terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quem casa, quer casa! #ManifestoClementiano

Ah, São Clemente... Nasceste na nobreza do samba, mas te criaste na pobreza. Andaste, andaste, e aqui chegaste. E agora, querem te tirar de casa? Pra não fazer o samba sambar, é hora de lutar. 

A quadra de uma escola de samba é a segunda casa de boa parte de uma comunidade que a compõe. É lá que nossa cultura resiste, ano após ano, onde os ensinamentos dos sambistas mais velhos são passados para os mais jovens, nos dando a certeza de que o samba é eterno. É lá batuque ecoa. Ensurdecedor. E foi ali, na Cidade Nova, que encontrou sua casa, né? Casinha esta que é tua - só tua. Mas querem ver-te fora de lá. E assim dança o Brasil... Mas, acredite se quiser, tu e teu povo vão conseguir sair desta, para que naquele lugar possamos ver por mais vezes danças de um povo livre

Já vi este filme. E ó, quem avisa, amigo é: não mexe com sambista não, pois juntos somos uma legião de samba no pé e como já diz a música: Quem não gosta do samba bom sujeito não é!

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O Carnavalize vem aqui fazer uma singela homenagem e demonstrar todo apoio ao Manifesto Clementiano, ao presidente desta querida agremiação e a toda sua comunidade. Que juntos, os sambistas conquistem mais uma vitória. Vamos à luta! Todos juntos, pois maiores são os poderes do povo!

*Em negrito menções a alguns enredos memoráveis da simpática amarelo e preto da Zona Sul. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Carnavalizadores de primeira: O apito de grandes mestres que marcaram a história

por Leonardo Antan




Não é à toa que a bateria é chamada de coração de uma escola de samba. É lá nos surdos, tamborins, pandeiros, que uma agremiação pulsa na sua máxima potência. Onde 50, 100, 200, rimistas tocam na mesma cadência em muitas batidas por segundo. A frente deles, vai o grande maestro da ópera popular que é o carnaval. Com seu apito, os mestres de bateria comandam o ritmo das escolas dando suas personalidades a cada uma delas. Para homenagear esses grandes músicos, separamos seis grandes nomes do carnaval brasileiro. Venha cair no samba destes mestres em todos os sentidos. 


Mestre André


Um dos maiores nomes do carnaval, Mestre André é uma lenda. O maestro, que na verdade se chamava José, é o inventor das paradinhas e de muitas outra inovações no quesito. Há diferentes versões sobre a primeira vez que uma bateria se calou por alguns instantes num desfile. A mais conhecida é que tudo foi um grande imprevisto, após André levar um susto e cair do chão. De verdade, sabemos que apesar do talento na liderança, ele não era lá um exímio ritmista, contrariando algumas máximas do meio. O melhor instrumento que ele tocava era seu apito. Além da paradinha, inovou ao introduzir o surdo de terceira e ao fundar a primeira bateria mirim do carnaval. Falecido em 1980, seu nome foi eternizado em 'Salve a Mocidade" na voz da independente Elza Soares. 

Mestre Marçal


Outro mestre fundamental da nossa folia, Marçal além de rei das baterias foi também um grande músico e sambista com carreira na música. Foi instrumentista de importantes nomes da nossa música, como Chico Buarque e Alcione. Além de cantor com oito álbuns no currículo, herdou o talento musical do pai, que também foi sambista pioneiro. Começou a batucar no Recreio de Ramos, passou pela Unidos da Capela e Império Serrano até desembarcar na Portela, por onde ficou por mais de vinte anos e colocou seu nome nas páginas belas da escola.


Mestre Louro



Batizado Lourival, o mestre tem seu DNA vermelho, branco e negro tal qual a Acadêmicos do Salgueiro. Filho de um dos fundadores da escola, Louro é dono de um legado no carnaval carioca. Iniciou na função lá na década de 1970 e permaneceu na alvirrubra até 2003. No quesito premiação, ele foi absoluto, ganhou cinco Estandartes de Ouro sozinho e dois em parceria, nos anos 70. Quando saiu da Academia, ajudou a fundar a diretoria de bateria da Caprichosos de Pilares em 2005 e 2006. Em 2007, passou pela Porto da Pedra quando pisou pela última vez na Sapucaí na função que o eternizou. Em 2009, foi homenageado pelo desfile campeão do Salgueiro. Hoje, três herdeiros seus desfilam nas baterias cariocas, Marcão, do próprio Salgueiro, Thiago Diogo, da Grande Rio, e Lolo, da Imperatriz. 

Mestre Jorjão



Além de André, a Mocidade também revelou outro grande mestre da batucada carnavalesca. Jorjão estreou no apito da estrela em 1989. Cria de Padre Miguel, ele permaneceu seis carnavais na agremiação. Em 1995, teve uma rápida passagem pela Grande Rio até ir de mudança para o outro lado da baía de Guanabara. Se firmando no especial, a Viradouro contou com dois gênios: Joãosinho Trinta e Jorjão, foi com o talento dos dois que deu a escola seu título em 1997. Carnaval que marcou uma das maiores inovações no quesito, a eterna batida em ritmo de funk imortalizada pelos ritmistas comandados por Jorjão. Depois de Niterói, ele deu expediente ainda na Imperatriz e Santa Cruz. Voltando pra Viradouro em 2010.


Mestre Divino



O representante paulista da nossa lista, é considerado por muitos o "Mestre dos Mestres" do samba por lá. A tentação é grande, mas não faremos nenhum trocadilho. Divino iniciou no mundo carnavalesco como ritmista da Nenê de Vila Matilde, lá no fim dos anos 1960. Depois assumiu a bateria da azul e branco por um longo período, saindo em 1982 de maneira nada harmônica. Foi quando fundou sua própria agremiação, a União Imperial, onde desenvolveu vários trabalhos sociais. Passou por várias escolas de samba como Camisa Verde e Branco, Unidos do Peruche, Império de Casa Verde e Unidos de Vila Maria. No século XXI, voltou a comandar a bateria da Nenê em 2009. 


Mestre Odilon



Pra terminar, outro que também deixou seu nome na história foi Mestre Odilon. Conhecido pelo seu rigor, iniciou a carreira na União na Ilha no início dos anos 1990. Depois, passou pela Beija-Flor, onde ficou por três carnavais. Em 1998, desembarcou em Caxias onde se firmou como um dos grandes nomes da folia. Permaneceu na Grande Rio durante mais de dez anos e foi responsável por toda uma formação de músicos na tricolor. Ganhou dois Estandartes de Ouro pela agremiação e hoje é jurado do prêmio promovido pelo jornal O Globo. 









terça-feira, 20 de setembro de 2016

Que enredo é esse? Chega junto, Sampa! - Parte 2








Com um certo atraso (ninguém está livre de salgueirar), hoje chego aqui para contar para vocês, amados carnavalizadores, o que cada escola que desfila no sábado de carnaval pelo Grupo Especial Paulistano levará para o Anhembi.
É bacana sempre lembrar à vocês que o título "carnavanálise" é apenas uma brincadeira. Não há aqui a intenção de fazer uma análise minuciosa dos enredos de cada escola. Levamos à vocês apenas breves comentários e explicações sobre todos eles, ok?

Sem mais delongas, bora falar de carnaval!







"Zé do Brasil, um nome e muitas histórias"
Mancha Verde

A perseguida que jamais calarão volta novamente ao Grupo Especial para provar pela enésima(?) vez que ali é o seu lugar. É bom falarmos que os dois rebaixamentos da Mancha foram extremamente injustos, e por isso a permanência dela após subir se torna mais complicada, pois a impressão que temos é de que a escola é "visada". Mas diferente de 2015, em 2017 ela abrirá o segundo dia de desfiles - o que teoricamente aumenta suas chances - já que levou o caneco pra casa no acesso em 2016.

Nessa luta para permanecer é no José que a Mancha bota fé! Nos Josés, aliás. Serão vários no desfile da escola, desde os Josés mais famosos da história até os Josés desconhecidos, mas que também tem o seu valor. O enredo é interessante, mas pode ficar melhor dependendo da forma que for apresentado. E é de Magoo, que vem apresentando bons trabalhos, principalmente no quesito alegoria, a responsabilidade de desenvolver o enredo. É bom ele estar inspirado, pois aparentemente o ano de 2017 vai ser uma bela briga de cachorros grandes - Águia de Ouro que o diga - no principal grupo do carnaval paulistano. Ah, aproveitando para chamar a atenção:



"A Peruche no maior axé exalta Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, cultura, fé e alegria!"
Unidos do Peruche

Já a Peruche foi buscar a capital da Bahia para ser seu enredo. Não pense que é patrocinado, pois não é. Aliás, mesmo que fosse, é aí que vemos uma boa diferença da cidade de Salvador para outras capitais do Brasil: mesmo que o tema fosse patrocinado a escola não precisaria forçar a barra. É cultura do início ao fim.

O enredo começa de uma forma linda, com a lenda do amor de Moema por Caramuru, passa pela formação do brasileiro, a força do povo baiano, a fé, até chegar no carnaval - coisa que une as duas cidades. Não dá pra achar um enredo como esse ruim, né? Bola dentro da Peruche. O desfile será assinado por Murilo Couto pelo terceiro ano seguido e por Gal, estreante.

Já que o carnaval de Salvador vai ganhar um grande destaque...



"Paz. O Império da nova era"
Império de Casa Verde

A terceira escola da noite será a grande campeã de 2016. E se a Mancha tem o Magoo, o Império tem o Mago. RSRSRS Pelo segundo ano seguido, Jorge Freitas é o carnavalesco do tigre. A aposta dele para o ano de 2017 - engana-se quem pensa que é novamente um enredo sobre conto de fadas - é a paz como tema. Aliás, muito pertinente, não é? Afinal, se tem algo que mancha não só o mundo, como também o carnaval de São Paulo nos dias de hoje é a falta dela. Jorjão vai então chamar a pombinha pra se unir ao tigre e clamar pela paz:

#iconic

Infelizmente, a escola não divulgou a sua sinopse. Aliás, fica aqui o nosso protesto! O público tem o direito de saber o que cada escola prepara para levar à avenida. São atitudes como essa que fazem pensarmos que o carnaval é feito para os jurados, quando deveria ser feito para eles e também para o público. #VemPraRua

Mas enfim, o tema tem tudo para dar certo. Devo dizer que, para mim, é a cara do Império. E já que a escola de samba além de nos alegrar sempre nos passa uma mensagem, que a mensagem da atual campeã cause reflexão a quem a assiste passar no sábado de carnaval. Que dias melhores venham!



"Dragões canta Asa Branca"
Dragões da Real

Saindo da antiga caçulinha e indo para  a atual, a Dragões após comemorar seus 15 anos em 2016 virou mocinha e agora, aparentemente, vai mudar um pouco do seu estilo. O discurso da escola é de que agora o dragão está mais amadurecido. Se antes os enredos com foco na ilusão e no mundo infantil eram muito recorrentes na escola, para 2017 algo mais brasileiro é a bola da vez. Foi no hino antológico de Luiz Gonzaga, Asa Branca, que a Dragões viu uma boa chance para mostrar uma outra cara. E que aposta, não é? O nordeste já foi contado de diversas formas, tanto no Anhembi quanto na Sapucaí, mas a gente sempre se encanta com enredos que seguem essa temática. E nos encantamos mais ainda quando ele é mostrado de uma forma diferente do que já havia sido apresentado. A ideia de mostrar o nordeste através dos versos de Asa Branca é linda e uma grande sacada. 

Se o grande destaque da Dragões era a plástica, agora este trunfo dela se une a um enredão e, permita-me dizer, um samba lindíssimo. Mas sobre isso a gente conversa melhor mais pra frente. 



"No Xirê do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu... Menininha, mãe da Bahia - Ialorixá do Brasil"
Vai-Vai


E já que o assunto é lacre, vamos abrir o caminho pro Vai-Vai passar... Esse, seguramente, é um dos melhores enredos do ano. E, mesmo que a escola do povo tenha o brilhante Alexandre Louzada como carnavalesco, nesse tipo de enredo nem é necessário um recorte tão "diferentão", pois ele já é maravilhoso por essência. Se nesse ano a escola apostou na França, para o ano que vem a ideia é cheia de axé. Mãe Menininha do Gantois, a grande Yalorixá do Brasil, será exaltada pelo Bixiga. 

Falando em essência, o Vai-Vai tem na sua muito da África. É uma escola que casa muito bem com a negritude, pois é parte dela. Claro que todas as escolas carregam consigo a negritude - que é a responsável pela criação de tudo o que elas representam - mas umas tem mais ligação, outras menos. Não posso deixar de mostrar meu entusiasmo com a proposta da Vai-Vai. É uma das favoritas, como sempre!

Que a energia de Mãe Menininha melhore um pouco a da escola, afinal a agremiação vem passando por alguns problemas nesse pré-carnaval. É um desejo nosso e principalmente do Louzada (desculpem, a gente tem que meter uma piadinha em algum lugar. É o nosso jeitinho):



"Coré Etuba. A ópera de todos os povos, terra de todas as gentes, Curitiba de todos os sonhos!"
Nenê de Vila Matilde

Depois da maior campeã do carnaval paulistano, virá a segunda escola que mais vezes levantou a taça por lá. A Nenê de Vila Matilde vem tentando resgatar seus bons tempos, mas é curioso que em contrapartida acaba optando por temas bem controversos. Curitiba foi a escolha da águia guerreira. O enredo, diferente do da Peruche, é patrocinado, e Curitiba, diferente de Salvador, não tem uma cultura tão marcante para nós como a capital da Bahia. A escola não divulgou a sinopse também, sendo assim, fica mais difícil ainda cada um de nós formarmos nossa opinião sobre o tema. Nos priva de continuar com o pé atrás com ele ou até mesmo mudar nossa visão.

O próprio carnavalesco, Alex Fão, que estreia como solo numa escola do Grupo Especial, disse que as pessoas iriam se surpreender com a visão sobre Curitiba que a escola vai mostrar. E realmente, aparentemente, analisando pelo título, surgiu algo bacana desse enredo. Pelo menos, melhor do que poderíamos imaginar. Mais um motivo para lamentar a não divulgação da sinopse. 

A gente torce muito para que os vôos da Águia mais tradicional de São Paulo voltem a ser mais altos e estamos torcendo muito para levar aquele tapa na cara gostoso da Nenê, assistindo um desfile lindo sobre a capital paranaense. 




"Convivium. Sente-se à mesa e saboreie"
Rosas de Ouro

E pra fechar o carnaval de São Paulo de 2017, a Rosas de Ouro vai preparar um banquete pra geral. O André Machado, novo carnavalesco da escola, é bonzinho demais, então diferente de CERTAS ESCOLAS QUE NÃO DIVULGAM SUAS SINOPSES, ele divulgou uma sinopse E TANTO! Inclusive temos imagens do livrinho que a escola entregou para os compositores:




Mas falando melhor do enredo, a escola se propõe a mostrar banquetes marcantes da história em diversas civilizações e termina com uma crítica social sobre a fome, afinal, como dizia a Viradouro, "tem uns que vivem pra comer... tem gente que só come se sobrar". O enredo é muito bom e a crítica no final eleva mais ainda seu nível.

É bom lembrar também que a última vez que a Rosas de Ouro desfilou no amanhecer foi no inesquecível Mar de Rosas, em 2005, onde o céu ficou azul e rosa - as cores da escola - enquanto a Roseira passava. Sabe-se lá porque, a escola terminou fora do desfile das campeãs mesmo tendo feito um dos maiores desfiles de todos os tempos da folia paulistana. Temos certeza que o pessoal da Freguesia do Ó quer reviver isso. Quer dizer, quer reviver o desfile marcante com o céu azul e rosa, né? O resto eles passam. 



Bem, minha missão de lhes contar quais os enredos passarão pelo Anhembi na sexta-feira e no sábado de carnaval em 2017 está cumprida. E pra vocês, qual o melhor enredo? Qual o pior? Conta aí nos comentários pra gente. 

Fico por aqui! Não chore não, viu? Que eu voltarei, viu?






segunda-feira, 19 de setembro de 2016

QUASE UMA REPÓRTER: Lais Moreira, 1ª Porta-Bandeira da Unidos de Vila Maria


O carnaval vai muito além dos 4 dias. Durante o ano as escolas se preparam para o maior espetáculo da terra, divulgando enredo e sinopse, escolhendo seu samba e se preparando no barracão.
E as escolas de samba vão muito além do carnaval. Elas nos encantam na avenida, mas também encantam com seus maravilhosos projetos sociais para atender a sua comunidade.

Uma agremiação de São Paulo com grande notoriedade por suas ações sociais é o Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Unidos de Vila Maria. Por ano são mais de 10.500 pessoas atendidas e em 14 anos de projeto atendeu 155 mil pessoas de 16 bairros da Zona Norte.

Batizado de "Vila Maria um Caso de Amor", a principal missão desses projetos é proporcionar atividades no espaço cultural, com o intuito de atender crianças, adolescentes, adultos, idosos e pessoas com deficiência ou necessidades especiais, transformando suas vidas e promovendo a inclusão através da arte, cultura, educação, esporte e capacitação profissional.

No esporte há escolinha de futebol, cursos de capoeira e karatê. Na capacitação profissional há cursos de assentador de piso, pedreiro, instalador hidráulico, padaria artesanal, escola de beleza e escola de moda (corte, costura e modelagem). Também há áreas da saúde para atender a comunidade, como psicologia, terapia, fisioterapia, odontopediatria e equoterapia. Além disso há projetos especiais como dia da cidadania, valorização da velha guarda, festa do dia das crianças, casamento comunitário, palestras periódicas relacionadas à saúde e Natal solidário.

Na arte, cultura e lazer em parceria com a Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura, a agremiação possui a 1ª Escola de Samba Mirim do Estado de São Paulo, a Escola de Samba Mirim Mulekada da Vila Maria.

Há vários cursos como: áudio e som (juvenil), decoração e adereços (juvenil), fotografia (juvenil), comissão de frente (mirim), mestre-sala e porta-bandeira (mirim; foto), passistas (mirim), bateria (mirim) e entre outros que você pode conferir no site da escola: www.unidosdevilamaria.com.br/
Um projeto que faço parte e com certeza mudou a minha vida, é o Mestre-Sala e Porta-Bandeira (mirim) comandado pela primeira porta-bandeira da Unidos de Vila Maria, Lais Moreira, a entrevistada de hoje.


Lais sempre teve o sonho de ter um projeto social de mestre-sala e porta-bandeira e transmitir seus ensinamentos e talento para outras pessoas. Em 2006, no Águia de Ouro, Lais fundou o projeto "Filhos da Águia", através dele, ela construiu a ideia que queria ser uma motivadora de sonhos e que pudesse buscar o talento nas pessoas. Porém ela nunca teve o espaço necessário para continuar o projeto e ao longo do tempo tudo passou e ficou parado. 

O que motivou Lais a assumir o primeiro pavilhão da Vila Maria foram os projetos sociais, todos, não só mestre-sala e porta-bandeira que até então não existia. A agremiação já tinha a intenção de fazer um projeto de mestre-sala e porta-bandeira e com a vinda da Lais à escola, no ano passado, o projeto ganhou mais força, pois ela fez uma proposta de criar um projeto de MSPB – sem saber que a escola já tinha intenção de fazer - e demonstrou muito interesse nele.  Com isso juntou o que a escola queria com o que a Lais também buscava, sendo assim, após o carnaval de 2016, em Março, o projeto foi oficializado e em Abril iniciaram as aulas que acontecem todos os sábados das 14h às 17h, na quadra. A inscrição é feita na Secretaria do Social da Vila Maria e todos são bem-vindos.

As expectativas da Lais para o projeto são: que ela consiga fazer com que todas as crianças, que sonham em serem mestre-sala e porta-bandeira e que estão no projeto, possam desfilar como casal e de preferência na Vila Maria, que consiga montar uma ala de casais de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação e dar sequência ao projeto. Mas a principal ideia é construir bons seres humanos, boas pessoas e que queiram ajudar o próximo, pois o objetivo do projeto social nada mais é que socializar e fazer com que as pessoas enxerguem o seu próximo.

Na entrevista que você confere abaixo, Lais nos conta um pouco de sua história e também da importância dos projetos sociais nas escolas de samba.


sábado, 17 de setembro de 2016

Carnavápolis: E por falar em irreverência, saudade do mestre da crítica carnavalesca



Humor e irreverência são as palavras de ordem na nossa cidade carnavalesca hoje. Um divertido cortejo entre em cena na Carnavápolis para prestar uma justa homenagem a Luiz Fernando Reis, um dos maiores carnavalescos que a nossa folia já viu. De um jeito único, ele marcou seu nome na década de 1980 em seus carnavais assinados na Caprichosos de Pilares, transformando a escola na queridinha de todos os sambistas.



Tudo começou nos anos 1970, quando um folião se apaixonou pelos carnavais de Maria Augusta para a União da Ilha, mestra declarada de Luiz Fernando. O folião tentou ser compositor em algumas escolas mas seu destino estava em outra função. Chegou em Pilares no ano de 1982, o enredo ele tinha na manga há algum tempo: a feira livre. No embalo da cabrocha Lili o público se deixou levar pelo forte sol por um samba antológico. As frutas de verdade que decoravam os carros foram distribuídos para o público brindando um campeonato inesquecível rumo ao grupo especial.


Lili voltou a cena no ano seguinte para fazer uma passeio pela culinária brasileira. A explosão de alegria foi tanta que as luzes se apagaram deixando o "Cardápio à brasileira" às cegas. Impossibilitada de ser julgada, a azul e branco permaneceu no grupo para a inauguração do Sambódromo. Para essa difícil tarefa, o carnavalesco recrutou um time de peso. O enredo "A visita da nobreza do riso a Chico Rei num palco nem sempre iluminado" fazia um brincadeira com o carnaval da Imperatriz do ano anterior e ainda alfinetava pela falta de luz. Na brincadeira, vários mestres do humor se tornavam nobres para saudar o grande rei do humor Chico Anysio. A corte tinha até um bobo da corte, Milas Fulam (Salim Maluf ao contrário) com a mão num saco de dinheiro sobre um muro que clamava pelas "Diretas já". Uma atitude política inédita de coragem que corou a apresentação recheada de irreverência e colorido.



E por falar em irreverência, veio o carnaval mais histórico, digno de Estandarte de Ouro de Melhor Escola. O maior momento de uma agremiação e seu maior artista, com muito bom humor e uma falsa nostalgia com a Saudade de "velhos tempos que não voltam mais", do "bonde, o amolador de facas, o leite sem água..." e de escolher o presidente diretamente. Transformando o real em sonho, Luiz Fernando Reis mostrou que a fantasia estava em qualquer lugar, não precisava viajar ao Egito, nem a lugares distantes. Mostrando as belezas de um Brasil com S na sua potência. Brazil com Z nunca mais! A águia americana nunca venceria o bravo "caniriquito" na disputa contra o luxo e o gigantismo no desfile de 1986. 



O casamento com Pilares durou até um ano depois. Envolvido na sua campanha para deputado, o professor de matemática se distanciou dos preparativos da apresentação que falaria das falas promessas dos políticos no enredo "Eu prometo". Partiu então com destino a Ramos. A verde e branco passava por dificuldades e confiava no estilo leve de Reis para um boa colocação. Monarca, a Imperatriz não se divertiu e caiu na brincadeira com o enredo sobre as piadas, terminando na última colocação. Nova partida. Agora rumo ao Salgueiro, em 1989 a negritude entrou em cena num desfile que lembrava os grandes carnavais da Academia. Num raro trabalho que juntava beleza e leveza, o desfile acabou ofuscado por outras grandes apresentações. A Imperatriz que com Luiz Fernando questionava "a princesa que fingiu me libertar", se sagrou campeã com "Isabel, a heroína".


Sem a política para dar o tom e com um cenário menos fervilhante, o carnavalesco da crítica perdeu o rumo. Navegou por mares nunca dante navegados com a Tijuca em 1990 numa apresentação morna. Cantou as ilhas na tricolor insulana em 1992. Para então reencontrar sua maior musa. No retorno a Pilares, a lógica do luxo estava consolidada e a Mocidade dava as cartas. As belezas de um Rio do lado de cá do túnel Rebouças não empolgaram, nem uma coroa de quase noventa anos, que celebrava as histórias da avenida Rio Branco. Eram outros tempos. 


Afastado do grupo especial desde 1995 quando assinou um carnaval na parceira de crítica São Clemente, Luiz Fernando Reis é hoje comentarista da nossa festa. Poucos sabem, entretanto, sua real importância para um momento especial da história do carnaval. A década de 1980 foi marcada pelos enredos críticos e políticos que levavam pra avenida o clamor pelas "Diretas já" no período final da ditadura militar. O carnavalesco de Pilares foi o pioneiro em tocar o assunto sem disfarces, caprichosamente deixando sua marca de leveza e irreverência nas páginas mais divertidas da nossa história. Com o fim da redemocratização, sua voz política perdeu a força e o rumo, patinando em posições medianas, mas se manteve fiel ao seu traço inconfundível. Traço de um mestre e grande artista da nossa folia. A quem homenageio com carinho.  






Leonardo Antan é folião frequentador do Sambódromo desde criança e tem verdadeiro amor pelas escolas de sambas. Trabalha, estuda e vive o mundo de confetes e serpentinas durante o ano inteiro. Atualmente, cursa História da Arte na UERJ onde pesquisa também sobre o tema.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não temos provas, mas temos convicção: Grandes desfiles que poderiam ter sido campeões

por Leonardo Antan



Como escolher apenas um campeão por ano com tantos desfiles maravilhosos? Escolher apenas uma entre várias escolas é das tarefas mais difíceis. Sem falar que julgamento é sempre uma coisa muito subjetiva e algumas injustiças já aconteceram durante a história. Não estamos aqui pra desmerecer os vencedores, mas apontar outros desfiles que poderiam tranquilamente ter levado o caneco. Provas não temos, apenas muita convicção. 

Ilha 1977


Vem amor! Se a gente vai começar falando de grandes apresentações que não levaram o caneco, não dá pra começar com outro carnaval senão o icônico "Domingo" de Maria Augusta para a escola insulana. Quem sabe se a leveza e a alegria tivessem desbancando o luxo da Beija-Flor de Joãosinho Trinta naquele ano os rumos do carnaval seriam outros... Mas é só suposição. 

Caprichosos 1985


Falando em desfiles que poderiam ter ganhado contra a "lógica do luxo", não dá pra esquecer o ano em que Pilares colocou para quebrar com toda a irreverência e talento de Luiz Fernando Reis. Apesar de faturar o Estandarte de Ouro de melhor escola com um samba inesquecível, a azul e branco terminou em apenas quinto lugar, enquanto o lugar mais alto do pódio foi para o também genial desfile da Mocidade.


Mocidade 1987



É aquele ditado: um ano é da caça, outro do caçador. Dois anos após do título em cima da Caprichosos, foi a vez de Padre Miguel ver o campeonato escorrer pelos dedos. A eterna Tupinicópolis ficou em vice, sendo desbancada pela homenagem a Carlos Drummond de Andrade feita pela Velha Manga. Alguns dizem que a culpa foi o samba nem tão bom da verde-e-branco... de certo, só que os índios de patinete se tornaram uma das maiores imagens do carnaval.


Beija-Flor 1989



Se é pra falar de polêmica, não podemos esquecer o ano que nunca acabou para os amantes do carnaval. O desfile revolucionário de Joãosinho Trinta que colocou mendigos na Sapucaí é dito com uma das coisas mais geniais que a folia já viu. Mas os jurados não acharam isso e por apenas um ponto, a Imperatriz foi coroada com seu "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós". Neste caso, a culpa foi realmente do samba de Nilópolis, quesito que exatamente decidiu o resultado.

Portela 1995


E se o jejum da maior campeão do carnaval não fosse tão grande? Foi o que poderia ter acontecido em 1995, ano em que a águia chegou mais perto de ter faturado o título desde 1984. O desfile eternizado por uma das mais belas águias da história acabou sendo derrotado pela Imperatriz de Rosa Magalhães, mesmo sem uma alegoria. Fato que mantém a discussão aberta até hoje. Mas o julgamento daquela época não era tão rígido quanto atualmente e a falta do elemento não ocasionou perda de ponto.


Mocidade 1999



Na década de 1990 marcada pela rivalidade entre Mocidade e Imperatriz, Rosa e Renato, o ano de 1999 foi amargo para Padre Miguel. Com um trabalho inesquecível do mago High-Tech, a Mocidade levantou a arquibancada com o enredo sobre o maestro Villa-Lobos. Infelizmente, a escola pecou na evolução abrindo um grande buraco durante seu show, ficando apenas com o quarto lugar. Tecnicamente perfeita, a Imperatriz foi a campeão oficial.


Beija-Flor 2001



Depois de 1989, outro campeonato ficou entalado na garganta de Nilópolis. Um desfile arrebatador embalado por um samba antológico, foi desses anos que mostraram a garra e força da maior campeão da Era Sambódromo. O resultado foi apenas o vice, o terceiro de quatro entre 1999 e 2002. O caneco mais uma vez foi para Ramos, desbancando mais uma vez uma grande apresentação azul e branco com o requinte e talento de Rosa Magalhães.


Ma
ngueira 2003



Após quatro segundos lugares seguidos, a Beija-Flor enfim conquistou o sonhado topo da tabela. Mas num resultado que gerou polêmicos para muito amantes da folia. Depois do título sobre a escola em 2002, o jogo virou para a Mangueira, que arrebatou a Sapucaí com um desfile sobre a saga de Moisés e os dez mandamentos (Muito antes da novela bíblica). Com direito a efeitos especiais e muito luxo, a derrota tem um gosto amargo até hoje.


Rosas de Ouro 2005



Pela terra da Garoa, o julgamento também não está livre de questionamentos. O sambódromo do Anhembi foi coberto por um verdadeiro "mar de rosas" em 2005 e até o céu ficou azul e rosa, as cores da agremiação, num espetáculo inesquecível. Porém, o luxo e a beleza do desfile não conquistaram os jurados que deram apenas o sétimo lugar. Enquanto a Império de Casa Verde subiu no alto do pódio com uma apresentação também memorável.

Tijuca 2005



Após uma estreia surpreendente que faturou um impressionante vice-campeonato em 2004, a parceria entre a Tijuca e Paulo Barros repetiu o sucesso no ano seguinte. E para a infelicidade de muitos, repetiu também o resultado. A apresentação que marcou o estilo do carnavalesco e suas alegorias humanas perdeu por apenas um décimo para a Beija-Flor, com um desfile também emocionante.

Império de Casa Verde 2007



Após dois títulos, a Império de Casa Verde tentava o tri naquele ano. E foi por pouco. Num carnaval monumental e super luxuoso assinado por Renato e Márcia Lage, a escola levantou o Anhembi e saiu como favorita, mas ficou apenas no quinta colocação. Sendo desbancada pela Mocidade Alegre no primeiro lugar. 

Salgueiro 2007



Além de São Paulo, 2007 foi marcado por classificações questionáveis também no Rio. A Academia colocou todo mundo para encorporar num desfile emocionante sobre as Candaces. Mesmo com um samba inesquecível e uma plástica líndissima, o Salgueiro terminou apenas numa incompreensiva sétima colocação. A Beija-Flor foi a campeã com todos os méritos e um desfile irretocável, mas bem que o Sal poderia ter disputado a primeira colocação e beliscado um vice. 

Unidos de Vila Maria 2008



A escola nunca faturou o campeonato no carnaval paulista, mas foi nesse ano um dos carnavais que ela chegou mais perto da façanha. Com a assinatura de Wagner Santos, que fez história na agremiação, o desfile comemorou os 100 anos da imigração japonesa. O resultado foi o terceiro lugar, enquanto a tradicional Vai Vai ficou no topo da tabela. 

Vila Isabel 2012



Antes de faturar o campeonato em 2013, a Vila chegou quase lá um ano antes. Num dos últimos desfiles a luz do dia do grupo especial carioca, a escola do bairro de Noel cantou Angola com um samba arrebatador e o capricho artístico de Rosa Magalhães. Tudo isso só não conquistou os jurados que deram o título para a Unidos da Tijuca de Paulo Barros, fazendo a Vila terminar em terceiro. 

Tucuruvi 2013



Alegria e leveza foram as palavras de ordem na homenagem a Mazzaropi na escola paulista para o carnaval de 2013. A simpática apresentação conquistou o público, mas não teve o reconhecimento que mereceu. Mais uma vez o carnavalesco Wagner Santos viu um desfile seu perder o caneco, que acabou sendo faturado pela Mocidade Alegre, numa apresentação também inesquecível. 

Essa lista poderia ter pelo menos mais umas dez versões, mesmo assim não cobriria todas as opiniões e visões dos amantes da folia. Cada um tem seus gostos, opiniões, sua escola do coração e sempre vai apontar uma série de injustiças. O resultado pode não vir para algumas que mereceram, mas a memória carnavalesca é implacável e a justiça se faz. O povo nunca mais esquecerá das grandes apresentações memoráveis que viu. As provas estão aí, pergunte pra qualquer folião.