domingo, 31 de julho de 2016

Coluna do Vitô: E o sol bronzeou...




E lá ia eu, que aqui vos subscrevo com ligação direta entre meus dedos e o rufar do furioso tambor que levo ao peito, pisar pela primeira vez na Marquês de Sapucaí – que, até então, só tinha visto pela tevê. Eram lá pra dia X de fevereiro de dois mil e oito e estava que não cabia mais em mim. Era um misto de ansiedade, fascínio e amor que aprenderia a cultivar por isso aqui. Sempre ganhei os CD’s dos sambas de enredo e os escutava todo o período do pré carnaval. Admito. À época ainda não tinha uma escola pela qual bravejava mil juras de amor igual hoje em dia.

Minha mãe, a primeira referência que tive de carnaval, sempre me presenteava com camisas das escolas. 2008, entretanto, não era um ano qualquer. Seria meu primeiro ano na passarela, disse a ela que escolhesse, com carinho, a camisa de seu primogênito. Coincidência ou não, ainda acredito que tenha sido Pamplona, lá de Orum, o arquitetador de tudo isso. Meu samba preferido daquela maravilhosa safra era o salgueirense o qual escutava tanto aos dias que já tinha gravado até os cacos do Quinho na primeira semana com o CD – E olha... Não eram poucos!


Eis que minha mãe traz a camisa: “Filho, achei a sua cara!”. Àquele ano, a Academia do Samba falaria sobre o Rio, suas riquezas, suas belezas e tudo o que só a Cidade Maravilhosa pode esbanjar. A camisa trazida era a salgueirense, mas não por ter certa predileção pela vermelha e branca tijucana, todavia, por estar, na parte de trás da camisa, estampado o rubro-negro de meu time, já escolhido, Flamengo. Então fui, com as minhas duas paixões estampadas em mim, uma que nasceu comigo, meu time. E outra que aprenderia a amar, respeitar e cultivar mais que quaisquer outras coisas.



(A criativa, alegre e belíssima comissão de frente salgueirense de 2008 ).


E lá fui eu, ostentando o vermelho e branco mais lindo de meu pavilhão e a combinação rubro-negra mais sinérgica da face da terra com minha vó para o Setor 1... E de trem. Não existiria setor melhor para minha primeira vez! Tudo começou no trem com a essência suburbana, a essência do carnaval viva e latente. Passavam-se as estações: Santa Cruz... Campo Grande... Oswaldo Cruz... E Madureira. Quase chegando ao Centro.... A magia aconteceu – que mesmo a "tanto tempo" vivendo nessa atmosfera, ainda consegue hoje, enquanto “rabisco” essas linhas, deixar-me arrepiado!


A porta do trem se abriu, não lembro exatamente em qual estação, e um mar vermelho e branco entrou no trem. Plumas, componentes, ritmistas e passistas. Um detalhe. Naquela época, não o conhecia, mas um dos que entrariam, era nada mais, nada menos que o Mestre Marcão, que venero hoje em dia, à época não fazia ideia de quem fosse. Aos poucos, aqueles tantos surdos, caixas, tamborins e repeniques balbuciavam, cada vez mais forte, o belo samba que a Academia levava à Sapucaí. Não sei se estou conseguindo retratar o quão afetivo e fascinante foi para mim nestas linhas, mas foi, de fato, fascinante. Num sopro de magia, o vagão em que estava – claro, aqueles que sabiam – cantavam o sambaço salgueirense acompanhados, mesmo que por apenas alguns ritmistas, da bateria mais Furiosa que existe e das passistas que sambavam e ensinavam aos “gringos” que se entreolhavam totalmente embasbacados.


E o meu Salgueiro cantou, fazendo que um Rio de amor literalmente desaguasse em mim. Os “tons”, versificados em poesia, irradiavam uma beleza que encantaria qualquer um. Afinal, sou rei da boêmia, carioca e sou da Lapa. Perdoe-me, mas tiro onda do meu jeito, vivo em um eterno carnaval! Aqui, entre morros e ladeiras, onde a brisa embala as ondas do mar, essa gente tão animada faz o turista morrer de saudade, e o Redentor abençoado faz daqui maravilhosa cidade. E assim meu coração batia no compasso do surdo vermelho e branco, eu via o carnaval suspirar, à minha frente, nos versos que por uma metalinguagem viva e latente transcenderia em qualquer um a essência do carnaval “E o suburbano improvisando muito bem/Vai batucando/Na lotada ou no trem”. E no calor do meu Salgueiro, cantando minha emoção, via que também era raiz desse chão... Salve o Rio de Janeiro e nunca se faça esquecer: O sol, no fim de tudo, sempre irá bronzear!




(Infelizmente não achei nenhuma das foto que tirei em 2008 para ilustrar como queria, deixando uma das belíssimas alegorias desse ano).



Achei esse o tema perfeito para meu primeiro texto porque mostra, de fato, como soube que viveria essa “festa” pelo resto de minha vida. E mostra também o porquê e como escolhi a melhor escola de samba possível, meu Torrão Amado. É como costumo dizer: Todos nascem salgueirenses, alguns, entretanto, não se deram conta do que é viver! Brincadeira à parte, espero que gostem, abraços e até o próximo domingo.



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Coluna Carnavápolis: "O negro é sensacional" - A força dos "enredos-afros"





Olá amantes de carnaval! Não é que ganhamos uma cidade só nossa? A "Carnavápolis" vai ser um espaço semanal com textos mais históricos, curiosidades e fatos da nossa folia. Em breve, teremos outras colunas aqui no nosso site, então fiquem atentos. Sem mais delongas, vamos ao que interessa: hoje faremos um panorama sobre os chamados “enredos afros”.

Crescemos ouvindo que as escolas de samba são um produto legitimamente da cultura africana, mas não é bem assim. Assim como tudo neste país, as agremiações são produto de uma série de tensões culturais e muita “mistura”, herdando elementos europeus, ameríndios e africanos, obviamente. Outro engano é achar que os "enredos afros" estão presente desde os primeiros desfiles, na década de 1930. 

Nos primórdios, não havia a ideia de enredo e uma unidade entre a plástica e o samba como conhecemos hoje. A escola podia muito bem desfilar com roupas da corte francesa, ter o enredo sobre o folclore da Bahia e cantar em seus versos uma dor de cotovelo. Um verdadeiro samba do crioulo doido.

O que nos interessa é que as escolas surgem numa tentativa de levar o samba, então ritmo marginalizado, para o asfalto e fazê-lo reconhecido. Para ter essa aceitação, os temas cantados acabavam fazendo alusões a temas patrióticos, bem ao gosto do governo que buscava firmar uma identidade nacional. (Sabe "um tal" de Getúlio Vargas?) Buscando serem reconhecidos também pela intelectualidade modernista da época, os grupos negros e dos morros passaram a cantar a história oficial dos personagens brancos, como Princesa Isabel, Tiradentes, Dom João e tantos outros.


A mudança desse cenário, se deve ao pioneirismo de uma escola de samba que tem o seu DNA mais negro do que qualquer outra: o Acadêmicos do Salgueiro, que na década de 1950 apresentou dois enredos com pegada afro. Em 1957, "Navio Negreiro" e dois anos depois, "Viagens Pitorescas do Brasil". Este conquistou um certo professor das Escolas de Belas Artes, que junto com a agremiação mudaria de vez a história dos desfiles.


Quando desembarcou no Salgueiro na virada da década de 1960, Fernando Pamplona, influenciado por filmes de Hollywood e a independência de países africanos, proporia o que podemos considerar o primeiro enredo verdadeiramente “afro”: o então desconhecido “Quilombo dos Palmares” que traria como herói o também desconhecido, na época, Zumbi dos Palmares.


Pamplona não estaria sozinho nesse momento importante para a história do carnaval, ele traria consigo outros nomes que se tornariam imortais. Seu principal parceiro, o também cenógrafo Arlindo Rodrigues, o então bailarino Joãosinho Trinta e suas alunas Maria Augusta, Lícia Lacerda e Rosa Magalhães. Junto, o grupo faria uma verdadeira revolução, não só na estética da festa mas também nos enredos. O que vale uma coluna dedicada apenas ao assunto. O Salgueiro trouxe uma série de histórias negras e de personagens marginais estão anônimos. Como a célebre Xica da Silva, Chico Rei, Aleijadinho. Seria aí pautada a África que o carnaval “criou” e até hoje desfila na Sapucaí. Inspirado em filmes que faziam sucesso na época, a “África de Pamplona” abusava do vermelho e branco e de elementos geométricos, elementos ainda usados e reusados.



E se hoje num bom samba afro não pode faltar uma louvação aos orixás. Nem passava pela cabeça da época tocar no assunto religiosidade diretamente. Os primeiros sambas com citação a uma dessas divindades só aconteceria em 1966, trinta anos depois dos primeiros desfiles, quando o Império Serrano e a São Clemente citariam naquele ano Yemanjá em seus enredos sobre a Bahia. No ano seguinte, 1967, se cantaria a primeira louvação a um orixá, no samba da Unidos dos Lucas. Com a revolução salgueirense a pleno vapor e os bons resultados da escola, o discurso da negritude foi aos poucos incorporado e sendo usado para valorizar a face negra dos desfiles. Finalmente.


Em 1978, aconteceria um caso curioso. Duas escolas apresentariam o mesmo “enredo afro” sobre a criação do mundo com perspectiva diferentes. Pamplona, de volta ao Salgueiro após um pequeno hiato, desenvolveria “Do Yorubá a luz, a aurora dos Deuses” e seu discípulo Joãosinho Trinta, então bi-campeão na antes inexpressiva Beija-Flor cantaria o “A criação do mundo na tradição nagô”. A escola de Nilópolis sairia campeã da disputa, consolidando-se a nova potência do carnaval.




Dez anos depois, seriam comemorado os 100 anos da abolição da escravidão. Destacando-se, três desfiles com visões absolutamente divergentes. A Vila Isabel faturava seu primeiro título com uma grande comemoração e louvor a negritude. “Kizomba, a festa da Raça” foi um espetáculo de estética rústica e simples mas com a força de um samba num espetáculo raramente visto na Sapucaí. A vice Mangueira, ousou contestar os livros de história, algo impensável décadas antes, e entrou na Sapucaí ecoando a pergunta título do seu enredo: “Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão?”. Por fim, a imponente Beija-Flor de Joãosinho Trinta não abriu mão do luxo e da suntuosidade para contar a história do negro desde o antigo Egito, no criticado “Sou negro, do Egito a Liberdade”.


  

Na década de 1990, a temática ficaria adormecida nas grandes escolas, mas uma novata recém chegada ao grupo especial se consolidaria com a temática africana naquele momento. A Grande Rio nos brindou com grandes obras como “Águas para um rei negro”, em 1992, e o “Os santos que a África não viu”, em 1994.


Logo no início do século XXI, a Beija-Flor restabeleceria sua ligação com o continente negro se consagrando com uma protagonista do tema com “A saga de Agotime: Maria Mineira Naê”, um dos melhores desfiles afro de todos os tempos. Tornando a África amuleto da sorte e forte fator de identificação da escola nilopolitana. Gerando grandes sambas e desfiles inesquecíveis como nos anos de 2007 e 2015, ambos campeões.


Na década atual, os enredos afros seriam mais uma vez ressignificados. Já considerados então a mais pura “essência do carnaval” e garantia de um bom samba para todo mundo “incorporar” no terreiro. Surgiriam abordagens sem critério ou reflexão genuína, repetindo sempre os mesmos elementos e soluções estéticas, com as mesmas estampas geométricas de Pamplona que se juntariam agora com palhas e matérias rústicos.


Na Série A, a Cubango se tornaria um exemplo dessa tendência, apresentando enredos afros em sequência. Novidades para o tema só viriam em 2012, com a sempre inovadora e versátil Rosa Magalhães que daria uma nova roupagem a sua Angola na Vila Isabel e na tentativa de uma “África Pop” assinada por Cahê Rodrigues em 2015, na Imperatriz.


O comentarista e ex-carnavalesco Luiz Fernando Reis que já brindou o público com um grande desfile desta temática no Salgueiro em 1989 é adepto de uma fala polêmica ao questionar a validade desses "temas afro" no carnaval contemporâneo. Dizendo que hoje eles são usados a exaustão para gerar um bom samba e um trabalho plástico previsível. Visão que em parte tem de ser debatida. De fato, os enredos afros são usados sem serem repensados, apenas uma simples repetição de uma suposta estética africana que foi construída em décadas de desfiles. 


Se hoje consideramos a temática afro a mais genuína expressão carnavalesca, devemos tomar cuidado ao repetir discursos criados que podem ser facilmente contestados. A face negra é, com certeza, a mais importante da nossa folia, mas não a única. As escolas de samba sempre foram negociadores e como diz muito bem, o historiador Luiz Antônio Simas apesar de cantarem os heróis "brancos", em seu surgimento, as escolas de samba marcavam sua presença negra através da gramática dos tambores e de seu batuque inconfundível.




Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.


Tucuruvi: "Meu palco é a rua!"



Fundamento do enredo

"Ao falar na descoberta poética guardada no olhar artístico, não podemos deixar de nos lembrar de dois relatos. Um atribuído a Michelangelo: ele, passeando na rua, ficou olhando para uma pedra. Quando alguém lhe indagou o que estava olhando, respondeu: "Estou vendo um anjo sentado". Conta-se também que um artista popular, quando perguntado acerca de como fazia seus ursos de madeira, respondeu: "Pego a madeira e tiro tudo o que não é urso". A percepção é um movimento caracterizado pela unicidade da impressão. A poesia chega sob a forma geral de uma forte sensação, que já carrega a marca da unicidade e originalidade de cada artista".

Cecília Almeida Salles

Como já é de conhecimento geral, ou talvez da maioria, para o próximo Carnaval a Acadêmicos do Tucuruvi escolheu como propósito a instigante e desafiadora tarefa de retratar e homenagear a arte urbana em suas vertentes e os artistas que fazem dela sua "língua natal".
Para compreendermos a real essência desse enredo é necessário ter ciência de dois conceitos: arte e urbano!
A compreensão de arte constitui um dos mais complexos dilemas da Filosofia moderna. Enquanto alguns catedráticos defendem que só pode ser qualificado como manifestação artística o trabalho executado por profissionais de graduação especifica obedecendo a convenções pré-estabelecidas, sociólogos e outros pensadores do mundo inteiro entendem que qualquer manifestação estética, independente de classe ou estilo em que se enquadre, desde que alcance o objetivo de transmitir uma informação ou despertar sentimentos e emoções de quem as contempla merece tanto quanto a denominação de arte.

No que consiste à urbanidade, merece essa designação aquilo que se refere à urbe, ou seja, povoação que corresponde a uma categoria administrativa, caracterizado por elevado grau populacional ou pela infraestrutura em que se organiza. Deriva das "Pólis" da Grécia Antiga, da qual Atenas foi o molde para o desenvolvimento conceito.

A arte urbana é uma forma usada para classificar os movimentos artísticos, relacionados com intervenções visuais. É a maneira de como expressamos sentimentos, ideias, emoções e, de certa forma, transmitimos pensamentos éticos, morais e culturais. Normalmente, essas emoções são passadas ao receptor em forma de desenho ou apenas simples palavras, em zonas invulgares de uma metrópole. Talvez por isso, muito a considerem vandalismo e, muitas vezes punível pela sociedade.

Esta forma de expressão inicialmente era chamada de movimento underground. Com o tempo foi ganhando forma e se estruturando. Intervenções urbanas, como o graffiti, podem mesmo alcançar um nível de arte colecionável, deixando os muros da cidade rumo às galerias e museus. Exemplo disso é o Museu de Arte Moderna de São Paulo, que nos últimos anos sempre dedica uma parede a ser ocupada por um artista.
Em suma, a arte urbana é um meio que os artistas encontraram para se exprimirem o seu ponto de vista sobre as coisas exprimindo recados ou sentimentos, em forma até de "poemas", mas na forma de arte, desenho, na música, na dança ou mesmo em pequenas palavras.

Wagner Santos - carnavalesco

Sinopse do enredo

Setor 1: A arte revela o homem como um ser criativo

Mesmo que se desconheça um momento exato para o nascimento do conceito de arte urbana na história, é inegável que desde que o homem caminha pela Terra ele vem deixando provas irrefutáveis de seu instinto criativo.
Antes de saber juntar A mais B pra formar uma sílaba e depois, com elas compor as primeiras palavras que traduzissem algum sentido, o homem tratou de dar um jeito de se fazer compreendido utilizando as superfícies das rochas.
Fosse com o suco pigmentado de um vegetal ou sangue animal, com a ponta afiada de uma rocha mais resistente ou um osso; qualquer coisa serviria para que, em linhas primárias, às vezes até meio disformes, se pudesse transmitir as mais profundas emoções assim como suas crenças e seus feitos heroicos, como batalhas entre tribos e situações de caça. O cotidiano e a vida em sociedade serviram de inspiração para o despontamento do homem primitivo como o primeiro artista que se tem registro.

Setor 2: A arte revela o homem como um ser social

Nenhum olhar direcionado à evolução da Arte Urbana pode ser dado como nítido, completo e real sem que, em algum momento dessa observação deixemos de notar, compreender e, principalmente reconhecer a importância filosófica da Civilização Grega para o desenvolvimento intelectual e criativo da humanidade. Se apurarmos mais ainda o nosso olhar para o legado que os helenos (como os gregos se autodefiniam) deixaram para a humanidade, perceberemos facilmente que a história da Grécia como uma estrutura política e social e a história da arte, em suas numerosas vertentes, caminharam congruentemente, entrelaçando-se em muitos momentos, ao longo da Antiguidade Clássica.
Em principio, vale afirmar que antes que o mundo antigo tivesse ciência do real conceito de urbanidade, os gregos punham em prática um método organizacional fundamentado no pressuposto de que o êxito de uma sociedade civil só seria real dando o devido valor a cada indivíduo dentro deste contexto social. Para tanto, cada qual deveria conhecer o que lhe é de direito assim como suas obrigações dentro desse organismo. Esse foi o princípio estrutural das "polis", espaços territoriais estruturados que predefiniram o que hoje conhecemos como urbe (das quais, Atenas despontou como seu cerne).

A classe artística mais devotada da Antiguidade Clássica foi sem sombra de dúvidas a dos Aedos. A tradição os coloca como os primeiros poetas da história, muito anteriores à invenção da escrita. Tanta devoção deriva da crença em que seus poemas seriam uma influência direta das Musas que lhes sopravam as palavras aos ouvidos para que eles as recitassem ao público. Versos cantados de forma cadenciada com acompanhamento do som de uma lira conferiu a essas obras o nome de "poesia lírica". Muitos Aedos adquiriram fama por toda a Grécia, pois como transmitiam um conhecimento que até então não se tinha ciência, foram considerados verdadeiros educadores. A própria construção da Mitologia Grega, diz-se ter sido inspirada a Homero, o mais celebre de todos os Aedos.
O amadurecimento artístico durante toda a Antiguidade Clássica deriva diretamente da hegemonia grega. Nos tempos em que Alexandre Magno governou a Grécia (vale lembrar que Alexandre, o Grande, foi um grande apreciador da cultura grega), a cultura grega tornou-se o padrão cultural a ser seguido. Esses aspectos perduram até hoje, como a arquitetura, a escultura, poesia, a música, a dramaturgia e a comédia. Aliás, foi com o surgimento da Comédia, e seus textos apimentados com sarcasmos e ironias, que o Teatro Grego ganhou a admiração popular, criando inclusive uma interação entre os atores e o público.

Concomitantemente, não muito longe da Grécia, um novo império ascendia. Com seu exército muito bem preparado, os romanos já vinham promovendo uma série de conquistas, dominando inclusive toda a extensão do Mediterrâneo. A cidade de Roma tornava-se então a nova Metrópole, com toda a sua problemática social. Visando desviar a atenção da população carente, o Imperador criou espaços urbanos onde pudesse oferecer ao povo alimento e diversão, ou, em suas palavras, "pão e circo". Do incomum ao bizarro, esses espetáculos eram compostos por corridas de carruagens, luta entre gladiadores, apresentações de animais selvagens e pessoas com habilidades incomuns, como engolidores de fogo. Na medida em que as artes circenses conquistavam o povo, o Império não tardou a investir em estruturas que pudessem proporcionar maior conforto ao público. As praças ganharam assentos circulares que mais tarde evoluíram para as atuais arenas. Indubitavelmente, a mais famosa de todas essas arenas atravessou milênios e hoje figura entre as mais valorosas atrações turísticas de Roma: o Coliseu!

Setor 3: A arte revela o homem como um ser racional

O florescimento da Era Medieval trouxe consigo uma nova forma organizativa para a sociedade europeia. Ao mesmo tempo em que Roma perdia importância política, o mundo que antes incorporara o império dos césares, fragmentava-se em pequenos reinos, os feudos, de posse de seus reis. As "Pólis" gregas renascem, então, como burgos, sem perder sua essência. A transição social promovida pela ascensão do comércio teve como consequência a migração da classe camponesa para essas novas urbes, interferindo no modo de vida de seus habitantes: os burgueses.
Assim como outras castas da sociedade, os artistas populares também viram nesses novos conglomerados um espaço promissor para expressarem suas artes. Muito procuradas por novos mercadores, as feiras medievais logo se tornaram espaços bastante frequentados por um grupo cheio de trejeitos espalhafatosos, com seus discursos eloquentes, dotados de dons e habilidades especiais. Os saltimbancos eram artistas populares itinerantes que, indo de um povoado a outro apresentando números cômicos ou circenses, normalmente em troca de algum dinheiro, comida ou hospedagem.
Apesar do conceito de artista popular sempre ter uma relação pejorativa com as classes menos abastadas, foi justamente durante o do seio da burguesia medieval que surgiu uma das correntes "pop-art" mais emblemáticas na história da arte urbana pelo mundo. Provenientes da nobreza francesa, os trovadores tornaram-se bastante populares pela forma de apresentar suas poesias, cantando seus versos com acompanhamento de violas e outros instrumentos de corda. Por mais que os trovadores fossem cidadãos nobres, muitas de suas cantigas foram verdadeiros escárnios às personalidades ocupantes das mais altas castas da sociedade, como políticos e monarcas.

Os relatos dos trovadores medievais, quando passaram a serem impressos, foram batizados como Literatura de Cordel. O Cordel nasceu como uma nova arte urbana, com textos de linguagem simples e direta, por mais que os enredos fossem caracterizados por tramas complexas e batalhas heroicas entre o bem e o mal. Assim como a arte que a precedeu, a Literatura de Cordel ganhou a admiração da população que tinha como costume frequentar as feiras em espaços públicos. O nome é derivado da forma como esses livretos eram expostos ao público, sempre pendurados em cordas.

A Igreja Católica também interferiu diretamente na evolução das artes urbanas durante a Idade Média. Mas nem sempre de forma positiva.

Está claro que muitas manifestações artísticas descendem dos tempos mais remotos da história da humanidade. A música, o teatro, a poesia e até o próprio circo. A Mímica foi uma destas artes. Nascida na Grécia, foi muito popular durante toda a antiguidade clássica. Contudo, a explosão do Cristianismo pela Europa condenou a arte mímicos à marginalidade pois a Igreja Católica achava tudo muito obseno e sugestivo. Mesmo às margens, a arte sobreviveu, atravessando a Idade Média até o Renascimento Italiano, com o surgimento da Commedia Dell'Arte.

A Commedia Dell'Arte surgiu como uma oposição à comédia erudita. Ficou também conhecida como a "comédia do improviso", por seu caráter pouco convencional, onde era permitido aos atores improvisar suas falas e, em certas circunstâncias, interagir com a plateia. A simplicidade foi uma grande marca. Tanto no repertório, quanto nas suas instalações. As improvisações sempre se fundamentavam em situações do cotidiano como adultério, ciúmes, amores e a velhice, sempre com pitadas de ironia e debochada. Este sarcasmo ajudou a estabelecer maior proximidade entre os atores e o público. O comportamento dos personagens enquadrava-se sempre num padrão: o amoroso, o velho ingênuo, o soldado, o fanfarrão, o pedante, o criado astuto. Briguella, Pantaleone, Polichinelo, Colombina, Pierrô e Arlequim são alguns personagens que esta arte celebrou e eternizou. Os palcos eram montados ao ar livre, nas costas das carroças ou em palcos móveis conhecidos como carros de Téspis. Como as companhias eram itinerantes e as estradas da época eram muito precárias, não havia condições de manter a integridade dos equipamentos. Ainda assim, levaram essa arte por todas as cidades renascentistas da Europa. A falta de recursos evidenciou a competência dos atores da época, levanto a teatralidade ao seu expoente mais elevado e que, mais tarde influenciaria a dramaturgia em vários países como a França, Espanha e Inglaterra.

Setor 4: A arte revela o homem como um ser urbano

Pra entender a formatação do processo artístico urbano, é necessário compreender os seus agentes. Todavia, nenhum processo afetou com tanta intensidade este cenário como a depressão econômica do início do século XX.

Enquanto a base da sociedade sofria com a falta de emprego e a fome castigava a população mundial, uma minúscula fração desfrutava de todos os benefícios que uma crise econômica gera àqueles que têm pra gastar. Ao mesmo tempo em que nasciam as favelas, os centros urbanos eram pincelados com as linhas tênues e sucintas dos edifícios e fachadas em estilo "art déco".

A maior parte das pessoas que ainda detinha algumas economias se via obrigada a economizar, cortando qualquer tipo de gasto que fosse desnecessário. Isso envolvia atrações culturais como clubes noturnos. Muitos se viram obrigados a fecharem, deixando seus empregados sem local para se apresentarem. Músicos, principalmente, foram obrigados a encontrarem locais públicos para suas apresentações.
Na América, quem mais sofreu este impacto foram os afro-americanos, principalmente os do sul dos Estados Unidos, que além de pobres ainda eram negros. Segregados pelo fato de serem negros, muitos jovens das áreas rurais abandonaram suas fazendas e suas famílias e buscaram a sorte na cidade. Era uma cena muito comum ver trompetistas, baixistas e guitarristas improvisando nas ruas de Nova York, já que os músicos negros não eram aceitos nas orquestras que ainda figuravam entre o circuito Cult da cidade. Muitos nomes do Jazz e do Blues surgiram a partir deste momento alcançando a notoriedade dentro do cenário da musical.

Décadas adiante, a expansão desordenada da cidade de Nova York dava origem a uma nova cultura das ruas. Nascida nos subúrbios nova-iorquinos, reduto de imigrantes afro-americanos e latino-americanos, a Cultura Hip Hop nasceu em meio à guerra entre as streetgangs que se formaram nos fins da década de 1970, e que viviam em disputas pelos domínios dos pontos de vendas de drogas nas ruas dos bairros. Sua filosofia foi a de promover uma disputa com base na criatividade e no desenvolvimento intelectual ao invés em substituição ao uso de armas.

A performance do Hip Hop é uma mescla, em níveis sucessivos, de gêneros que para a cultura ocidental seriam diferentes e separados (música, poesia, dança, pintura). O diferencial é a interpretação, a fusão de todos esses elementos que faz dela uma forma artística que não seria equivalente à soma dos elementos separados. Para compreender a multidimensionalidade da performance, é necessário fazê-lo em seu contexto social. Neste caso marginal, cheio de problemas sociais, educacionais e de exclusão social. Este contexto social é o que dá sentido à performance.

Por ser uma cultura totalmente social, foi rapidamente aceita pelo povo das ruas dos chamados "guetos". Porém, como o êxito performático exigia ao máximo o uso do intelecto, seus adeptos foram gradativamente se afastando de tudo o que prejudicava seu potencial criativo. Isso incluía o uso de drogas. Com isso, a cultura Hip Hop deixou de ser uma arte marginal tornando-se, assim, aceita em vários países do mundo, inclusive o Brasil.
Os versos abaixo descrevem em parte a ideologia do movimento que enxerga a arte como uma fórmula eficaz para o desenvolvimento social, cultural e político:

"Munidos de microfones, spray e vinil
Corpos se expressam como nunca se viu
Direto das periferias, guetos de Nova York
Para resolver as desavenças surgiu o Hip-Hop
A periferia grita: o rap é a voz do povo
O break é uma forma de protesto através do corpo
Grafiteiros se manifestam através da arte
E o DJ faz revolução com o vinil e a picape
Linguagem urbana das ruas ao coração
Hip Hop é tudo isso forte expressão
Retrato da alma de um povo, identidade cultural
Revolução através das palavras, rap nacional
Jamaica...Faz parte da nossa história
Cultura negra, honras e glórias
Se procura informação, diversão, ideia forte...
Então! Bem vindos ao Hip-Hop..."

                                                                                       A Periferia Grita (Tula J - Rapper)

Setor 5: A arte revela o homem como um ser cosmopolita

Através da história da humanidade e do desenvolvimento da percepção do olhar artístico, não dá pra negar que tudo deriva de uma seleção sensorial de tudo o que vivenciamos. Por extensão, é possível pensar que tudo o que é popular deriva de uma combinação de várias sensações e elementos de diversas naturezas culturais ou nacionalidades. Porém, em poucos (ou talvez nenhum) lugar do mundo essa fórmula tenha dado tão certo ao ponto de criar um cenário pop-artístico tão singular como São Paulo.

Considerada uma das maiores e mais complexas cidades do mundo, colorida e cinzenta, metamórfica e ziguezagueante como uma serpente que a cada temporada troca sua pele, São Paulo é a Meca do talento e da criatividade; um caleidoscópio cultural. Teatros, cinemas, salas de concerto e centros culturais; tantas atrações, porém, até certo ponto inacessível àqueles que habitam os lugares mais distantes do centro da cidade. Em suma, quem mora na periferia está à margem do circuito Cult da capital. É aí que se evidencia a importância do artista de rua.
São Paulo, como qualquer metrópole do mundo, é uma cidade desigual e problemática. A vida numa cidade com essas dimensões pode ser caótica, com requintes de crueldade! Trânsito, enchentes, poluição do ar e sonora, a correria do dia-a-dia, projetos e trabalhos a realizar, metas a cumprir; não seria exagerado dizer que o paulistano da periferia não vive, sobrevive! Mas consegue mais que qualquer outro, emocionar-se com a "dura poesia concreta", presente em cada esquina que dobramos.

Nas ruas, praças e avenidas, terminais de ônibus, plataformas e vagões de trem; de manhã, tarde ou noite; ziguezagueando em meio ao trânsito ao som das buzinas e sirenes. São estátuas vivas, malabaristas em faróis, artesãos, músicos de diversos ritmos, concertos de ruas, performances. Intervenções urbanas que, por sua característica dinâmica só podem ser admiradas por períodos limitados e ao mesmo tempo indeterminados, mas que na maioria das vezes são imortalizadas em fotos e expostas de tempos em tempos nas galerias e centros culturais da cidade.

São Paulo outrora foi definida feia, deselegante, de "mau gosto, mau gosto", pelos versos de Caetano Veloso, adquire um novo conceito através das cores vibrantes e formas estranhas que se compilam para, ao final, proferir em um discurso indireto, cheio de acidez e metáforas o desabafo do artista. O grafitti humaniza, desperta nossa atenção para as nuances sociais desta selva de pedra. Atrai nosso olhar para aquilo que jamais despertaria nosso interesse. Embeleza e ao mesmo tempo defronta a cidade às suas contradições, obrigando-nos a contemplar nossa própria miséria.
O grafiteiro Zezão, mundialmente famoso por gostar de grafitar as galerias subterrâneas de azul, dando cor e vida aos intestinos e entranhas de São Paulo diz o seguinte sobre a arte:

"Enxergo minha arte como um curativo da cidade. Esse é o sentido do graffiti para mim. Levar arte para as pessoas que habitam os rincões esquecidos da metrópole. É quase um exorcismo do lugar". 

Fonte: SRZD

terça-feira, 26 de julho de 2016

Que enredo é esse?

por Léo Antan, Vitor Mello e Rodrigo Cardoso


Julho tá na reta final e todas as doze escolas do grupo especial já divulgaram seu enredos pro ano que vem, foi um pré-carnaval diferente, a maioria demorou a divulgar os temas que vão levar à Avenida. Todos saíram com seus potinhos atrás de uns centavos para cantar enredos lixosos patrocinados para a Marquês. Como sambemos, a crise tá brava e pouquíssimas conseguiram, fazendo rolar a maior onda de enredos autorais dos últimos anos. Para vocês não ficarem perdidos, vamos fazer um release básico do que vai passar na passarela em 2017, começando pelas escolas de domingo. Vamos lá!? 



1ª: "Carnavaleidoscópico Tropifágico" - Paraíso do Tuiuti 


A primeira escola rebaixada do carnaval de 2017 apostou num enredo bafônico, vão comemorar os 50 anos do movimento tropicalista. Com um dos melhores enredos da safra, a escola segue apostando no sucesso do talentoso carnavalesco Jack Vasconcelos, que já fez desfiles babadérrimos na escola. 


















A sinopse da agremiação tem forma de manifesto e faz várias referências às músicas tropicalistas de Gil, Caetano, Tom Zé, entre outros. O título alucicrazy faz total jus ao movimento que abalou as estruturas da década de 1960. Vai ter muita banana, palmeira, abacaxi e Carmen Miranda da da da da na avenida. Vamos rogar a São Fernando Pinto para que a Tuiuti abale as arquiteturas da Sapucaí e não comece com os vários 9.7 que já lhe são reservados. 
    
            


O que a gente achou disso tudo? 



2ª: "Ivete de rio ao Rio" - Grande-Rio

Se uma baiana ganhou o carnaval, vamos apostar em outra. Essa é a genial risos mentalidade da escola que já levou as cidades de Maricá e Santos para a avenida nos últimos anos. A virgem Grande Rio vai embarcar na popularidade de Ivete Sangalo para tentar conquistar seu título, será que agora vai? Se julgar pela má sorte de cair na segunda de domingo, a coisa não começou nada bem lá pros lados de Caxias, saravá.

A sinopse um tanto chata faz um passeio pela cultura baiana com muito vatapá, acarajé, axé, saravá, orixá e todas essas oxítonas acentuadas. Baianidade sempre dá bom carnaval, a fórmula velha de evocar as forças de uns bons orixás (mesmo com a Ivete sendo católica) sempre dá um caldo. Com certeza a combinação Ivete e GR dará muito assunto, papai. A conferir.

E antes que seja tarde de mais... 



3ª: "Xingu, o clamor que vem da floresta- Imperatriz Leopoldinense

Deixe nossa mata, sempre verde, deixe nosso índio ter seu chão.
Ops samba errado. 


Ôôôô, diz mata, eu digo verde. 
Calma, também não é esse.


"Um lance assim de natureza, uma coisa de índio, um abraço ecológico", diria o imortal Fernando Pinto que já cantou o Xingu em seus enredos. Para 2017, a Imperatriz que vive ótima fase com seu carnavalesco Cahê Rodrigues prepara um desfile pra valorizar o verde da sua bandeira. Com muito índio, muita pena, faisão albino, paetê como a gente ama. Boatos que o sambão do Zé Katimba já está garantido e com estandarte... Será!?





Vamos fazer a Xuxa e brincar de índio. A ótima sinopse da escola é dividida em setores interessantes com "A celebração tribal" e "O Abraço da Sucuri". Achamos mara. Quem é que não vai querer sentir a sucuri, assim como vê, todo ano,  "a Mangueira entrar". 


Cidoca vai deixar um recadinho sobre o enredo gresilense









4ª: "O Som da cor- Vila Isabel


Salgueirou, mas a Vila foi a última divulgar o tema que vai apresentar. Bipolar, ainda resta saber qual se será o ano sim ou não da agremiação de Noel, que sempre oscila entre bons e vergonhosos desfiles... Mas a julgar pela sinopse bacanérrima e o trabalho do sempre ótimo de Alex de Souza, tem tudo pra ser mais um ano sim. 

O enredo começa na boa e velha misteriosa África berços dos meus ancestrais e vai trazer os ritmos que tiveram influência negra no continente americano como um todo, então nada de comparar com o da Tijuca, que será diferente e restrito aos EUA. Não faz a burra, amiga. Essa mistura toda só poderia acabar no semba, que virou samba. Que by 2012, a Vila encorpore outra vez Kizomba. A gente quer mesmo é receber o santo e se acabar na hora do desfile!



- E aí, Deus, o que achou sobre o enredo do povo de Noel?








5ª: "A Divina Comédia do Carnaval" - Acadêmicos do Salgueiro


A sempre favorita Salgueiro não fugiu à sua tradição e escolheu um lacre. Com o auxílio luxuoso do departamento cultural da escola, a Academia vai fazer uma viagem pela história do carnaval carioca com uma visão meio surrealista, meio alucicrazy, traçando um paralelo com a Divina Comédia de Dante, um clássico italiano. O enredo termina fazendo uma homenagem a santíssima trindade da escola, nada menos que os reis Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãosinho Trinta, ou seja, close certíssimo. 

Depois das críticas injustas que sofreu esse ano, o mago Renato Lage prometeu colocar pra foder. É o que esperamos. Só resta torcer para todas as alegorias façam a curva e a vermelho e branco não salgueire na avenida mais uma vez. Ah... E já íamos esquecendo! Não vamos esquecer de pagar a Light esse ano, Academia... 


E sobre o enredo... 








6ª: "A virgem dos lábios de mel, Iracema" - Beija-Flor de Nilópolis 



Com o enorme jejum nilopolitano de um ano, a escola de Nilópolis tentou o quanto pode um enredo patrocinado, não rolou e quem ficou feliz foi a gente com esse enredaço sobre o livro Iracema, de José de Alencar.  

Não tem muito o que falar, vai ter índio, vai ter Iracema, vai ter Ceará. Se bobear vai ter orixá mesmo assim por que a gente dá um jeito de encaixar e se reclamar o enredo começa no Egito (com dourado do abre-alas ao último carro). A sinopse curta pros padrões Beija-Flor apresenta bem o enredo. Mesmo desfilando domingo, não se brinca com Nilópolis, então selo "entrega a taça" total.


Sem comentários... 
(vai que vaza um áudio)!



Como dá pra ver, os enredos para o próximo ano estão ótimos, que Rosa nos abençoes com ótimas safras e Tia Ciata nos guie com as escolhas certas nas finais das disputas... Até a próxima análise com os enredos da segunda!

Confira a segunda parte com as escolas de segunda, clicando aqui.


Bye, bye!