terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Fala, sambista: as impressões sobre os desfiles de São Paulo pelos artistas

Por Jéssica Barbosa
Colaboração de Guilherme Peixoto
Fala, sambista! O Carnavalize deu voz aos astros e estrelas que abrilhantaram o Anhembi no segundo dia de desfiles. Sete escolas desfilaram em busca do título, que ficou com a Acadêmicos do Tatuapé, entretanto, os segmentos nos passaram suas impressões da festa: 

X-9 Paulistana – Darlan Alves, intérprete
Darlan: Eu acho que o sábado geralmente é mais quente, a galera já está mais no clima do carnaval, o público mais animado, e o nosso samba tem isso dos ditos populares, então são frases que acabam fazendo parte do cotidiano de cada um de nós Tínhamos certeza que isso ia passar para a galera, e com certeza foi o que aconteceu.

Império de Casa Verde – Carlos Jr. intérprete
Carlos Jr: Eu adoro cantar enredo que fala de social. esse tem também um pouquinho de política, tem muito gente que é avesso à política. Eu não sou contra nem em cima do muro, mas por outro lado acho que tem a mensagem, acho que cantor serve pra isso, seja cantor de samba enredo, de MPB de rap, ele serve pra enviar mensagem, eu fico muito feliz quando eu pego um enredo que o compositor tem o prazer de escrever alguma coisa que vai trazer alguma mensagem pro adolescente, pro eleitor, pra pessoa de algum movimento social eu acho isso muito importante, coisas que mexem com o futuro de uma criança ou com a família, acho que esse enredo a proposta dele, ele fala de uma história da Revolução Francesa, de uma coisa de miserável, mas tem aquela coisa do povo no meio, a revolução ela sempre começou pelo povo então acho muito importante isso, pra mim uma honra ter tido a oportunidade de cantar um samba-enredo sobre manifestação do povo, fico muito feliz. Está marcado.
A gente fez um projeto para ser campeão, mas sabemos que hoje o carnaval de São Paulo está muito disputado, com várias escolas brigando. Esperamos que os jurados entendam a nossa proposta.


Mocidade Alegre – Karina, 1ª  porta-bandeira 
Karina: Minha fantasia representa a Alcione, a flor mais bela de uma imenso jardim, e o Emerson representa o samba. Estamos com as cores da escola: verde, vermelho e branco. Foi muito emocionante, porque a Alcione é uma das maiores sambistas que a gente tem no Brasil. Ela está super feliz e essa emoção transborda para a gente.

Vai-Vai -Ágata, 3ª porta bandeira
Ágata: Viemos representando a censura, uma época em que a gente se calava, por isso viemos na parte “negativa” da escola. O título vai ser nosso!


Gaviões da Fiel – Ernesto Teixeira, intérprete
Ernesto: O samba veio dentro do esperado da expectativa da gente, dos ensaios técnicos e dos ensaios da quadra. Ele foi cantado primeiramente pelos componentes da escola e a arquibancada também respondeu. Foi muito bom!

Dragões da Real – Rogério Félix, diretor de harmonia
Rogério: O projeto passou exatamente como a gente planejou, vínhamos fazendo isso nos ensaios técnicos. O trabalho passou como a gente tinha criado, representado com muita alegria e muita simplicidade esse homem do campo. A sensação é de dever cumprido. Se for para ser campeão, tudo bem. Se não, ver a nossa comunidade feliz já é um título.

Vila Maria – Clayton Reis, ala musical
Clayton: Foi um rendimento maravilhoso, que eu acho que quase ninguém esperava. Achavam que o samba estava muito ruim, que a Vila Maria tinha escolhido errado, mas acho que [o samba] caminhou bem na avenida. Agora é só esperar o resultado. Para quem sempre assistiu [Chaves] desde pequeno isso aqui foi um sonho maravilhoso, uma oportunidade única Sei lá quando vou poder cantar Bolaños de novo, mas foi maravilhoso.

#Carnaval2018 Salgueiro sai na frente na briga pelo título e Beija-Flor faz apresentação polêmica, saiba como foi a segunda noite de desfiles






Portão fechado, lá se foram as treze apresentações do grupo Especial do Rio de Janeiro. Uma segunda noite abaixo da expectativas, com apresentações regulares e poucos destaques, a sensação que ficou é que alguns desfiles poderiam ter sido melhores. 

Abrindo a noite, a Tijuca homenageou Miguel Falabella numa apresentação de problemas plásticos, mas com destaque para a harmonia tijucana e a excelente bateria de Mestre Cassagrande. Outro desfiles com seus altos e baixos foi a Imperatriz, a escola emocionou na comissão de frente, mas apresentou uma evolução irregular. A União da Ilha dividiu opiniões em um desfile que cantou a culinária brasileira, a plástica não encheu os olhos, mas não fez feio, se mostrando irregular. O grande destaque foi a bateria comandada por Ciça.

A Portela defendeu bem seu bicampeonato, mas também cometeu erros. O enredo desenvolvimento magistralmente por Rosa Magalhães teve um belo conjunto de fantasias e as alegorias, apesar de bem concebidas, tinha alguns problemas de acabamento. O Salgueiro foi o principal destaque da noite, numa apresentação irretocável, com poucas falhas. Um falha de acabamento gerada, após um acidente com o abre-alas, foi um dos poucos problemas da vermelho e branco, que defendeu muito bem diversos quesitos, como casal de mestre-sala e porta-bandeira e evolução. Largando na frente assim, na briga pelo título. 

Encerrando a noite, a Beija-Flor dividiu opiniões. Saiu de cena o luxo e a imponência nilopolitana e entrou uma aposta em carros cênicos que apostaram na crítica social, mesmo com uma mensagem forte, o enredou não se provou em sim, mostrando uma condução confusa. 

Com tantas controvérsias, está na mão do corpo de jurados o destino da festa. Será que a crítica política que marcou os desfiles será brindada pelo júri ou ficará só na memória popular?

Confira como foram os desfiles em detalhes: 


Em agradável desfile, Tijuca mostra força do canto e dá show de bateria




Correta, Portela consagra bom casamento com Rosa Magalhães



Bateria brilha em desfile irregular da União do Ilha



Exaltando a mulher negra, Salgueiro se candidata ao título



Com abertura clássica, Imperatriz canta Museu Nacional








#Carnaval2018 - Em desfile cênico, Beija-Flor sai controversa da avenida

por Redação Carnavalize


Última escola a pisar n'Avenida, a Beija-Flor trouxe um enredo social intitulado "Monstro é aquele que não sabe amar: os filhos abandonados da Pátria que os pariu", desenvolvido pelo coreógrafo Marcelo Misailidis. A escola está sob o comando da Comissão de Carnaval, que conta com a volta de Cid Carvalho, mas que não teve uma participação tão ativa no desenvolvimento do enredo e das alegorias.

A Comissão de Frente por Misailidis fez uma apresentação sem um momento de destaque e por vezes confusa.
Selminha Sorriso e Claudinho, experientes e figuras simbólicas da escola, fizeram uma boa apresentação e foram muito aplaudidos pela arquibancada.


A última alegoria do desfile (Foto: Felipe de Souza)
O enredo não funcionou bem e não se fez claro, sem um fio condutor, e as críticas feitas não conversaram entre si. O visual inovador da escola gerou controvérsias. As alegorias fizeram apresentações cênicas, apostando em imagens fortes para criticar o momento social do pais.

O destaque vai para o samba, que funcionou bem e foi muito impulsionado pela sempre competente harmonia nilopolitana, e pelas atuações de Neguinho da Beija-Flor e a bateria dos Mestres Plínio e Rodney. A escola apresentou um buraco em frente ao terceiro módulo de julgadores. A boa ou má posição está nas mãos do juri da liga.

#Carnaval2018 - Com abertura clássica, Imperatriz canta Museu Nacional

por Redação Carnavalize


Quinta escola a pisar na Avenida no último dia de desfiles do Grupo Especial, a Imperatriz Leopoldinense, em mais um ano com Cahê Rodrigues, apresentou o enredo "Uma Noite Real no Museu Nacional", uma homenagem aos 200 anos do Museu da Quinta da Boa Vistam

A Comissão de Frente, coreografada pela bailarina Claudia Mota, fez uma apresentação clássica que trouxe memórias daquelas apresentadas nos anos 90, com o trunfo da participação de Maria Helena e Chiquinho, o lendário casal que por muitos anos defendeu o pavilhão da Rainha de Ramos. Emocionante, a Comissão integrava o eterno casal aos defensores atuais da bandeira verde e branca ao apresentá-los aos jurados.

A emocionante Comissão de Frente rememorou os antigos carnavais da escola e saudou duas de suas figuras mais importantes (Foto: Felipe de Souza)
O abre-alas trouxe uma estética clássica, mas um problema hidráulico não fez a coroa, símbolo maior da escola, subir. O restante do conjunto oscilou entre momentos bons e ruins e a última alegorias também teve problemas hidráulicos com uma talha da parte de trás do carro. A escola passou muito bem vestida com lindas fantasias de um conjunto harmônico, que sintetizou bem o enredo simples e de fácil leitura, graças à clareza visual.

O último carro da Imperatriz anunciou o amanhecer na Quinta da Boa Vista (Foto: Felipe de Souza)
A bateria de Mestre Lolo, Swing da Leopoldina, passou bem e Artur Franco, mais uma vez, mostrou que é um grande intérprete e porque foi vencedor do Estandarte de Ouro de Revelação no último carnaval. A harmonia passou correta e foram bonitos os momentos em que toda a escola girava quando o refrão era entoado. A evolução, por sua vez, apresentou momentos de muita lentidão.

#Carnaval2018 - Exaltando a mulher negra, Salgueiro se candidata ao título

por Redação Carnavalize



Quarta escola a invadir a Sapucaí, o Salgueiro prometeu emocionar as arquibancadas com o enredo "Senhoras do Ventre do Mundo", uma homenagem às mães e mulheres negras, assinado pelo novo carnavalesco da Academia, Alex de Souza, e inspirado no carnaval de 2007 da agremiação, Candaces, que terminou com um injusto sétimo lugar. A Comissão de Frente, assinada por Hélio Bejani, tinha a representação das orixás femininas e fez uma coreografia bonita que apresentava muito bem o enredo. O premiado e primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sidclei e Marcella, teve uma das melhores passagens, mostrou sincronia e fez uma coreografia muito bonita e forte ao defender o pavilhão alvirrubro. A abertura da escola foi uma das mais bonitas até então.

A segunda alegoria do Salgueiro trouxe as mulher do Egito (Foto: Felipe de Souza)
O conjunto de alegorias foi regular e bem acabado, de muito bom gosto, apesar do formato de caixote um pouco repetitivo, mas nada que comprometesse a beleza do que foi apresentado. O abre-alas, que teve problemas para entrar por conta do viaduto, trazia a figura da Mãe Terra e o seu ventre do mundo, que sintetizava muito bem a proposta do enredo e apresentou alguns pequenos problemas de acabamentos, mas nada que possa comprometer muito. As fantasias passaram muito bem e eram de bom gosto, representando o ótimo trabalho de Alex de Souza com as cores, que foram do vermelho ao rosa e branco, com muitos  detalhes dourados. O enredo se mostrou bem resolvido e fez uma bela homenagem ao exaltar as mulheres negras.

A última alegoria trouxe a figura de uma Pietà negra e livros com os nomes das grandes mulheres salgueirenses (Foto: Felipe de Souza)
A Furiosa de Mestre Marcão fez jus ao nome e o samba rendeu bastante com o apoio da comunidade salgueirense, que manteve um bom nível da harmonia. A escola não sofreu com problemas de evolução e fez um desfile tecnicamente perfeito que a credencia ao título.

#Carnaval2018 - Bateria brilha em desfile irregular da União do Ilha

por Redação Carnavalize


Terceira escola a se apresentar, a União da Ilha trouxe o "Brasil Bom de Boca", um enredo de Severo Luzardo que passeia antropologicamente pela culinária brasileira. 

A Comissão de Frente estava sob as ordens de Márcio Moura e trouxe uma coreografia irreverente em um grande tripé. O grupo cumpriu seu papel e fez uma boa apresentação mas não teve nenhum grande momento. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane, estava muito bem fantasiado mas enfrentou problemas no primeiro e no terceiro módulo de jurados, onde o pavilhão enrolou e por uma vez o mestre-sala foi atingido.

O grandioso e belo abre-alas insulano (Foto: Vitor Melo)
As alegorias foram bem regulares e o abre-alas foi um bom destaque, mas faltou brilho, apesar de serem carros bem executados, acabados e terem recebido um forte investimento de pintura de arte. Alguns poucos momentos trouxeram exceções de gosto duvidoso. O conjunto de fantasias alternou bons e maus momentos, sobretudo porque o uso do plotter se destacou negativamente, sugerindo falta de criatividade. O enredo se mostrou monótono e uma sucessão de itens culinários, sem uma condução bem definida e atrativa.

O último carro da escola trouxe renomados chefes de cozinha (Foto: Felipe de Souza)
Vencedora do último Estandarte de Ouro, a Baterilha de Mestre Ciça foi um dos destaques do cortejo e fez alguns paradões, que em alguns momentos não tiveram resposta alguma e noutros foram melhor recepcionados. A arquibancada ficou bastante empolgada com o show dos ritmistas e Ito Melodia também desenhou seu papel com maestria, mas a harmonia da escola foi irregular ao longo da Avenida. Alguns carros tiveram problemas de evolução, mas nada que possa ter comprometido o andamento da escola.


#Carnaval2018 - Correta, Portela consagra bom casamento com Rosa Magalhães

por Redação Carnavalize



Segunda escola a desfilar, a Portela, uma das atuais campeãs, fez seu carnaval sob o comando de Rosa Magalhães. No melhor estilo da Professora, o enredo apresentado foi intitulado "de repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá". 

Sérgio Lobato, veterano no quesito Comissão de Frente, foi o responsável pelo grupo que abriu o desfile da Águia Altaneira. As saias usadas pelos integrantes teve um bom efeito das ondas do mar, mas a coreografia pareceu monótona e, no primeiro módulo, a surpresa, que era uma águia no barco, deu errado. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Portela também foi reforçado. Lucinha Nobre, que já havia defendido o pavilhão da agremiação, retornou e trouxe seu par, Marlon Lamar, com quem dançou no último carnaval pela Porto da Pedra. Ela passou muito bem em uma coreografia ousada, mas seu parceiro veio um pouco abaixo. No entanto, não prejudicou a evolução do casal e o quesito não deve ser comprometido. Destaque para as lindas fantasias dos dois.

O terceiro carro alegórico trouxe a Formosa Recife (Foto: Felipe de Souza)
O conjunto alegórico da Professora passou muito bem e trouxe coreografias de efeito nos carros, que vieram com uma volumetria mais enxuta, como já é do feitio dos carnavais de Rosa. O segundo carro, um tatu, apresentou problemas de acabamentos nas laterais. As fantasias eram muito bonitas e a paleta de cores trabalhou muito bem o azul e o branco da escola de Oswaldo Cruz e Madureira. O enredo foi simples mais muito bem desenvolvido e amarrado, com uma forte crítica social que apareceu no último carro.

A quarta alegoria da Portela trouxe um lindo barco e pessoas na base, coreografando as ondas do mar (Foto: Felipe de Souza)
A Tabajara do Samba fez uma ótima apresentação, que empolgou as arquibancadas e os componentes, muito competentes e aguerridos na defesa da harmonia com o samba que passou muito bem. A escola também foi uma das poucas sem problemas de evolução e se credencia, mais uma vez, para a volta no sábado.