sábado, 23 de julho de 2016

Mancha Verde: "Zé do Brasil, um nome e muitas histórias"



Introdução:

Eu sou José!
Mas, se preferir, pode me chamar de Zé.
Emprestei meu nome ao anônimo e também a personalidade,
do padre fundador ao mártir que lutou pela liberdade.
Se puxar pela memória,
verás que estou em importantes momentos da história,
sou líder religioso e artista talentoso,
escrevi, pintei, atuei,
se a vida imita a arte, nos palcos dela me consagrei.
Quis o destino, que coubesse à mim uma idéia genial,
peguei meu bumbo, sai em festa pelas ruas, numa alegria sem igual,
No Rio de Janeiro, virei lenda e dei origem aos desfiles de carnaval.
Por isso, com muito orgulho sou enredo da mais querida
que mostrará na avenida, meus personagens, minha vida,
as inúmeras aventuras que me tornaram popular
e que hoje, a Mancha Verde vai contar
através do canto forte de uma comunidade que me encantou, seduziu,
e no puro balanço de uma bateria que faz meu coração bater a mil,
afinal, sou a cara de um povo movido pela emoção,
muito prazer, eu sou o Zé do Brasil!

Desenvolvimento:

1º setor: "O Zé de quem tem fé"

Uma coisa tenho certeza, está mais do que comprovado,
é difícil falar sobre religião, sem meu nome ser lembrado.
Sou o símbolo de fé e devoção,
se você não acredita, veja se não tenho razão...
Na umbanda e no candomblé, sou uma importante entidade,
malandro, protetor dos pobres, obreiro da caridade.
Num gesto de amor, colhi o sangue de cristo no cálice sagrado,
o santo graal virou lenda e até hoje é procurado.
Vejo procissões e romarias pelo país inteiro,
o que será que esse povo quer de mim, que sou um simples carpinteiro?
Por súplicas ou orações, querem sentir minha presença de alguma maneira,
pois sou o santo escolhido por Deus, para proteger a família brasileira.
Sou guiado pela luz, tenho o dom da mediunidade concedido às pessoas especiais
e minhas mãos tornaram-se instrumentos para curas espirituais.
Na igreja ortodoxa, compus hinos e cânticos, deixei uma obra eternizada,
fui chamado por isso de "o rouxinol da voz adocicada".
No Egito, decifrei sonhos e livrei o povo da fome,
virei exemplo de perdão e sabedoria, no livro sagrado escrevi meu nome.
Vim para uma terra então distante, para os nativos catequisar,
fundei um colégio e em volta dele uma vila começou-se a formar,
logo essa vila virou cidade e a cidade virou a metrópole de todos nós,
um lugar onde outras doutrinas chegaram, construíram templos, ganharam voz
e hoje, a São Paulo que fundei, abriga pessoas não de uma, mais de várias convicções,
é o lar de josés de várias crenças, josés de todas as religiões.

2º Setor: "O Zé que fez história"

Meu nome está gravado na história desse lugar,
fui personagem de grandes acontecimentos, que agora vou contar.
Começo com um caso que veio lá de além-mar,
onde fui proclamado príncipe do Brasil, sem nunca nessa terra pisar.
Ganhei um título de barão da coroa portuguesa,
criei as primeiras faculdades de medicina e entrei para a nobreza.
Nunca aceitei ser colonizado passivamente,
sou o patrono da independência, lutei por muita gente.
Nas Minas Gerais, fui o mártir da inconfidência,
dei minha vida por essa causa, estou em paz com a consciência.
Conheço como poucos a verdadeira história desse país,
Pesquisar sobre a formação da nossa nação, foi o que mais fiz.
Republicano e liberal, não me conformei com a escravidão,
fui médico, jornalista, contra os tiranos fiz dura oposição.
Tornei-me político e dono de jornal, com as palavras mostrei habilidade,
escrevi sobre as injustiças contra uma raça que sonhava com a liberdade.
Inteligente, na Academia Brasileira de Letras, tornei-me imortal,
porém, a abolição nunca ficou em segundo plano, sempre foi meu ideal.
Com o fim do cruel regime, criei a "guarda negra", com ex-escravos mestres na capoeira,
para garantir nossos interesses e que a opressão não voltasse de nenhuma maneira.

3º Setor: "Zé de todas as artes"

O mundo das artes sempre foi meu segmento predileto,
some todas as minhas habilidades e terás um artista completo.
Fui um romancista e escrevi como poucos a linguagem regional,
misturei ficção com a vida típica do nordestino tradicional.
Virei personagem de desenho que mostrou a visão americana sobre o brasileiro,
quiseram me taxar somente como malandro, maloqueiro,
porém, graças aos artistas nacionais que escreveram minhas tiras para o Brasil inteiro, pude expor na linguagem dos quadrinhos, meu lado engraçado e as belezas do Rio de Janeiro.
Fiz parte da tropicália, movimento que marcou uma geração,
minha música misturou ritmos e instrumentos, nunca temi a inovação.
Criei um mundo de fantasias e pelo tempo fui eternizado
e graças a turma do sítio do pica-pau até hoje sou lembrado.
No cinema, fui o rei da boca do lixo, horripilante, assustador,
minha obra ganhou fama internacional, sou o mestre dos filmes de terror.
Falei a linguagem do povo, fiquei conhecido no Brasil inteiro,
Sou o rei da comunicação, eu sou o velho guerreiro.
Tive uma trajetória artística marcante,
No cinema e na televisão, sem falsa modéstia, fui brilhante.
Escrevi, atuei, dirigi, enfim, fiz de tudo um pouco em nome da arte,
na história das telenovelas tenho certeza de que fiz parte.
Transgressor, polêmico, genial!
Seja qual for o adjetivo, no teatro sou a figura principal.
Sou o Zé das montagens memoráveis,
forte para alguns e para outros, adoráveis,
das peças que a décadas o público fascina,
Evoé! Eu sou o Zé do Teatro Oficina.

4º Setor: "O Zé do povo"

Represento um povo onde o bom humor é uma marca registrada,
colocamos apelido, fazemos piada, rimos de qualquer coisa engraçada.
De norte a sul do país, em todos os lugares,
a criatividade do brasileiro sempre aparece nos ditos populares.
Por ironia do destino, veja como é...
Quando querem rotular alguém lembram sempre do José.
Roupas extravagantes e topete arrumadinho,
tem fama de conquistador, ele é o Zé Bonitinho.
Quer se dar bem, mais está sempre enrolado,
afinal, todo mundo tem um amigo Zé Mané, já dizia o ditado.
Vive de fofocas, deixa sua vida de lado para cuidar da vida do vizinho,
na linguagem popular, nada escapa da língua do Zé Povinho.
Na época de eleições, políticos me prometem tudo e mais além,
após esse período, perco serventia, volto a ser um Zé Ninguém.
Em tempos de redes sociais, um novo personagem surgiu na praça,
faz piadas de tudo, pela popularidade não há nada que não faça,
senhoras e senhores, lhes apresento o Zé Graça.
Ao ouvirem meu nome, quem diria,
pessoas lembram do passado e de bons momentos que tiveram um dia,
do Zé mecânico, Zé das flores e o seu Zé português da padaria.
Bate papo com os amigos e muita cerveja gelada,
como é bom recordar do Boteco do Seu Zé e das noites de batucada.
Zé da casa do norte, do açougue, Zé do gás e tantos outros mais
(se for lembrar de todos, não pararei jamais),
reforçam a minha tese que está clara e evidente,
tudo que remete a "povo", eu sempre estarei presente,
pois sou o Zé do Brasil, legítimo representante da nossa gente!

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário