quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

3 metas que o carnaval precisa buscar para 2018

Arte: Rodrigo Cardoso
Por Felipe de Souza e Rodrigo Cardoso
Quando se iniciam as festas, buscamos sempre traçar metas e mudanças para o próximo ano. No carnaval não é diferente: após os desfiles, as escolas planejam-se para corrigir o que deu errado para o cortejo dos próximos anos.

Como a maior festa audiovisual do mundo viveu, em 2017, uma crise política e de valores, é necessário traçar objetivos para que os desfiles retornem ao centro do palco, tomado por bandeiras neopentecostais, traçando mudanças possíveis para o cotidiano da festa. Nesse contexto, listaremos três medidas que poderiam ser buscadas pelas escolas e pelos sambistas para que o carnaval retome seu protagonismo de outrora.

- Olhar para si, reconhecer sua importância:
O carnaval é um produto cultural riquíssimo. É o maior propulsor de cultura do Brasil para outros países, o que faz a festa ter uma abrangência enorme. Antes de vislumbrar, entretanto, o imaginário de estrangeiros, o mundo do samba precisa fazer sua lição de casa e olhar para si mesmo. As escolas precisam reconhecer-se para, logo em seguida, buscar a alçada externa, porque há fatores que podem ser melhorados - falhas na comunicação, na relação com o público, dentre outros setores. Não se pode pensar que uma agremiação deva olhar apenas para si. É necessário, antes de tudo, ter o entendimento sobre as facetas que permeiam o carnaval, o contexto, que envolve ele atualmente, seu público e, por fim, sua marca - tão pouca trabalhada.

- Buscar dialogar com a sociedade como um todo:
A problemática financeira, em conjunto com medidas cerceadoras do prefeito ao carnaval, fez com que as escolas de samba retornassem às posturas críticas abandonadas há anos. Com essas asfixiações por todos os lados, restou, às agremiações, ficar ao lado do povo em defesa da festa. Porém, essa situação deve ser encarada como algo perene, um aviso para os próximos anos: o carnaval só sobreviverá com a ajuda da sociedade, e caso as escolas queiram uma sobrevida, é necessário dialogar com o povo o qual elas representam.

- Buscar o aprimoramento da comunicação social das escolas:
Atualmente, a tecnologia tem aproximado as pessoas, rompendo fronteiras e tornando a comunicação instantânea. Infelizmente, grande parte das escolas cariocas carece de estrutura nos departamentos responsáveis especificamente pelas redes sociais. Para o próximo ano, seria interessante que as escolas investissem em comunicação e na valorização e ampliação de suas marcas junto aos grande público, já que os interessados no carnaval vão muito além daqueles que vivem no Rio de Janeiro.

Remando contra a maré, as campeãs de 2017 são destaques nas redes, demonstrando que é possível tornar acessível a meta de comunicar-se melhor com o público. A maior vitoriosa da folia carioca profissionalizou seu departamento de comunicação e sua marca, buscando formas de atração de público. Além disso, vinculou-se aos torcedores distantes do RJ ao ampliar seu programa de sócio-torcedor. Já a hexacampeã, por meio de uma assessoria muito bem dirigida e renovada, consegue desenvolver bons projetos de aproximação do público nas plataformas digitais, diversificando conteúdo entre a temática do próximo carnaval e os antigos desfiles da escola.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

QUASE UMA REPÓRTER: Evelyn Silva - da desconfiança ao apogeu

Por Juliana Yamamoto
Olá, seguidores do Carnavalize, tudo bom? Estavam com saudades de mim, né? Hoje irei entrevistar mais uma revelação do carnaval de 2017! Voltei à escola de samba mais feliz do carnaval de São Paulo para poder conversar um pouquinho com a primeira porta-bandeira da Dragões da Real, Evelyn Silva.

Evelyn é uma das porta-bandeiras mais novas do Grupo Especial e, sem dúvidas, uma das grandes revelações do carnaval da Terra da Garoa! Com apenas 19 anos, Evelyn já defende o primeiro pavilhão da Dragões ao lado do seu mestre-sala Rubens.

A linda porta-bandeira é figurinha nova no Anhembi. Em 2016, foi segunda porta-bandeira da vermelho e branco e, para o carnaval de 2017, foi promovida, ocupando o lugar de Lyssandra, que a ajudou muito e foi essencial em sua estreia.

Até o desfile de 2017, a jovem com personalidade forte e marcante não era muito conhecida e, infelizmente, foi questionada por alguns, principalmente por sua idade. Surpreendendo muitos, Evelyn deu um show no Anhembi, conseguindo três notas 10 ao lado de Rubens! Logo após a apuração, a porta-bandeira soltou um desabafo na rede social sobre seu ano, as críticas e o alívio após as notas. Inclusive, durante a nossa conversa, ela comentou a respeito desse seu desabafo e as críticas.

Numa entrevista proveitosa, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais a história da Evelyn no carnaval, a sua chegada na Dragões da Real e toda sua trajetória dentro da agremiação, até seu samba-enredo mais marcante e favorito! Para quem não conhece e quer conhecer um pouco melhor a incrível Evelyn, dá um play no áudio que com certeza vai adorar!

Agradeço toda atenção e simpatia da Evelyn Silva! Com certeza vocês ainda irão vê-la por muitos anos no Anhembi! Um grande presente que o carnaval 2017 nos proporcionou!

Espero que curtam a entrevista! Um ótimo final de ano a todos que acompanham o nosso site e até Ianeiro porque o carnaval 2018 já está logo aí! Um beijo da quase-repórter!

OUÇA A ENTREVISTA ABAIXO:

CARNAVANÁLISE #20: Com enredo afro-indígena, Gaviões projeta carnaval marcante

Por Jéssica Barbosa
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

"Guarus - Na Aurora da Criação, a Profecia Tupi... Prosperidade e Paz aos Mensageiros de Rudá"
Gaviões da Fiel
"Anauê, sou índio guerreiro, sou Gavião (eu sou)
Linda Jaci que clareia a tribo alvinegra
em sagrada missão"
Tentando voltar aos áureos tempos após um desfile fraco e decepcionante em 2017, a Gaviões da Fiel contratou um dos melhores carnavalescos da nova geração: Sidnei França. Para 2018, a Torcida que Samba levará ao Anhembi a história “ Guarus – Na Aurora da Criação, a Profecia Tupi... Prosperidade e Paz aos Mensageiros de Rudá”, uma lenda que conta a história dos índios Guarus, povo que foi enviado com a missão de resgatar a paz e o amor entre os homens que habitavam a região que hoje conhecemos por Guarulhos. Sidnei deixa claro que o enredo não é sobre a cidade de Guarulhos em si, e sim sobre o povo que por lá habitou. Um tema muito diferente dos quais a Gaviões vinha apresentando nos últimos anos, o que causa grande expectativa.


O samba:

Os autores Luciano Costa, Totonho, Reinaldo Jr, Neto, Bruno Muleki, Alex, Fadico e Fábio Palácio foram muito felizes na composição de um dos sambas mais elogiados do ano, auxiliados pela ótima sinopse escrita por Sidnei. A obra tem dois falsos refrãos que são os destaques da letra, principalmente no verso: “e o negro aqui chegou/ com a fé de Obatalá/ mesmo sofrendo na chibata do senhor/ pele escura canta e dança pra curar a sua dor”.

Ernesto Teixeira, mais uma vez muito bem na gravação, deixou o samba com a “cara” dos Gaviões. A escola será a 5ª escola a desfilar no sábado de carnaval, dia 10 de fevereiro.

CARNAVANÁLISE #19: São Clemente de cara nova para o maior carnaval de sua história

Por Beatriz Freire
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

Após a despedida de Rosa Magalhães, que assinou três carnavais pela escola da zona sul, a São Clemente promete uma nova cara a partir do desfile de 2018, que será comandado por Jorge Silveira, vice-campeão do carnaval de São Paulo pela Dragões da Real e, também, da Série A do Rio de Janeiro, na Viradouro. Assim, a agremiação trará o enredo "Academicamente Popular", uma homenagem aos 200 da Escola de Belas Artes. A expectativa fica pela estreia de Jorge no Grupo Especial carioca e por alegorias maiores que as do ano anterior, que foram mais compactas – dentro do estilo de Rosa – e perderam pontos, de forma questionável, do júri oficial. Mais uma novidade foi a contratação de Amanda Poblete, agora nova primeira porta-bandeira da escola, que fará par com Fabricio Pires, já veterano da agremiação clementiana. Kiko Guarabyra também foi anunciado há poucos dias como o novo coreógrafo da Comissão de Frente da escola e fará sua primeira passagem como profissional do carnaval carioca. Com um dos barracões mais adiantados da Cidade do Samba, a escola clementiana está confiante e segue firme para a busca de um resultado melhor do que os que alcançou nos últimos anos. 

O samba:
O samba da São Clemente, inegavelmente, foi um dos que mais cresceram desde a sua escolha. A parceria vencedora foi a de Ricardo Góes e no início não agradava tanto ao grande público, o que não passou da pura questão de costume, já que é possível ver uma boa aceitação do samba agora, a pouco mais de um mês do carnaval. O belo trabalho do intérprete Leozinho Nunes pode ter sido um dos fatores contribuintes e mostra o motivo de ser tão elogiado e, também, um intérprete que vemos defendendo muitos sambas na época das disputas das agremiações. Fato é que a faixa clementiana não chega a estar entre as melhores do ano, mas também não periga estar entre as piores. Um samba agradável se manteve no meio das duas zonas e só resta saber se ele funcionará na Avenida. 

A São Clemente será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

CARNAVANÁLISE #18: Tucuruvi promete guiar o Anhembi por grandes museus em 2018

Por Jéssica Barbosa
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

"Uma Noite no Museu"
Acadêmicos do Tucuruvi
"Uma noite no museu... você e eu
fazendo história nesse carnaval.
É show na galeria, meu Tucuruvi
Pode aplaudir"
Para o próximo ano, a Acadêmicos do Tucuruvi contratou o atual campeão do carnaval paulista para assinar seu desfile. Trata-se do carnavalesco Flávio Campello, responsável por desenvolver o enredo "Uma noite no museu".

A escola da Cantareira quer levar o público aos principais museus do mundo, em uma viagem que passará por temas como arte, ciência, tecnologia e esportes. Em terras brasileiras, a Tucuruvi fará um tour por locais como os museus de Arte Moderna, do Índio e do Samba.

O samba:
De autoria de Turko, Maradona, Rafa do Cavaco, Diego Nicolau, Dr Eduardo Gustavinho Oliveira e Tinga, o samba escolhido pela Tucuruvi não agradou a todos, talvez pelo tema ser um pouco “solto”, sem um fio condutor que "amarre" a história a ser contada. Apesar de ser correta, a obra deixa a desejar em alguns aspectos, sobretudo na letra. A melodia da segunda parte do samba é o grande destaque. O intérprete Alex Soares gravou bem a faixa da agremiação no CD.

O Zaca é a terceira escola a desfilar na sexta-feira de carnaval.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

CARNAVANÁLISE #17: União da Ilha em busca do tempero perfeito

Por Beatriz Freire
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

"Brasil Bom de Boca"
União da Ilha do Governador
"Vem provar o sabor desse meu carnaval,
eu sou a Ilha, sou o prato principal.
Vou deixar água na boca, 
provocar uma vontade louca"
A União da Ilha, depois do 8º lugar gerado por um desfile bonito e com muitos problemas de evolução, volta com a vontade de vencer em 2018. O enredo a ser desenvolvido pelo carnavalesco Severo Luzardo é intitulado "Brasil Bom de Boca", que contará a história da culinária brasileira. Conhecido por suas habilidades de reaproveitamento, Severo caminha para o seu segundo carnaval pela escola insulana e promete a irreverência e leveza que têm a cara da agremiação, revelando, também, os saberes e sabores únicos do Brasil, como a amada caipirinha. A dança das cadeiras não afetou a União da Ilha, que manteve quase toda a equipe, exceto pela chegada de Márcio Moura, novo coreógrafo da Comissão de Frente, após a despedida de Carlinhos de Jesus. O cargo de rainha de bateria também vagou, já que Bruna Bruno havia anunciado sua despedida da agremiação, e Gracyanne Barbosa, que já passou por outras escolas no Rio e em São Paulo, assumiu a coroa. 


O samba:

A disputa insulana não foi muito previsível e nem tudo parecia dominado por alguma composição até a final. O resultado consagrou a parceria de Ginho, que é cria da Ilha do Governador e ganhou uma disputa na escola pela segunda vez. Ito, a marcante voz dessa escola que está nos corações dos sambistas, conduziu muito bem a faixa na gravação do CD, bem como Ciça, mas, mesmo assim, a faixa ainda se coloca como uma das mais fracas do ano. A certeza fica pela empolgação da comunidade, que já está cantando bastante o samba, que apesar de um conjunto médio, tem versos pra cima e inteligentes. 

Será que a fome e a vontade de vencer da União da Ilha conseguirão, finalmente, beliscar uma volta ao sábado? Só o tempero do desfile poderá nos dizer. 

A Ilha será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval

CARNAVANÁLISE #16: 'Isso, isso, isso' é paixão! A Vila Maria para o carnaval 2018

Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.


A Vila mais famosa trará a segunda vila mais famosa para o Anhembi. Sim, a Unidos de Vila Maria vem cantar Chaves e o México! Chega mais:



"Arriba Bolaños, Arriba Vila, Arriba México"
Unidos de Vila Maria
"A Mais Famosa chegou, eterno caso de amor
'isso, isso, isso' é paixão
Reviver a pureza e minha nobreza,
Chaves do seu coração" 
Após a 7ª colocação em 2017, a Vila Maria vem mordida em busca de uma melhor posição em 2018. Com a saída de Sidnei França rumo aos Gaviões da Fiel, a escola do Jardim Japão teve que se mexer para buscar um carnavalesco, encontrando-o no Rio de Janeiro. Fransérgio foi o nome escolhido pela diretoria para dirigir o carnaval sobre o México, que apresentará também a obra de Roberto Bolaños, criador de Chaves, e de algumas outras influências culturais mexicanas, como o Dia de los Muertos e a importância de Frida Kahlo.

Teve mudança também no microfone da escola: Clóvis Pê foi desligado para a chegada de Wander Pires, que estava no Vai-Vai neste último carnaval. 

O samba: 
Numa das melhores disputas de samba desse ano, a Vila Maria proporcionou aos segmentos uma dor de cabeça 'do bem'. A safra, repleta de bons sambas, trouxe quatro parcerias para a final, destacando-se os grupos comandados por Dudu Nobre e Zé Paulo Sierra. Numa decisão bem dividida entre diretoria e comunidade, a parceria de Dudu, Rafa do Cavaco, Pepe Niterói, Turko, Maradona, Diego Nicolau, Marcelo Nunes, Evandro Bocão e André Diniz foi eleita a campeã na Vila mais famosa.

Com rendimento acima do esperado, o samba azul e verde foi um dos mais bem gravados do CD. Numa das atuações mais seguras do registro, a Cadência da Vila, comandada por mestre Moleza, foi muito bem. Comandada por Wander Pires, a escola contou com participação de Dudu Nobre no início da faixa. Mais um belíssimo samba para 2018! Isso, isso, isso é paixão!

A Unidos de Vila Maria fecha o Grupo Especial de São Paulo no sábado. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Processos da Criação: Jorge Silveira - Do traço marcante à materialização de um carnaval

por Beatriz Freire e Leonardo Antan





A contagem regressiva para a folia vai nos deixando mais ansiosos e, então, é tempo de desvendar barracões, descobrir os segredos e saber um pouco do que as escolas preparam. Por isso, mas também por pura curiosidade nossa (confessamos), preparamos uma série de entrevistas com carnavalescos focada em seus processos de criação. Queremos saber de tudo, desde os primeiros riscos até a materialização do projeto. 

Começamos com um jovem talento que fará sua estreia como carnavalesco no Grupo Especial carioca. Jorge Silveira tem uma longa carreira nos bastidores, tendo trabalhado para diversos profissionais dos carnavais carioca e paulista. Não poupamos perguntas para descobrir ao máximo como funciona um barracão e o trabalho do carnavalesco. Uma verdadeira aula pra quem sonha em seguir carreira na folia. Então, vem ver! 


QUANDO TUDO COMEÇOU


CARNAVALIZE: Para começar, falemos sobre seu pai, que era carnavalesco em Niterói. Sem dúvidas, ele foi uma figura muito importante para você. Como foi crescer em meio ao carnaval e como isso formou seu imaginário da festa e suas referências? Como é tê-lo como um espelho depois de se tornar carnavalesco?

JORGE: "Foi uma experiência maravilhosa. Poderia ter sido traumatizante, mas foi maravilhosa; poderia ter sido traumatizante porque na geração que meu pai foi carnavalesco não existia o reconhecimento, o profissionalismo que existe hoje. A grande vantagem é que entendi a ótica do carnaval pelo “fazer”, pela ótica do operário, de que para que tudo funcione você precisa de muitas pessoas. Ele me passou a lógica de que ninguém faz nada sozinho e de que o barracão é o verdadeiro espelho disso tudo. Ele foi a principal referencia para que eu tivesse essa percepção do quanto é importante o fator humano na construção de um carnaval."

CARNAVALIZE: Sobre a questão de estar no barracão, vimos que você tem muitas tarefas e o tempo todo precisa se deslocar dentro do espaço para resolver qualquer situação que venha a surgir. Como é essa rotina e como ela influi no seu processo de criação?

JORGE: "O barracão é uma extensão do processo de criação porque eu vivencio cada pedaço de cada etapa do processo inteiro, então preciso estar muito próximo das pessoas para dizer a elas qual é melhor forma. Não é que falte confiança nos profissionais, muito pelo contrário, mas, sim, para tirar o melhor deles para que o resultado final fique o mais próximo do projeto.

Jorge desenhando no barracão da São Clemente.

Normalmente, eu crio tudo com a maior antecedência possível; todo o meu processo de criação é pautado na antecipação de problemas (risos), eu tento pensar como equacionar os problemas ao máximo para que eles não se tornem abacaxis quando chegarem nas mãos dos profissionais. Detalho o projeto todo e, ainda assim, permaneço ao lado deles todo o tempo, na função de um tradutor do que foi planejado para que eles entendam exatamente qual é o objetivo."


CARNAVALIZE: Falando sobre a clareza de entendimento da realização do projeto, observa-se nos desenhos e muita gente diz que suas fantasias são muito "executáveis". Seus desenhos não são apenas abstrações que ficam lindas no papel mas que são impossíveis de executar; como foi esse processo de aprendizagem para compreender que nem tudo que é colocado no papel pode ser feito?

JORGE: "Como eu trabalhei com muitos profissionais, muitas vezes eu fui o responsável por traduzir as abstrações dos desenhos deles e resolvê-los, precisava traduzir aquilo. Quando parto para meu processo criativo, já não passo mais pela elucubração, pelo devaneio, opto imediatamente pela solução prática. A lógica é muito próxima do que é realizável, tanto em questão de alegoria quanto de fantasia; tento me aproximar muito do que é concreto, tento fazer o desenho o mais descritivo possível para que os profissionais entendam. E se eles não entendem, tento auxiliar na compreensão, faço maquetes. Acho que isso vem da minha experiência dando aula, porque fui professor por mais de dez anos antes de trabalhar com carnaval; assim, sempre precisei utilizar recursos didáticos para que a minha ideia se faça o mais clara possível."

CARNAVALIZE: Você foi aluno da Escola de Belas Artes da UFRJ. O seu ingresso neste curso de graduação já foi planejado com a finalidade de trabalhar com o carnaval ou foi uma chance de buscar embasamento e bagagem para dar vida aos seus talentos artísticos? A possibilidade de trabalhar com a festa foi uma meta traçada ou uma algo que surgiu ao longo de sua trajetória?

JORGE: "Bom, eu sempre sonhei em trabalhar com o carnaval. Não sabia que eu chegaria efetivamente a função de carnavalesco, eu sempre queria produzir para o espetáculo porque via meu pai fazendo. Quando eu entrei na Escola, sabia que ela me impulsionaria em conhecimento para isso. Mas, num primeiro momento, eu queria aproveitar o máximo possível da EBA e depois me tornar professor de Artes, que foi o que eu acabei me formando. Eu trabalhei dando aula por mais de dez anos, alguns outros anos depois conciliei este trabalho com o carnaval e hoje me dedico só a este. O ato inicial que me moveu à EBA não foi necessariamente pensar focado para o carnaval, mas para me qualificar como artista, qualquer que fosse o caminho que a vida me levasse."

Gravação no barracão da Viradouro, onde Jorge estreou como carnavalesco solo. 


ENSINANDO E APRENDENDO



CARNAVALIZE: Você falou um pouco sobre sua trajetória com outros profissionais, passou muito tempo trabalhando nos bastidores e fez até carnavais inteiros sozinho. Como foi esse processo e a experiência de negociação com outras pessoas, além de muitas vezes terem assumido a autoria de trabalhos que foram seus? Como isso te ensinou e reflete no seu modo de trabalhar atualmente? 

JORGE: "No meu caso, em particular, tive a oportunidade de experimentar muitos formatos diferentes de lógica de trabalho para cada um dos profissionais que eu trabalhei. Algumas experiências foram enriquecedoras ao extremo e me fizeram absorver esses aspectos positivos; os aspectos negativos também me fizeram aprender. É claro que não é legal quando a gente vê que muitas vezes alguém se apropria de determinado detalhe, mas é fundamental que haja uma relação clara de respeito entre o carnavalesco e sua equipe. Então, quando um carnavalesco estabelece o vínculo de que todos os integrantes da equipe trabalham pelo bem comum de uma ideia e assina essa ideia, ele dirige o conceito; qualquer ideia que alguém tenha naquele bojo criativo pertence ao norte que o carnavalesco determinou - o grande papel dele é fazer a direção. 

Eu tenho essa opção do processo criativo solo pelas experiências anteriores que tive. Eu sempre fui quem resolvia os problemas para os outros, então, na minha experiência, eu quero exercer a tentativa de me propor o desafio de eu mesmo resolvê-los. Acho que tudo que vivenciei nessas escolas com participações presenciais, não-presenciais, desenhando alegorias e fantasias, tudo isso isso contribuiu para o entendimento que tenho hoje."

Jorge Silveira integrou a comissão de carnaval da Dragões da Real entre 2015 e 2017.

CARNAVALIZE: Você disse que seu processo criativo não é solo, mas que não trabalha sozinho, que tudo depende de um trabalho conjunto e sabemos que conta com a ajuda do Ricardo, seu assistente. Como você vê o trabalho do carnavalesco hoje e a "descentralização" desse poder, apesar da palavra final ser a do carnavalesco? Ainda acha que são muito solitários em seus processos de desenvolvimento dos desfiles? 


JORGE: "Cada artista tem seu processo criativo e sua forma de conceber. O Ricardo é fundamental nesse processo todo porque ele me auxilia numa dinâmica da criação. Ele colhe as referências que eu o peço para colher, me alimenta com novas postagens, referências e imagens para que eu possa alimentar a máquina da criação. Ele é uma extensão importante disso e é a primeira vez que ele está participando desse processo em si comigo, e é a primeira vez, também, que eu tenho alguém junto; eu era o "alguém de alguém". Mas mesmo tendo alguém, sou muito coeso e muito direto no que eu quero, porque como trabalho muito fundamentado na ideia de um projeto calçado e detalhado, com cada passo que vai acontecer na Avenida. Por mais que eu tente transpassar para o Ricardo ou para qualquer outra pessoa da escola, a coesão das ideias, no momento, só está funcionando “full time” aqui dentro. Em muitas oportunidades, a gente bate de frente, porque ele bate o pé firme por algumas coisas e eu preciso dar a martelada final e ele precisa entender. "Pera aí. Calma. Eu sei o que estou fazendo" (risos). Eu estou enxergando lá na frente."

CARNAVALIZE: Você falou que o Ricardo busca suas referências e você usa muito da cultura pop, elementos da cultura de massa, dos quadrinhos e etc. Nesse ano, também observamos a pegada da arte dita "erudita", mais institucionalizada. Como você vê o carnaval enquanto o espaço de mistura desses lugares? Fala muito sobre o enredo de 2018, mas também fala sobre o que você fez na Viradouro no carnaval passado, certo? 

JORGE: "Eu acho que cada proposta de enredo tem um discurso implícito, tem algo que precisa ser dito. Naquele ano da Viradouro, especificamente, por mais que eu tenha muito desse universo pop na minha formação, a ideia de fazer um enredo infantil não foi minha. O presidente pediu, ele queria que fosse um enredo de temática infantil e eu só dei a cara, criei o conceito do Menino Rei acreditando que deveria ser uma criança contemporânea; eu busquei isso porque achei que traria fácil identificação.

Jorge com o assistente e parceiro Ricardo Hessez, com quem divide o processo criativo.

Para o carnaval de 2018, já é algo diferente. Eu adentrei, entre muitas aspas, o Grupo Especial – as pessoas agora me veem nele, apesar de já ter trabalhado em diversas escolas –, então preciso dar ao público do carnaval e a mim mesmo uma cara de maior maturidade. Esse enredo vem para poder mostrar que o Jorge não faz só coisa de criança. No mesmo ano em que fiz um enredo sobre elementos infantis, fiz um carnaval sobre os 70 anos da música Asa Branca, de Luiz Gonzaga, em São Paulo, que não tem absolutamente nada de infantil. É um enredo sério, com pegada emocional, tinha uma outra roupagem, uma outra textura. 

Para reafirmar essa seriedade no Grupo Especial do Rio de Janeiro, vou fazer um enredo com uma característica um pouco mais séria porque acredito que vai ser importante, não só para minha carreira individual, mas para a São Clemente. Eu acredito que o enredo precisa falar ao sentimento da escola em consonância com o sentimento que o carnaval pede no momento, buscando sempre falar de coisas relevantes. Assim como falei de criança porque achava que era importante pro espírito da Viradouro se renovar – e se renovou, o toque erudito que se mescla com o popular desse ano tem como objetivo caminhar do legado que a Professora Rosa deixou para a São Clemente, construindo uma ponte, para chegar ao resgate da escola à sua vertente mais popular. Assim, no ano seguinte, já darei uma outra cara."

"TALENTO É REPERTÓRIO"



CARNAVALIZE: Seu estilo de desenho é muito próprio e cheio de personalidade. Como você chegou a ele?

JORGE: "É engraçado porque essa pergunta sobre estilo foi a pergunta que eu mais ouvi em quinze anos dando aula para a molecada. Os alunos sempre me perguntam: "Jorge, como eu crio um estilo?", muitos me procuravam para desenhar quadrinhos, mangá, qualquer coisa relativa ao assunto; eu sempre disse a eles: "estilo tem a ver com bagagem e personalidade". Você precisa liquidificar todas as referências que você teve ao longo da sua vida e aquilo vai derivar no que você chama de estilo. 

Eu sou nada mais que o somatório de todas as coisas que eu vi, talvez o meu desenho, que muita gente diz que tem característica de história em quadrinhos, seja apenas a cristalização de tudo que eu li na vida. Eu li muita literatura, mas muita coisa eu via de quadrinho e consumi muito fortemente esse universo pop. Isso tá impresso na minha visualidade, então eu sempre me expresso, em desenho, como um reflexo dessas referências que eu tive; eu sempre curti quadrinho americano, francês, italiano, japonês, cinema… eu sempre gostei das linguagens visuais e da fácil leitura de imagem e isso se reflete no desenho."


Projeto de alegoria para o desfile da Vila Isabel de 2015.

CARNAVALIZE: Seu traço é "acusado" de ser muito cartoonesco e há essa ideia de que o traço precisa ser erudito e outra que está ainda muito em voga que é a de que ser carnavalesco é sinônimo da aptidão para o desenho, quando, na verdade, o carnavalesco é milhões de outras coisas ao mesmo tempo. Para você, que outras qualidades um bom carnavalesco precisa ter? 


JORGE: "O fator fundamental que um carnavalesco tem que ter é saber lidar com pessoas. Não tem nada mais importante no barracão do que você saber lidar com elas. Se você não souber dialogar com os profissionais, você não vai ter êxito, porque a maneira como você se relaciona com as pessoas coloca os setenta funcionários que tenho a meu favor ou contra mim, me ajudando ou sabotando o meu trabalho. 

Então, lidar com as pessoas é a maior qualidade que um carnavalesco pode ter a meu ver, isso não é uma opinião geral da classe. Acho que isso é o mais importante porque consegue extrair o melhor de um trabalho em conjunto, eles passam a confiar em você. Eu cheguei a São Clemente há nove meses, numa escola que há mais de cinquenta anos era comandada por um mesmo profissional e no meio desse processo o diretor, que era o Sr. Ricardo, faleceu e eu tive que tomar a dianteira dos processos junto ao barracão. Se eu não soubesse me relacionar com os profissionais, eu não teria conseguido erguer o carnaval porque elas não teriam se aberto para fazer o carnaval."

CARNAVALIZE: As alegorias são um processo muito marcante do seu carnaval e da sua construção de identidade como carnavalesco. É uma coisa que dá para perceber que você gosta de fazer e talvez até afirmar que seja sua parte favorita. Como elas traçam a linha do seu processo criativo?

JORGE: "É a minha parte favorita, a que eu mais me divirto fazendo. Todo carnaval que eu começo, a primeira coisa que eu faço é esboçar as alegorias, antes de escrever ideias, antes de catar referências, antes de qualquer coisa, a primeira coisa que brota na minha cabeça é o palco, o cenário onde acontece a brincadeira. Eu começo esboçando a alegoria livremente, tentando extrair um volume que me pareça interessante e que tenha fácil leitura, que é algo que eu me preocupo muito, para mim isso é muito importante. Eu não gosto de usar volumes geométricos que preenchem espaços de forma abstrata e que nada dizem no contexto; eu gosto muitas vezes até de usar o vazio e preencher com um elemento que narre ao invés de fazer um monte de bolos ou volumes que nada acrescentam. Nem sempre o tamanho é o que narra uma boa alegoria, mas, sim, na maior parte das vezes, um bom conceito o faz. Eu gosto muito de alegorias que sejam dinâmicas, que tenham interatividade, adoro o luxo que todo mundo adora, adoro o carnaval, adoro um bom acabamento, adoro bons materiais, mas eu gosto muito mais de ver que a alegoria causou uma reação diferente no público. Eu gosto de me propor o desafio de buscar coisas novas, com soluções novas para as ideias.

Projeto de alegoria sobre o arquiteto espanhol Gaudí.


OUTROS CARNAVAIS


CARNAVALIZE: Como foi a sua experiência no carnaval virtual, como ela enriqueceu a sua elaboração do processo criativo e como você chegou até lá? Recomendaria para jovens iniciantes?

JORGE: "Um amigo me convidou para conhecer esse universo do qual eu nunca tinha ouvido falar, fiz um desfile e ganhei. Me apaixonei pela ideia e passei a usar isso como um portfólio, um espaço de experimentação. É uma plataforma que eu recomendo para a garotada que quer se experimentar fazendo carnaval, quer testar os seus conhecimentos, quer colocar à prova porque já é uma avaliação que você se propõe a fazer; você tem que raciocinar o desenvolvimento de uma escola de forma muito semelhante ao desenvolvimento de uma escola real, com a diferença de que você não concretiza o projeto. Recomendo, é um exercício muito bacana."

CARNAVALIZE: Apesar de você ser do niteroiense, do Rio de Janeiro, sua consolidação aconteceu em São Paulo. Foi lá que você se viu pela primeira vez como um carnavalesco de verdade?

JORGE: "Foi, São Paulo foi o lugar que me deu esse reconhecimento através da Dragões da Real, que foi a primeira escola que me permitiu assinar um carnaval e reconheceu que eu tinha potencial para isso. Eu aprendi muito lá, o carnaval de São Paulo é um carnaval que é muito aberto a inovação e experimentação, então, para qualquer cabeça que esteja querendo se testar, São Paulo é um cenário pronto. Para mim, foi uma grande experiência porque pude me experimentar em várias possibilidades, me testar a fazer coisas maiores que as que eu já tinha feito, com projetos de maior envergadura, maior orçamento, com logística mais ampliada, que me moldou muito para eu chegar ao profissional que tento ser hoje. Tem semelhanças, tem diferenças, mas o amor ao samba é igual, não muda nada; as pessoas são tão apaixonadas pelo carnaval quanto são em Uruguaiana, em Vitória ou qualquer lugar do Brasil.

Jorge e os colegas que participaram da Comissão de Carnaval da Dragões

CARNAVALIZE: O trabalho com uma Comissão de Carnaval, a exemplo da sua experiência na Dragões da Real, é muito diferente de comandar um carnaval sozinho?

JORGE: "É bastante diferente, dá mais dor de cabeça (risos), isso porque você precisa discutir mais até chegar numa ideia. Lá funcionava melhor porque no formato que a gente tinha as funções eram claramente definidas: eu era o artista de criação, um era o que executava alegorias, outro cuidava de outra parte… obviamente, tudo surgia de um ponto inicial que era uma conversa coletiva, mas na hora do papel era eu e o papel, então ali eu resolvia e já encaminhava tudo pronto com as soluções para que as coisas fossem construídas. Dá mais dor de cabeça, mas tem a vantagem de você conseguir dividir o processo de criação, diferente do que eu faço hoje."

CARNAVALIZE: Agora pediremos para você traçar uma linha do tempo que levará até última pergunta. Você disse que ao ingressar na EBA sabia que seria uma experiência que enriqueceria seu conhecimento, independentemente do que caminho que vida te fizesse seguir, mas que também sabia que um dia gostaria de produzir para a festa, como bem falou, mesmo pelo exemplo que tinha do seu pai. Há um momento claro na sua mente em que você tenha sentido os olhos brilharem e marejarem, na época de assistente, de repente, e pensando que era aquilo que você realmente gostaria de fazer?

JORGE: "Eu lembro do dia em que isso aconteceu de fato. A ficha caiu definitivamente na minha cabeça no dia em que eu vi pela primeira vez, pessoalmente, na pista da Sapucaí, um carro alegórico que eu havia desenhado fazendo a curva e entrando. Quando eu observei, pela primeira vez, o colosso com luz, gente, a arquibancada dançando, eu pensei que todas aquelas reações haviam sido impulsionadas pelo meu ato inicial, eu falei: "nasci para isso". Foi o desfile de 2012 da Cubango, eu fiz os desenho para o Jaime Cezário e o enredo era o Barão de Mauá. Foi um ano marcante para mim, porque como o Acesso desfila primeiro, quando vi o abre-alas entrando foi emocionante, foi a concretude da ideia.



CARNAVALIZE: Vamos congelar o tempo. O que o Jorge Silveira, carnavalesco da São Clemente, a menos de dois meses da estreia pelo Grupo Especial do Rio de Janeiro, diria para o Jorge, de 2012, emocionado ao ver sua ideia concretizada pela primeira vez na Sapucaí, pela Cubango?

JORGE: "Nossa… foi a pergunta mais difícil que já me fizeram. Eu vou dizer para ele que ele seja forte porque essa opção vai testá-lo ao máximo em todos os aspectos da vida; ele vai ser cobrado, contestado e experimentado como nunca antes, mas que não desista porque ele vai realizar o maior sonho da vida dele se não desistir."



quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

CARNAVANÁLISE #14: Alcione e Mocidade Alegre, vai dar samba?!

Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.


"A Voz Marrom Que Não Deixa o Samba Morrer"
Mocidade Alegre
"Não deixe o samba morrer,
não deixe o samba acabar.
Na Mocidade vem ver o nosso povo cantar
a poesia sorriu ao falar de emoção
em sua voz, Marrom"
A Mocidade Alegre fez um dos mais bonitos desfiles de sua história contando o cinquentenário da escola em 2017. Infelizmente, não tivemos a sorte de tê-la entre as cinco que voltam na sexta-feira, entretanto, para 2018, voltar nas campeãs será pouco para a Morada do Samba. A escola de Solange Bichara contará a história da cantora Alcione, no enredo "A voz marrom que não deixa o samba morrer", assinado pela comissão de carnaval da escola.

Com Leandro Vieira na direção artística, a Mocidade tem como membros da comissão Paulo Brasil, Carlinhos Lopes e Neide Lopes. A equipe é a mesma que assinou o desfile do último carnaval da escola, trazendo uma 6ª colocação. Mantendo também Tiganá e Ito Melodia como interpretes oficiais, chegou a hora da maior campeã da década voltar aos bons resultados.

O samba: 
Com alguns membros da parceria conquistando o tricampeonato, Biro Biro, Gui Cruz e cia são os autores da obra que a Morada levará para o Anhembi em 2018. O samba foi aclamado durante a disputa da escola, sendo eleito com larga vantagem pelos segmentos da escola.

Na gravação oficial para o CD, entretanto, houve pequena queda no samba. Apesar da correta gravação da bateria Ritmo Puro e dos intérpretes, a percepção é de que o samba perdeu um pouco do brio, mas cabe o registro: os compositores capricharam na letra; destaca-se a sequência de versos "Mulher,/ toda forma de amar se traduz em você,/ o dom de tocar corações, encantar, provocar emoções/ 'À flor da pele' declama 'delírios de amor'".

A Mocidade Alegre é a terceira escola a cruzar o sambódromo do Anhembi no sábado de carnaval. Confira um trechinho da apresentação da escola no lançamento do CD:


CARNAVANÁLISE #15: botando tiê, tucano e arara pra voarem, a Imperatriz quer voltar pras campeãs


Por Vitor Melo
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.


"Uma noite real no Museu Nacional"
Imperatriz Leopoldinense
"Gira coroa da Majestade,
samba de verdade, identidade cultural.
Imperatriz é o relicário 
no Bicentenário do Museu Nacional"
Se algumas escolas vieram com um gostinho amargo da apuração do carnaval 2017, sem dúvidas, a Imperatriz está nesse grupo. Com um carnaval bastante subestimado pelas notas lidas na última quarta-feira de cinzas, a Rainha de Ramos viu seu desfile - muito elogiado pela crítica e público - não beliscar sequer um lugar no desfile das campeãs. Buscando esquecer o revés de outrora, a verde e branco da zona norte foi uma das escolas, que não sofreu com a frenética dança das cadeiras do pré-carnaval desse ano, mudando apenas o cargo da rainha de bateria com a saída da maravilhosa Cris Vianna.

Assinando seu quinto carnaval na agremiação - o quarto sozinho - Cahê Rodrigues aposta no enredo "Uma noite real no Museu Nacional". A abordagem temática consiste num passeio pela mais antiga instituição científica do Brasil e maior museu de história natural da América Latina, o Museu Nacional. Se existem boatos que a imperatriz Leopoldina, que morou na Quinta da Boa Vista com a família real, dá uma de "assombração" por lá desde sua morte, a Imperatriz vem, em 2018, querendo afastar o fantasma de 2017 e não ficar de fora, pelo menos, do sábado das campeãs, o que não acontecia desde 2010.

O samba:
Assinado pelo, agora, tetracampeão Jorge Arthur (2005, 2008, 2009 e 2018) com os parceiros Maninho do Ponto, Julinho Maestro, Marcio Pessi e Piu das Casinhas, o samba leopoldinense é aclamado, cada dia que passa, mais e mais pela crítica especializada e por nós, amantes da folia momesca. Com um enredo não tão fácil de ser colocado em samba, a composição conta com rimas inspiradíssimas e uma melodia para se deliciar, rodar e tirar todo ar possível dos pulmões pra cantar com os braços abertos.

Com uma das melhores gravações do ano, o samba continua na parte de cima dos rankings, que pipocam por aí nesse período pré-carnaval. O intérprete Arthur Franco, que estreou em 2017, defende a obra com maestria, dando mais força ainda pra faixa.

A Imperatriz Leopoldinense será a quinta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

#NATRAVE! Grandes desfiles que ficaram no quase


Por Alisson Valério e Bruno Malta
Ganhar o título de campeã de um carnaval não é fácil e no final das contas só uma vai vencer, mas isso não impede que nós tenhamos outros desfiles inesquecíveis naquele mesmo ano. Esse texto tem o propósito de exaltar desfiles que não venceram, muito pelo mérito das escolas que conquistaram os seus campeonatos merecidamente, mas que merecem ser lembrados e exaltados.

Preparados? Então partiu viajar por esses grandes desfiles que deixaram a sua marca no Carnaval de São Paulo.

Império de Casa Verde 2007 
Foto: Mastrangelo Reino/Folha Imagem
Vindo de dois títulos consecutivos o Império de Casa Verde entrou no Anhembi em busca do tricampeonato e levou para o sambódromo paulistano o enredo “Glórias e Conquistas – A Força do Império está no salto do Tigre”, da comissão de carnaval liderada por Renato e Márcia Lage. O enredo falava e contava a história dos grandes Impérios da história da humanidade e terminava no Império do Samba para celebrar uma era de conquistas. O desfile já começou de forma arrebatadora com a comissão de frente, que virou uma marca da escola nos carnavais dessa época, com uma fantasia luxuosa, impactante e com uma coreografia de muito bom gosto que foi executada perfeitamente. Isso se estendeu a toda parte plástica da escola, que contou com fantasias com requintes de luxo, sendo muito bem-acabadas, além dos carros gigantes, um show à parte. O samba, que tinha a cara da escola e do enredo, funcionou perfeitamente. Claro que isso se deve também a garra da comunidade da escola, da sua bateria fora de série e do interprete Carlos Junior, que deu um show com o seu time de canto. O título e o tricampeonato não vieram, por todos os méritos do desfile campeão da Mocidade Alegre naquele ano, mas a escola fez um desfile inesquecível para muitos e conquistou a quinta posição no Carnaval daquele ano.



Vai-Vai 2009
Foto: Sebastião Moreira/Efe
O Vai-Vai foi de corpo, alma e mente pura para o carnaval de 2009 em busca do bicampeonato. A escola levou para o Anhembi o enredo “Mente sã e corpo são”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinoza, que contava a história da saúde mundial, mas que também criticava a falta de saúde no nosso país: “Acorda, meu Brasil, a coisa por aqui já vai pra lá de mal...” como dizia o samba daquele ano. Samba que causou um verdadeiro sacode no Anhembi, de ponta a ponta, com o auxílio da pegada forte da bateria do Bixiga e do seu time de canto liderado por Carlos Junior. A comunidade não ficou atrás e deu o seu show característico, foi um banho de harmonia do Vai-Vai, como já é costumeiro.

O desfile chamou muita atenção pelo enredo crítico e pela mensagem forte, muito bem apresentada na avenida. Chico Spinoza esteve muito inspirado na parte plástica também, dando um toque especial ao desfile da escola. O título quase veio na última nota, mas a escola acabou ficando com o segundo lugar. A Mocidade Alegre foi a campeã dando aquele show particular que ela sabe fazer como ninguém. Antes mesmo do desfile, Spinoza já tinha dito que havia vencido o carnaval só de ter conseguido levar o enredo para a comunidade e passado várias informações sobre saúde. E o fato de ter feito isso com louvor no desfile também, apesar de não ter vencido, tornam esse desfile inesquecível na história do Carnaval de São Paulo. 



Acadêmicos do Tucuruvi 2013
Foto: Flávio Moraes/G1
Desde a chegada de Wagner Santos para a função de carnavalesco, o Acadêmicos do Tucuruvi vinha numa evolução gradativa em busca do sonho de ser campeão. Em 2013, a azul e branca encantou o Anhembi com seu belíssimo desfile sobre Mazarropi. O enredo que falava do eterno caipira era muito delicado na abordagem e deixou o público boquiaberto pela sensibilidade. Com lindas alegorias e fantasias, a escola da Zona Norte emocionava quem assistia. Além do bom enredo e do ótimo conjunto visual, o samba conduzido pela primeira - e única vez na escola - por Igor Sorriso era brilhante. Com versos doces e divertidos, a obra ainda fazia referência a Dona Edna, esposa do presidente da escola, que faleceu na preparação do Carnaval daquele ano. Era de arrepiar! A Mocidade Alegre, com todos os seus méritos e sua competência habitual nos quesitos, venceu o campeonato de maneira justa, mas a lembrança eterna do Carnaval 2013 é do Zaca! A escola encontrou o seu final feliz.



Mocidade Alegre 2015
Foto: Caio Kenji/G1
Tricampeã entre 2012 e 2014, a Mocidade Alegre entra em 2015 diferente do que estava acostumada. Com muita expectativa e o sonho do inédito tetra, a Morada apostou em Marília Pêra para seu enredo, sendo uma aposta certeira. Com muita beleza, os carnavalescos Sidnei França e Márcio Gonçalves apresentaram um dos mais brilhantes trabalhos plásticos que o Anhembi já viu. O enredo foi brilhantemente contado não apenas na plástica, mas também no ótimo samba da escola que foi defendido com a competência habitual pelo intérprete Igor Sorriso e por toda comunidade do bairro do Limão. O tetra escapou nos detalhes e a escola terminou em segundo, o que reafirma o mérito da grande campeã Vai-Vai que levou uma belíssima homenagem a Elis Regina para o sambódromo naquele ano, emocionando, inclusive, Marília Pêra. Por tudo isso, temos que aplaudir essa mulher guerreira que fez a Mocidade ser Marília Pêra.

https://www.youtube.com/watch?v=DiRljDoAox8


Dragões da Real 2017

Foto: Alan Morici/G1
A Dragões da Real é a escola mais jovem do Grupo Especial. Fundada em 2000 e integrante da elite desde 2012, a Tricolor só evolui desde então e sonha com o inédito título que bateu na trave em 2017. Com um enredo sobre a música "Asa Branca" de Luís Gonzaga, a escola da Vila Anastácio fez um verdadeiro espetáculo no Anhembi. A história proposta pela escola era bem elaborada e foi muito bem retratada pelos belos carros e fantasias que faziam parte do conjunto plástico da escola. Ademais, o samba da escola, defendido por Renê Sobral e seu carro de som, era lindíssimo e encantava o público que cantava junto dos componentes ao som da cadenciada bateria Ritmo que Incendeia, que deu um show na apresentação da escola. O resultado da apuração apontou um empate entre Tatuapé e Dragões, onde a primeira se sagrou campeã no quesito desempate samba-enredo. Por ter feito uma apresentação irretocável, os méritos da inédita campeã são enormes e merecem ser exaltados, mas o empate na pontuação mostra que a Dragões fez uma apresentação fantástica. 



Além das apresentações citadas que marcaram a história do Anhembi, também temos as duas "quase-campeãs" na era do sambódromo. Em 2002, a X-9 Paulistana, falando sobre o papel, fez uma apresentação irretocável e conseguiu a pontuação máxima do júri. Só que a escola da Parada Inglesa estourou o tempo e perdeu 6 pontos, terminando, apenas, em 9º lugar na classificação final. Sem o estouro, a X-9 seria a campeã dividindo o título com os Gaviões da Fiel com 200 pontos. Em 2013, algo parecido aconteceu com o Águia de Ouro. A escola da Pompeia, que levou João Nogueira para a pista. fez uma incrível apresentação e conseguiu uma pontuação perto da perfeição para o júri (269,8 de 270 possíveis), mas o estouro de 1 minuto e a punição em 1,1 fizeram a escola da Zona Oeste terminar em terceiro lugar atrás da campeã Mocidade Alegre por dois décimos. Sem o estouro, o Águia teria vencido o Carnaval com nove décimos de vantagem para a segunda colocada.

Falar de outros desfiles que marcaram um Carnaval mesmo sem vencer só mostra e exalta o equilibro do Carnaval de São Paulo e não desmerece aquele desfile que venceu aquela disputa, mas sim reafirma a força e competência da apresentação do desfile campeão daquele ano. A coluna de hoje termina aqui, mas fique de olho no site para conhecer ainda mais do Carnaval do Anhembi nas próximas semanas!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

CARNAVANÁLISE #13: Crítica, Beija-Flor vem em busca do título

Por Beatriz Freire
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

"Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu"
Beija-Flor de Nilópolis
"Ó, Pátria Amada, por onde andarás?
Seus filhos já não aguentam mais
Você que não soube cuidar, você que negou o amor
Vem aprender na Beija-Flor"
Depois da viagem ao Ceará para contar a história de Iracema, a tribo Beija-Flor embarca numa crítica social com o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar: os filhos abandonados da Pátria que os pariu", ideia de Marcelo Misailidis, que hoje comanda a Comissão de Frente da escola. O enredo faz um link com os 200 anos do livro Frankenstein, de autoria da britânica Mary Shelley. O carnaval de 2017, com as ideias de grupos cênicos e ausência de um padrão de fantasias e alas, beliscou um morno 6º lugar, que mesmo assim valeu pela inovação, ainda que sem completo êxito. 

De página virada, a maravilhosa e soberana de Nilópolis conta com a volta de Cid Carvalho, mais um protagonista do vai-e-vem que ocorreu no pós-carnaval. A grande expectativa ficará, mais uma vez, pela dúvida de como será a estética do desfile e se podemos ousar pensar em uma aproximação que pelo menos tangencie o conceito de Ratos e Urubus, magnífico carnaval de 1989, assinado por Joãosinho Trinta. 

O samba:

A disputa nilopolitana sempre conta com nomes de peso e dificilmente não rende um bom samba, sempre pronto para a voz incomparável de Neguinho da Beija-Flor (o que fica explícito por Laíla como condição de escolha desde o início da disputa) e para a comunidade, que abraça e berra os hinos que vão para a Avenida. A parceria de Claudio Russo mobilizou uma grande torcida mas acabou eliminado antes da final, que consagrou a parceria de Di Menor e seus companheiros como a grande campeã. A gravação do CD beneficiou bastante o samba, que é denso e tem uma mensagem forte, sendo uma das melhores gravações e emocionando a muitos. 

A Beija-Flor encerra o carnaval, sendo a 6ª escola a desfilar na segunda-feira.

CARNAVANÁLISE #12: Pisa fundo, Roseira! Azul e rosa vem contar a saga dos caminhoneiros

Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

Pelas Estradas da Vida, Sonhos e Aventuras de um Herói Brasileiro"
Rosas de Ouro
"Lá vou eu nas curvas desse meu Brasil
levando na boleia a flor,
razão do meu viver, vou te emocionar
quando a Roseira passar"
A Roseira, após a 5ª colocação conquistada no último quesito em 2017, quer repetir a dose e , quem sabe, buscar voos maiores no próximo carnaval. Para isso, a escola presidida por Angelina Basílio manteve a base do elenco, tendo como carnavalesco André Machado. 


A azul e rosa virá ao Anhembi como sexta escola de sexta-feira trazendo o enredo "Pelas estradas da vida, sonhos e aventuras de um herói brasileiro", uma ode aos caminhoneiros. O tema é patrocinado e transpassará a saga dos motoristas que percorrem as estradas, contando as dificuldades, a religiosidade e a volta pra casa dos 'heróis brasileiros'. 

O samba:
De autoria de Aquiles da Vila, Guiga Oliveira, Fabiano Sorriso, JC Castilho, Marcus Boldrini, Salgado Luz, Rafa Crepaldi, Rapha SP e Vaguinho pelo segundo ano seguido, a obra tem uma melodia inusitada, o que conquistou os componentes da escola na disputa e, seguidamente, nós, amantes do samba. 

Na gravação do CD, além de Royce do Cavaco, Mônica Soares interpreta o samba. Há, também, a participação da dupla Maiara e Maraisa na introdução do registro. Apesar de acelerado, constata-se que o samba funcionou perfeitamente com o andamento mais 'pra frente'. Veja abaixo um trechinho da apresentação da escola no lançamento do CD: 


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

CARNAVANÁLISE #11: Grande Rio e a busca pelo tão sonhado trono

 
Por Beatriz Freire
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

Depois do banho de axé que derramou e da poeira que levantou na Avenida, a escola de Caxias roda e avisa: a Grande Rio é o cassino do Chacrinha.

"Vai para o trono ou não vai?"
Acadêmicos do Grande Rio


“Vem chacrete o bumbum rebolar
Eu vou brilhar na TV, ouvir de novo dozer
‘9h Terezinha, oh Terezinha, 
vai começar mais um cassino do Chacrinha’”
Assim como as demais co-irmãs, a dança das cadeiras na tricolor não foi diferente; o carnavalesco Fábio Ricardo pegou a estrada para Madureira e o casal Lage, que até então esteve por quase 15 anos no Salgueiro, assumiu o carnaval caxiense. Homenageando o Velho Guerreiro, a Grande Rio promete ir pro trono, buscando não apenas o desfile das campeãs mas, sim, o tão sonhado campeonato. A grande expectativa é ver como Renato, o high-tech, e Márcia Lage desenvolverão esteticamente um desfile com diversas soluções possíveis e, mais ainda, como será a parceria da dupla com um outro casal que causa alvoroço pelas Comissões de Frente: Priscila Motta e Rodrigo Negri, que desde 2015 comandam o quesito de Caxias.

O samba:
Se o troféu abacaxi tivesse que ser dado para um quesito, dificilmente ele não seria o de samba-enredo. A parceria escolhida não agradou tanto e está no final do ranking de muitos foliões dos sambas do Grupo Especial. Emerson Dias, porém, reafirma seu talento a cada ano e deu um toque mais animado e mais agradável de ouvir a gravação do CD, que também contou com a bateria do mestre Thiago Diogo mais pra frente, o que é natural pela animação do samba e pela letra pouco poética, que não se sustentaria num andamento normal. A expectativa é que a Invocada se recupere das notas baixas que levou em 2017, com o carnaval que homenageava Ivete Sangalo.

A Grande Rio será a quinta escola a desfilar no domingo.
E pra você, Terezinha? A Grande Rio vai pro trono ou não vai?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

CARNAVANÁLISE #10: Império de Casa Verde vai à luta com grandes atributos

Por Felipe de Souza
O carnaval de São Paulo, inegavelmente, é um dos que mais cresce e ganha espaço no Brasil. Apesar disso, é impossível ignorar a relevância que a festa momesca tem em terras cariocas. Para ilustrar tamanho crescimento da folia e a união entre os carnavais, Felipe de Souza, Beatriz Freire e Jéssica Barbosa se reuniram para detalhar samba e enredo das 27 escolas que passarão pelo Anhembi e pela Marquês de Sapucaí em 2018. Os textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas, seguindo o resultado do último carnaval.

"O Povo, a Nobreza Real"
Império de Casa Verde
"Meu Império é amor, tem a força pra vencer.
Tigre guerreiro não cansa, 
vai à luta de novo.
Teu sangue azul é a cara do povo"
Alô Tigre! Quarto colocado em 2017, o Império de Casa Verde manteve a base de sua equipe para o carnaval 2018. Capitaneada por Jorge Freitas, a escola quer brigar novamente pelo título.

Sem ter divulgado a sinopse ao público, a azul e branca traz o enredo "O povo: a nobreza real", que conta a história da Revolução Francesa, movimento que teve participação central da burguesia e dos menos abastados em busca da equidade entre as classes. Como fio condutor do enredo, a revolução deságua no Brasil, em meio ao caos político.

O samba:
No Império, 14 parcerias se inscreveram para a disputa de samba para o próximo carnaval. Os vencedores foram Jairo Roizen, Thiago Sukata, Godoi, Luciano Godoi, Claudio Mattos, Tavares, Tubino, William Lima, Meiners e Victor Alves, com um samba com belíssimos momentos. A melodia agradável também é um ponto positivo da obra escolhida pelo Tigre para o próximo cortejo.

A gravação do CD, comandada por Carlos Júnior, em grande fase, teve a participação de Edi Rock, do Racionais MC's na introdução. Com atuação correta da Barcelona do Samba, o samba teve uma crescente em relação às disputas. Destaco, na obra, os versos "No 'Reino das Regalias'/ A poesia é nossa arma pra lutar/ Contra o carrasco da injustiça", que reflete muito bem a proposta do enredo.

O Império de Casa Verde será a segunda escola a desfilar no sábado. O Tigre guerreiro vai à luta de novo. Será que chegou a hora?!

QUASE UMA REPÓRTER: a estrela em ascensão do carnaval, Grazzi Brasil

Por Juliana Yamamoto
Olá, seguidores do Carnavalize, tudo bom? Hoje a entrevistada do site é uma das maiores revelações do carnaval de 2017 e a voz oficial da Escola do Povo, Grazzi Brasil!

Eu sempre quis entrevistar a Grazzi e após muitos pedidos, finalmente consegui realizar esse desejo. Desde o momento que ela ganhou notoriedade nas eliminatórias do Vai-Vai pro carnaval 2017, eu já a admirava e considerava ela um talento nato. Tive a oportunidade de fazer uma mini entrevista após o desfile das campeãs e agora uma entrevista mais longa e sem dúvidas, melhor e mais completa. 

Grazzi Brasil iniciou no mundo do samba através do convite do seu amigo Jorginho Soares, o qual é muito grata. Fez parte do time de canto da parceria do Zeca do Cavaco nos sambas concorrentes nos anos de 2015 (Elis Regina) e 2016 (França). Desde 2017, ela faz parte do carro de som da Escola do Povo e em 2018, será a primeira mulher intérprete oficial na história da Saracura. Muita responsabilidade, né? Mas além disso, ela estará no carro de som do Paraíso do Tuiuti do Rio de Janeiro. Olha só que voos altos, a nossa querida vem fazendo. Durante a entrevista, Grazzi comentou tudo isso e também falou suas expectativas pra 2018. Também abordei sobre o machismo no mundo do samba - se a própria sentiu isso - e como ela se vê como exemplo para outras meninas que queiram ser intérpretes. A sua representatividade e imagem para outras mulheres alcançarem o seu espaço numa escola de samba. 

Também citou as referências que ela tem na função de intérprete! Tem Wander Pires, Nino do Milênio, Diego Nicolau... Agora, pra você saber melhor de tudo isso, só ouvindo a entrevista que me fez conhecer ainda mais de uma das maiores revelações do Carnaval brasileiro nos últimos anos. 

Quero agradecer a Grazzi e assessoria do Vai-Vai, Mauricio Coutinho, pela atenção comigo em nome do Site Carnavalize. Muito obrigada pelo carinho e pelo tempo disponibilizado!

"Saracura! A Vai-Vai do meu coração! Simbora, Escola do Povo".

OUÇA A ENTREVISTA ABAIXO: