quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Não temos provas, mas temos convicção: Grandes desfiles que poderiam ter sido campeões

por Leonardo Antan



Como escolher apenas um campeão por ano com tantos desfiles maravilhosos? Escolher apenas uma entre várias escolas é das tarefas mais difíceis. Sem falar que julgamento é sempre uma coisa muito subjetiva e algumas injustiças já aconteceram durante a história. Não estamos aqui pra desmerecer os vencedores, mas apontar outros desfiles que poderiam tranquilamente ter levado o caneco. Provas não temos, apenas muita convicção. 

Ilha 1977


Vem amor! Se a gente vai começar falando de grandes apresentações que não levaram o caneco, não dá pra começar com outro carnaval senão o icônico "Domingo" de Maria Augusta para a escola insulana. Quem sabe se a leveza e a alegria tivessem desbancando o luxo da Beija-Flor de Joãosinho Trinta naquele ano os rumos do carnaval seriam outros... Mas é só suposição. 

Caprichosos 1985


Falando em desfiles que poderiam ter ganhado contra a "lógica do luxo", não dá pra esquecer o ano em que Pilares colocou para quebrar com toda a irreverência e talento de Luiz Fernando Reis. Apesar de faturar o Estandarte de Ouro de melhor escola com um samba inesquecível, a azul e branco terminou em apenas quinto lugar, enquanto o lugar mais alto do pódio foi para o também genial desfile da Mocidade.


Mocidade 1987



É aquele ditado: um ano é da caça, outro do caçador. Dois anos após do título em cima da Caprichosos, foi a vez de Padre Miguel ver o campeonato escorrer pelos dedos. A eterna Tupinicópolis ficou em vice, sendo desbancada pela homenagem a Carlos Drummond de Andrade feita pela Velha Manga. Alguns dizem que a culpa foi o samba nem tão bom da verde-e-branco... de certo, só que os índios de patinete se tornaram uma das maiores imagens do carnaval.


Beija-Flor 1989



Se é pra falar de polêmica, não podemos esquecer o ano que nunca acabou para os amantes do carnaval. O desfile revolucionário de Joãosinho Trinta que colocou mendigos na Sapucaí é dito com uma das coisas mais geniais que a folia já viu. Mas os jurados não acharam isso e por apenas um ponto, a Imperatriz foi coroada com seu "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós". Neste caso, a culpa foi realmente do samba de Nilópolis, quesito que exatamente decidiu o resultado.

Portela 1995


E se o jejum da maior campeão do carnaval não fosse tão grande? Foi o que poderia ter acontecido em 1995, ano em que a águia chegou mais perto de ter faturado o título desde 1984. O desfile eternizado por uma das mais belas águias da história acabou sendo derrotado pela Imperatriz de Rosa Magalhães, mesmo sem uma alegoria. Fato que mantém a discussão aberta até hoje. Mas o julgamento daquela época não era tão rígido quanto atualmente e a falta do elemento não ocasionou perda de ponto.


Mocidade 1999



Na década de 1990 marcada pela rivalidade entre Mocidade e Imperatriz, Rosa e Renato, o ano de 1999 foi amargo para Padre Miguel. Com um trabalho inesquecível do mago High-Tech, a Mocidade levantou a arquibancada com o enredo sobre o maestro Villa-Lobos. Infelizmente, a escola pecou na evolução abrindo um grande buraco durante seu show, ficando apenas com o quarto lugar. Tecnicamente perfeita, a Imperatriz foi a campeão oficial.


Beija-Flor 2001



Depois de 1989, outro campeonato ficou entalado na garganta de Nilópolis. Um desfile arrebatador embalado por um samba antológico, foi desses anos que mostraram a garra e força da maior campeão da Era Sambódromo. O resultado foi apenas o vice, o terceiro de quatro entre 1999 e 2002. O caneco mais uma vez foi para Ramos, desbancando mais uma vez uma grande apresentação azul e branco com o requinte e talento de Rosa Magalhães.


Ma
ngueira 2003



Após quatro segundos lugares seguidos, a Beija-Flor enfim conquistou o sonhado topo da tabela. Mas num resultado que gerou polêmicos para muito amantes da folia. Depois do título sobre a escola em 2002, o jogo virou para a Mangueira, que arrebatou a Sapucaí com um desfile sobre a saga de Moisés e os dez mandamentos (Muito antes da novela bíblica). Com direito a efeitos especiais e muito luxo, a derrota tem um gosto amargo até hoje.


Rosas de Ouro 2005



Pela terra da Garoa, o julgamento também não está livre de questionamentos. O sambódromo do Anhembi foi coberto por um verdadeiro "mar de rosas" em 2005 e até o céu ficou azul e rosa, as cores da agremiação, num espetáculo inesquecível. Porém, o luxo e a beleza do desfile não conquistaram os jurados que deram apenas o sétimo lugar. Enquanto a Império de Casa Verde subiu no alto do pódio com uma apresentação também memorável.

Tijuca 2005



Após uma estreia surpreendente que faturou um impressionante vice-campeonato em 2004, a parceria entre a Tijuca e Paulo Barros repetiu o sucesso no ano seguinte. E para a infelicidade de muitos, repetiu também o resultado. A apresentação que marcou o estilo do carnavalesco e suas alegorias humanas perdeu por apenas um décimo para a Beija-Flor, com um desfile também emocionante.

Império de Casa Verde 2007



Após dois títulos, a Império de Casa Verde tentava o tri naquele ano. E foi por pouco. Num carnaval monumental e super luxuoso assinado por Renato e Márcia Lage, a escola levantou o Anhembi e saiu como favorita, mas ficou apenas no quinta colocação. Sendo desbancada pela Mocidade Alegre no primeiro lugar. 

Salgueiro 2007



Além de São Paulo, 2007 foi marcado por classificações questionáveis também no Rio. A Academia colocou todo mundo para encorporar num desfile emocionante sobre as Candaces. Mesmo com um samba inesquecível e uma plástica líndissima, o Salgueiro terminou apenas numa incompreensiva sétima colocação. A Beija-Flor foi a campeã com todos os méritos e um desfile irretocável, mas bem que o Sal poderia ter disputado a primeira colocação e beliscado um vice. 

Unidos de Vila Maria 2008



A escola nunca faturou o campeonato no carnaval paulista, mas foi nesse ano um dos carnavais que ela chegou mais perto da façanha. Com a assinatura de Wagner Santos, que fez história na agremiação, o desfile comemorou os 100 anos da imigração japonesa. O resultado foi o terceiro lugar, enquanto a tradicional Vai Vai ficou no topo da tabela. 

Vila Isabel 2012



Antes de faturar o campeonato em 2013, a Vila chegou quase lá um ano antes. Num dos últimos desfiles a luz do dia do grupo especial carioca, a escola do bairro de Noel cantou Angola com um samba arrebatador e o capricho artístico de Rosa Magalhães. Tudo isso só não conquistou os jurados que deram o título para a Unidos da Tijuca de Paulo Barros, fazendo a Vila terminar em terceiro. 

Tucuruvi 2013



Alegria e leveza foram as palavras de ordem na homenagem a Mazzaropi na escola paulista para o carnaval de 2013. A simpática apresentação conquistou o público, mas não teve o reconhecimento que mereceu. Mais uma vez o carnavalesco Wagner Santos viu um desfile seu perder o caneco, que acabou sendo faturado pela Mocidade Alegre, numa apresentação também inesquecível. 

Essa lista poderia ter pelo menos mais umas dez versões, mesmo assim não cobriria todas as opiniões e visões dos amantes da folia. Cada um tem seus gostos, opiniões, sua escola do coração e sempre vai apontar uma série de injustiças. O resultado pode não vir para algumas que mereceram, mas a memória carnavalesca é implacável e a justiça se faz. O povo nunca mais esquecerá das grandes apresentações memoráveis que viu. As provas estão aí, pergunte pra qualquer folião.

Reações:

3 comentários:

  1. A grande massa de sambistas que tem o samba-enredo como principal quesito comemorou muito a (merecida) vitória da Mangueira em 1986, que o diga o comportamento da torcida portelense durante a apuração daquele ano. Também teria sido muito justo o título para Deusa da Passarela que desfilou sob um dilúvio. O samba realmente estava bem aquém do "tem xim xim e acarajé" mas fez bonito como trilha sonora de um desfile épico da Beija-Flor de Nilópolis, cuja imagem da bola foi eternizada num enredo muitíssimo bem desenvolvido pelo genial J30.
    Em 2009 a Vila, assim como Salgueiro 2007, merecia disputar o título nota a nota com o "Tambor" vermelho e branco e ao menos ter ficado com a prata.
    Portela ou Salgueiro 2014, muito melhores do que a correta e insossa Tijuca (escola tá indo pro caminho Gresil anos 1990).
    Em Sampa lembro do desfilaço da Nenê em 1999 que perdeu pra uma Vai Vai pesadona e uma Gaviões "marromeno".

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