Retiro chegaria em 2002, já com o carnavalesco Jorge Freitas. O enredo fazia uma crítica social comparando o momento em que o Brasil vivia a um jogo de xadrez com o título “Xeque-Mate”.

O desfile começava contando a origem do Xadrez pela Índia e como o jogo ficou popular nas Arábias. A crítica social começa pela ala “Monstros do FMI”, seguindo para o mais criativo carro do desfile, a quarta alegoria vinha toda preta com várias caveiras, que representavam os países ricos segurando e controlando o peão, a mais frágil do jogo, metaforizando os países de terceiro mundo. Você quer crítica social f***, @? A parte de trás do carro dava um contraste, vindo em tons claros, simbolizando a esperança. Por fim o último carro trazia um rei que dava um xeque-mate em todas essas injustiças e impunidades.

Já em 2003, a escola conquistou seu bicampeonato falando do Brasil com “ As Cinco Deusas Encantadas na Corte do Rei Gavião”, que mostrava as belezas das cinco regiões brasileiras. A Comissão de Frente mostrava a força do carnaval paulistano como os ‘anunciantes da folia’. As fantasias traziam os nomes de todas as co-irmãs. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Michel e Ildely, veio como o coração da escola, vestindo lindas fantasias em vermelho e branco. O segundo carro fazia referência a região centro- oeste, trazendo consigo uma escultura de uma mulher com cabeça de pássaro e asas, com vários animais da região nas laterais. O ponto alto do samba, composto também por Grego, era o refrão de meio, que exaltava o carnaval do Rio de Janeiro e o de São Paulo.


LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA:

Após um rebaixamento muito contestado em 2006, a escola voltou aos bons resultados quando contratou o carnavalesco Zilkson Reis, em 2009. Foram três anos seguidos voltando aos desfiles das campeãs. No ano de sua chegada, a escola acertou em cheio na escolha do enredo e do samba, que contavam a história da roda. O desfile conquistou o quarto lugar.

Já em 2010, cantando o centenário do Corinthians, a escola emocionou e garantiu a volta na Sexta das Campeãs com o quinto lugar.

2011 foi o ano em que os Gaviões homenagearam Dubai, destacando-se a bela Comissão de Frente, também ficando na quinta colocação.


A TI SEREI FIEL: 

O intérprete Ernesto Teixeira está na escola há 37 anos. Ele começou em 1980 como passista, nos anos de 1983 e 84 desfilou na bateria até que, em 1985, quando o intérprete oficial não pode comparecer no desfile, Ernesto foi chamado para substituí-lo. Desde então, o microfone principal da alvinegra é comandado por ele, nunca tendo desfilado por outra escola. Foi ele que, em 2000, convidou Jorge Freitas, que estava no Rio de Janeiro, a assumir o posto de carnavalesco da escola. 

Os Gaviões tiveram extrema importância no crescimento do carnaval de São Paulo, assim desejamos que a escola volte a reencontrar suas glórias e vitórias.


MEMORÁVEIS DESFILES EM VERDE E BRANCO
Fundada como bloco carnavalesco em outubro de 1995, a Mancha Verde desvinculou-se da torcida organizada do Palmeiras para ser considerada apenas escola de samba. Seu primeiro desfile como bloco, no ano de 1996, lhe daria o segundo lugar com o enredo “Sinal Verde Pra Vida”. Em 1997 e 1998 conquistaria seu bicampeonato como bloco. Já em 99, conseguiria mais um vice-campeonato, chamando a atenção por suas conquistas como também pelo fato de seu samba cantado ser por Quinho, intérprete da Grande Rio naquela época

.Seu primeiro desfile como escola de samba foi no ano 2000, com um enredo sobre os 500 anos do Brasil: “Brasil, Que História é Essa” ficou com o segundo lugar no terceiro grupo da UESP. Após passar pelos grupos 2 e 1A nos anos de 2001 e 2002, a Mancha conseguiu se sagrar campeã do Grupo de Acesso no ano de 2004, com o enredo “A Saga Italiana na Terra Paulistana”. onde a escola contou a chegada dos imigrantes a São Paulo, a economia, cultura e o esporte. O desfile trouxe uma estética muito bonita, grande trabalho do carnavalesco Eduardo Caetano, conquistando, com muita justiça, o direito de desfilar pelo Grupo Especial de São Paulo.

Estreando na elite do carnaval paulistano em 2005, a Mancha trouxe a história do estado do Mato Grosso, num dos mais lindos sambas da escola, cantado por Vaguinho. O desfile surpreendeu a todos pela grandiosidade de uma escola que sequer havia chegado no grupo. Eduardo Caetano assinara seu segundo carnaval pela Mancha, saindo de lá após o desfile de 2005 e retornando para assinar o carnaval de 2008. O início do desfile foi pela pré-história, com um abre-alas composto por muitos dinossauros, seguindo o desfile com a formação geográfica do estado e seus primeiros habitantes. Também foi mostrada a fauna e flora do estado, um dos mais ricos em beleza natural no país. A escola terminou na décima segunda colocação. O enredo foi reeditado em 2016, quando a escola retornou ao Acesso. Naquela oportunidade, a Mancha Verde sagrou-se campeã.


GRUPO DESPORTIVO

Em 2006, ficou decidido pela Liga-SP que a Mancha Verde, juntamente com os Gaviões da Fiel, iria desfilar em um grupo separado de escolas oriundas de torcidas organizadas. Dias antes do desfile oficial, os Gaviões conseguiram uma liminar que os permitia desfilar junto com as outras escolas, disputando o título. Entretanto, o mesmo direito não foi concedido para a Mancha, fazendo-a desfilar sozinha naquele ano e assim sagrando-se campeã do Grupo Desportivo.

Não se deixando abater por essa decisão, a Mancha Verde fez um desfile arrebatador contando o belíssimo enredo “Bem Aventurados Sejam os Perseguidos, Por Causa da Justiça dos Homens...Porque deles é o Reino dos Céus”, do carnavalesco Cláudio Cebola, a Mancha criticou as intolerâncias do mundo. A Comissão de Frente encenou o trajeto seguido por Jesus Cristo carregando a cruz na Via Crúcis, parte mais forte do desfile. A segunda alegoria relembrava a histórica cena de quando um garoto entrou na frente de um tanque de guerra tentando pará-lo na praça da Paz Celestial na China. O terceiro carro fazia um contraste, trazendo um grande Buda no meio, acima uma escultura do Papa João Paulo II e a frente puxando a alegoria, dois tanques de guerra na cor branca cujo canhões jogavam flores ao invés de munição. Outro momento muito emocionante foi a ala que representava o sofrimento dos escravos, com eles acorrentados. O última carro fazia uma linda homenagem a Dona Norma, mãe do presidente Paulo Serdan que havia falecido naquele ano, com sua escultura sendo coroada, fechando um dos mais belos desfiles que já passaram pelo Anhembi.

No ano 2007 a Mancha mais uma vez desfilou sozinha sendo declarada campeã, mas com a diferença de ter conseguido participar dos desfiles das campeãs. Em 2008 o grupo foi extinto permitindo que a escola disputasse o título junto às outras agremiações.


EM VERDE E BRANCO QUERO ETERNIZAR:

Em 2010 a Mancha Verde fez uma homenagem ao ensino, “Aos Mestres com Carinho! Mancha Verde ensina como Criar Identidade”. O início do desfile trazia a Grécia como o berço da sabedoria. Já a segunda parte homenageia a China e seus ensinamentos sobre o equilíbrio, com uma alegoria muito bonita e grandiosa, a escola ainda mostrava toda a sabedoria dos índios e a importância da tecnologia no conhecimento. O último carro fazia uma homenagem aos mestres dos sambas e a própria escola de samba, na frente do carro um enorme Mancha tocando seu característico surdo. O samba que era muito pra cima não deixou o desfile esfriar em momento algum, era puxado por Vaguinho e pelo estreante Celsinho Mody.

No ano de 2011 a Mancha contratou o carnavalesco Magoo, e vinha com mais um excelente samba, homenageando gênios imortais “Uma Ideia de Gênio” esses que viriam logo no início do desfile saudando o público na comissão de frente, entre eles, Einstein, Leonardo Da Vinci, Santos Dumont, Picasso entre outros:

O abre alas mostrava o criação do universo, com um homem feito do barro a frente. O segundo carro e mais interessante mostrava toda a genialidade de Da Vinci, na frente a reprodução do seu desenho mais famoso, o Homem Vitruviano, no alto do carro uma destaque representava Mona Lisa, as laterais do carro estavam decoradas por outras de suas pinturas. Os gênios da tecnologia como Steve Jobs e Bill Gates também foram representados por algumas alas. Uma ala coreografada representava Romeu e Julieta em uma homenagem à Shakespeare.

Com um final de desfile muito simbólico mostrando o desejo dos gênios que sonham com um mundo melhor, sem intolerância, sem fome, o último carro trazia o conto Mil e Uma Noites. Um lindo desfile que a deixou em quarto lugar mais uma vez.

“Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odú Obará A Humildade” era o enredo da Mancha para o carnaval de 2012, tendo como base a história de Odú Obará, um babalorixá que mesmo sendo menosprezado por seus irmãos por conta de sua simplicidade nunca perdeu sua bondade, a escola falava sobre humildade e a necessidade de preservar o planeta. O samba um dos melhores do ano foi muito bem defendido por Freddy Vianna e toda a ala musical da escola, o desfile continha tanta emoção que ainda na concentração se via componentes às lágrimas.

Pela comissão de frente 14 bailarinos representando 14 Orixás, vestidos com as cores de seus respectivos Deuses Africanos. O abre alas retratava um mundo em destruição, com peixes mortos, a poluição dos mares, uma alegoria feita para chocar o público com a realidade. Um dos destaques do desfile foi o casal de mestre sala e porta bandeira, Jéssica e Fabiano,que vinham representando o candomblé, a fantasia dela em branco com detalhes em marrom simbolizava um tabuleiro de búzios muito bem feito.

A parte central do enredo começa pela ala “ Odú Obará e sua simplicidade”, onde Odú foi ignorado por seus irmãos por não se deixar levar por luxos. A terceira alegoria era a casa humilde de Odú, contando a história de quando ele ofereceu abóboras para seus irmãos e os mesmos a recusaram sem saber que dentro de cada uma delas continham jóias, o carro era enfeitado por essas abóboras e as riquezas eram representadas por mulheres. O quarto carro trazia os presentes do Criador, com esculturas de alguns Orixás. E a última alegoria do cortejo veio como o oposto da primeira, em vez de peixes mortos animais saudáveis, a preservação da natureza e o mundo com qual sonhamos. A escola terminou a apuração também em quarto lugar.


INJUSTIÇAS NÃO VÃO ME DETER:

Em 2013 a Mancha resolveu homenagear um dos maiores nomes da arte brasileira, Mário Lago, tentando dar sequência aos ótimos resultados dos anos anteriores.  A escola conseguiu juntar um agradável samba com um desfile leve, divertido e muito colorido. Contando muito bem a trajetória de Maria Lago, como a vida no bairro da Lapa no Rio de Janeiro, seu amor por Dona Zeli, os trabalhos no teatro, cinema e televisão. Um desfile extremamente bem feito, que com méritos poderia ter conseguido as primeiras posições, mas surpreendentemente e como uma das maiores injustiças do carnaval de São Paulo a escola foi rebaixada.

A escola sofreu com mais um rebaixamento em 2015, voltando ao Especial em 2017 com um enredo sobre os Josés do Brasil, ficando apenas com a 10ª colocação no grupo

Fica o desejo para que escola volte a nos presentear com belos desfiles e que injustiças não interrompam sua trajetória.