terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Carnavalizadores de Primeira: A sublime arte de grandes porta-bandeiras


por Leonardo Antan





"Suor pela arte em defesa das cores
Sustentando estandartes de tantos amores"


Momento mágico do desfile, o bailado do mestre-sala e porta-bandeira carrega um simbolismo dos maiores dentro do cortejo de uma escola de samba. As nobres damas que ostentam seus pavilhões se tornam verdadeiras deusas entre rodopios e sorrisos, para homenagear essa nobre arte fizemos uma lista com grandes mulheres que riscaram o chão da avenida e eternizaram seu nome por lá, venha conferir:

1 - Dodô 


Figura lendária do pantheon portelense, nossa eterna Dodô faleceu às vésperas do carnaval de 2015, deixando muita saudade e um enorme legado na escola. Mas muito antes de ser figura marcante e encantar a Sapucaí sempre no chão, trajada elegantemente e até como madrinha de bateria em 2004 ao lado da rainha, à época, Edicléia das Neves. Dodô da Portela foi a pioneira no bailado e na ginga portelense, estreou junto com o primeiro título da escola de Madureira, lá em 1935, considerado o primeiro desfile oficial, organizado pela prefeitura. A jovem menina tinha apenas 15 anos quando ganhou a responsabilidade de ostentar o imponente pavilhão da Majestade do Samba, teve, até que que enganar o juizado e afirmou ter 19 para que pudesse desfilar. Conduziu o estandarte azul e branco no lendário heptacampeonato da escola e ficou na função por mais de vinte anos, saindo apenas em 1957 para dar lugar a outra lenda... Um certo cisne!


2 - Neide


No morro mais verde-e-rosa do carnaval, não faz tanto tempo, foi cantado, em 2015, que mulher de Mangueira, mulher brasileira vem sempre em primeiro lugar! E não podia haver outro lugar para surgir outra deusa da ginga do samba. Parceira histórica do eterno mestre-sala Delegado, Neide fez história na Estação Primeira. Estreou em 1954 e, rapidamente, a raça e elegância do casal souberam traduzir toda a força e imponência verde-e-rosa, marcando na história a força do bailado mangueirense. Sempre impecável, desenvolveu uma maneira própria de bailar, com muitos rodopios inesperados, que a faziam girar e girar de um lado para o outro com o  mastro sempre apontando para o alto. Na década de 60, rivalizou com Vilma o posto de maior da avenida. Sua despedida foi tão linda quanto triste, sofrendo de um câncer no útero, a bailarina escondeu a doença por quatro anos, desfilando cada vez mais magra. Chegou ao ponto de ter de pedir para reduzirem o peso de sua fantasia pois já não aguentava os quilos do traje. É, não é de hoje que as roupas são pesadas. Numa daquelas ironias que o destino nos prega, em 1980, último ano dela na avenida, o quesito mais nobre da festa havia sido eliminado do julgamento. 


3 - Mocinha 




 
A Mangueira é tão enorme que não cabe apenas uma, mais duas lendas na defensa de pavilhão de cores tão famosas. Rivailda do Nascimento, a Mocinha, nasceu e cresceu na lendária comunidade, teve como inspiração sua tia, que era porta-bandeira nos primeiros anos da agremiação na folia, lá nas décadas de 1930. Com uma história atípica, Mocinha teve uma longa trajetória até defender as cores da primeira estação do samba. Estreou em 1939, ao treze anos, como segunda porta-bandeira. O destinou a afastou da escola, só a fazendo retornar anos depois em 1960 como QUARTA porta-bandeira (sim, existiam quatro casais). Com seu talento, logo alcançou o posto de segunda defensora do pavilhão e foi como segunda que fez história enquanto Neide bailava como a estrela maior. Em 67, ao assumir o posto de porta-bandeira principal, não se bicou com o lendário mestra-sala Delegado, voltando ao segundo lugar no ano seguinte, onde permaneceu por mais de uma década. Em 1980, aos 54 anos fez história ao ganhar a premiação maior do Estandarte de Ouro de melhor porta-bandeira mesmo como segunda. No ano seguinte com o falecimento de Neide, ela assumiu o protagonismo absoluto. Participou dos lendários campeonatos de 1984 (Braguinha), 1986 (Caymmi) e 1987 (Carlos Drummond de Andrade). Se despedindo em 1988 com 62 anos. Tornou-se baluarte do pantheon mangueirense e faleceu em 2002, aos 76 anos, conquistando tantas estrelas ao pavilhão que amou, tornou-se mais uma delas não só no céu, mas no imaginário de cada um de nós.

4 - Vilma


A Cisne da Passarela, citada no primeiro texto, traduziu em seu bailado a elegância, requinte e esplendor tão característicos na escola de Oswaldo Cruz e Madureira. Vilma teve uma história de resistência até chegar ao posto que lhe consagrou, ela saía na União de Vaz Lobo e não queria largar a escola no segundo grupo. Foi só com a insistência de Natal, seu sogro, e um pedido feito por Dodô que assumiu o posto. Vilma e a Portela eram dois bichos papões da folia que, à época, davam as cartas na folia. Desde de 1957 permaneceu como defensora maior do pavilhão portelense até o início de 1970, se afastando junto a Natal, envolvido com problemas com o governo militar. Continuou saindo como destaque e na década seguinte participou da fundação da Tradição, juntos com outros bambas, defendeu o pavilhão do Condor de Campinho de 1988 a 1993.

5 - Maria Helena


Uma rainha em Ramos. A própria tradução da Imperatriz: a elegância, a graça, o sorriso largo. A história dos guardiões do pavilhão passam por um casal único, em vários sentidos, na tradição carnavalesca, uma mãe e seu filho reinaram soberanos durante 23 anos no brilho do verde, branco e ouro de Ramos. Com uma história de superação longa, Maria Helena emergiu vindo do interior de Minas Gerais, encantou-se com o bailado dos lendários Neide e Delegado e ao ver a dança dos dois, cravou seu destino. Começou como porta-estandarte de pequenos blocos, estreando no baticumbum das escolas nos anos 70 na Unidos da Ponte. Após se mudar para o Complexo do Alemão, estreou na Imperatriz em 1977, ficando apenas um ano e se mudando para União da Ilha durante 80 e 81. Voltando em 83, permaneceu até 2006 após um afastamento polêmico com 60 anos de idade, deixando no currículo mais de seis títulos conquistados. 

 6 - Rita 


Quando o Salgueiro perdeu o protagonismo da folia no final da década de 1970 para dar espaço ao surgimento de outras grandes escolas, as chamadas 3 irmãs, uma porta-bandeira roubou para si os holofotes da vermelha e branco da Tijuca. Revolucionária, Rita chegou na Academia em 1982 após um concurso já sacudindo as estruturas do bailado tradicional do casal mais nobre da folia e quebrando paradigmas. Branca e de classe média, formada em Educação Física, sua presença causou estranhamento. Além dos clássicos rodopios, Rita incorporou ao bailado mais movimentos corporais, muito movimentos de braços e coreografias com seu parceiro, garantido uma sequência de notas 10. Rompeu com a Academia pela primeira vez em 1986 após um desentendimentos com a diretoria da escola. Voltou, de forma triunfal, anos depois em 1991, quando faturou um Estandarte no lendário desfile sobre a Rua do Ouvidor, estreando com novo parceiro: Ronaldinho, que também faria história na Academia. Em 93, se mudaria para novata Grande Rio com promessa de cachê milionário pra época. Passou ainda pelo Império Serrano na segunda metade na década de 1990, sendo premiada pelo chamado Oscar do Samba em 96 e 99 na Serrinha, onde conseguiu apoio para realizar um sonho de abrir uma escola de casais, perpetuando o bailar em forma de arte para novos sambistas.

7 - Selminha 


Por insistência da mãe, começou como passista na Unidos de Lucas, mesmo que ser porta-bandeira fosse seu sonho e do que despertasse, de fato, sua paixão. Seguiu, fazendo shows pelo mundo, chamava atenção pelo corpo magro e esguio. Em 1989, após a porta-bandeira do Império se acidentar, ganhou o concurso para assumir o posto, dando trabalho para o professor e parceiro Claudinho (não o atual, mas um homônimo) transformar a passista em porta-bandeira. Nos primeiros anos não se destacou e ainda sofreu um verdadeiro "atropelamento" com o pavilhão do Império Serrano num desastroso desfile sobre caminhoneiros, com uma fantasia para lá de conceitual cheia de referências ao automobilismo. Para 92, mudou para a Estácio e encontrou seu parceiro de avenida para sempre, Claudinho. Com garra, os dois participaram do histórico título da escola na homenagem ao "modernismo movimento cultural". Permaneceu em São Carlos até despertar a atenção de Laíla e ser convidada para a Beija-Flor. Em 2003, decidiu realizar um pedido frequente de Laíla e desfilou no inicio da escola alterando de vez a história do bailado e sua posição no cortejo carnavalesco. Com um dos sorrisos mais bonitos da Marquês de Sapucaí e um bailado inconfundível, Selminha é a maior vencedora viva do Estandarte de Ouro com impressionante 6 prêmios, equiparando-se apenas ao nosso eterno mestre Jamelão.

8 - Lucinha Nobre


Uma trajetória marcada por uma estrela, um pavão e uma águia. Por onde passou, Lucinha Nobre fez história honrando o pavilhão que carregava na cintura, consagrando como poucas a ousadia e tradição. Embalada por uma família de sambistas, como o irmão Dudu, Lucinha é cria do samba e participou da criação das escolas mirins em 1984 e logo se tornou PB da Estrelinha da Mocidade. Com seu notável talento, em 1989, logo aos 13 anos virou a segunda defensora do pavilhão faturando o Estandarte de Revelação. Com a gravidez da também enorme Babi, que fez história na Mocidade e hoje é casada com o bamba, Arlindo Cruz, Lucinha a substituiu em 92, assumindo o posto definitivamente em 94. Em 1997, bancou uma briga ao querer mexer com a roupa do casal. No enredo sobre o Corpo, saiu de bailarina, apenas com um tutu representando o Lago do Cisnes. Também foi uma das responsáveis pela profissionalização do nobre cargo, cobrando para exercer seu bailado. Saiu de cena na estrela em 2001 para brilhar junto ao pavão. Com o furacão Paulo Barros, ela se tornou uma das pratas do Borel e um dos quesitos garantidos de bons resultados da escola. Em 2010, se mudou para a Portela e em Madureira foi abraçada pela azul e branco. Mesmo com uma passagem curta de três carnavais apenas, marcou seu terreno na terra de Dodô e Vilma.

 

9 - Maria Gilsa 


A representante paulista na nossa lista é Maria Gilsa, bailou e encantou o Anhembi numa trajetória longa, por mais de 35 anos. Dançou na Tucuruvi, X9 Paulistana, Rosas de Ouro, entre outras. Mas marcou história mesmo na Roseira, onde ficou por 14 anos. Mais uma mestra do gingado que o sorriso escondeu uma história de superação. Aos nove anos, trocou Ipiaú (BA) por São Paulo em um pau-de-arara, para trabalhar como doméstica. Foi aos 21 que virou porta-estandarte na Primeira do Itaim; depois, na Acadêmicos do Tucuruvi e na X-9. Em 1995, chegou à Rosas de Ouro, onde foi primeira porta-bandeira e ganhou, como poucas, o pavilhão com seu nome bordado. Morreu domingo, aos 57 anos, de infarto. Foi casada com o diretor de harmonia da Unidos da Vila Maria e tinha, na Mocidade Alegre, filho sambista e filha porta-bandeira. Deixando como legado a grande Adriana Gomes, que reinou na Morada de 2003 a 2012. 

"Mas é claro que existe a mão divina a conduzir Esse samba bailado em cortejo na Sapucaí Entre sorrisos e lágrimas Vamos aplaudir"


A elegância marcada nos gestos e na roupa, nossa lista foi apenas uma singela homenagem às grandes mestras na arte de defender o pavilhão. Optamos por incluir, as que julgamos, mais importantes para história que representaram marcos nessa nobre arte da folia. Seja pela inovação no bailado, longa carreira ou número de estandartes. O que não nos faz esquecer de nomes atuais, que fizeram e fazem história diariamente: 

- Giovanna, verdadeira herdeira de Neide e Mocinha no pavilhão verde-e-rosa, brilhou anos na Estação Primeira até se mudar para a Tijuca e ser campeã no emblemático ano do "Segredo".



- Marcela Alves, atualmente no Salgueiro, mas já brilhou na Mocidade e na Mangueira. Multi campeã do Estandarte de Ouro.



- Squel Jorgea, que reinou anos na Grande Rio até se transferir para Mocidade. E então vem reinando na verde-e-rosa onde fez história ao desfilar careca. Vale lembrar que tem o samba no sangue, sendo neta de Xangô da Mangueira. 


- Rute Alves será para sempre Vila Isabel, acompanhou a escola no acesso e brilhou junto com a azul e branco de Noel na volta para o especial, onde embalou os títulos de 2006 e 2013. Está atualmente na Tijuca desde 2014.


- A já citada Babi, que brilhou na Mocidade em vários campeonatos da estrela. 

- Dóris, soberana de Nilópolis, antes de Selminha o pavilhão azul e branco já havia sido levado por nobres mãos. 


- Ana Paula, sempre ao lado de seu marido e fiel companheiro Robson, que fizeram história em várias escolas. 


- A também já citada Adriana Gomes, filha de Maria Gilsa, ficou na Mocidade Alegre de 2003 a 2012.

- Karin Darling bailou mais de trinta anos defendendo o pavilhão da Leandro de Itaquera, fundada pelo seu pai. 


- Sueli Riça embalou uma história em azul e rosa em São Paulo, na Rosas de Ouro.


Referências: Toda a história de algumas das porta-bandeiras citadas, você pode conferir no livro "Porta-Bandeiras: onze mulheres incríveis do carnaval carioca", de Aydano André Motta, no qual esse texto se baseia.  









segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

QUASE UMA REPÓRTER: Zé Paulo Sierra, intérprete da Viradouro



Olá, seguidores do Carnavalize!

Hoje continuaremos com a ponte aérea Anhembi-Sapucaí e Sapucaí-Anhembi – que eu sei que vocês estão curtindo – e o entrevistado de hoje é o intérprete da Unidos do Viradouro, Zé Paulo Sierra.

Zé Paulo tem uma forte história no carnaval, com passagens por várias agremiações como Caprichosos de Pilares e Mangueira, o intérprete também se destaca como compositor sendo vencedor em várias escolas, inclusive em São Paulo.


Na entrevista pude saber um pouco sobre o início da sua carreira, em que Zé Paulo sofreu muito, sendo chamado várias vezes de “cantor de pagode” em tom depreciativo. Também perguntei sobre o processo de composição de samba-enredo e curiosidades sobre as obras vencedoras na Nenê de Vila Matilde e Unidos de Vila Maria – que para quem não sabe Zé Paulo foi um dos compositores.

Também perguntei algo que com certeza muitas pessoas gostariam de perguntar para os interpretes: o modelo de disputa das eliminatórias dos sambas. A favor ou contra? Mudaria alguma coisa? Foi muito interessante ver a visão e opinião de uma pessoa que está presente nesses concursos. 



Óbvio que teve aquelas perguntas clichês porque sou uma pessoa muito curiosa, como por exemplo os intérpretes favoritos e que serviram de inspiração e também seus sambas-enredos favoritos, tanto de São Paulo como Rio de Janeiro - inclusive fizemos uma playlist com os três sambas citados por ele, que vale a pena escutar, principalmente da Cabeções de Vila Prudente de 1981 que não conhecia até ele indicar e que posso dizer com toda certeza: é um samba maravilhoso.

Confira a playlist: aqui

Espero que curtam a entrevista, agradeço ao Zé Paulo pela disponibilidade e por ter sido muito gentil e simpático comigo – desejo todo sucesso do mundo para você e sou muito sua fã – e também agradeço aos leitores que sempre me acompanham.

Um beijo da sua, da nossa Quase Repórter!


Confira a entrevista na íntegra:



Na Tela da TV: A TV no carnaval


Até agora, aqui na coluna, nós temos falado muito sobre como a TV “vê” o carnaval. Já falamos do carnaval nas novelas, da cobertura carnavalesca de algumas emissoras, entre outras coisas. Mas, nessa semana, inverteremos: mostraremos um pouco de como o carnaval vê a TV e seus artistas. É claro que seria impossível falar de todos os desfiles que já falaram sobre TVs, atores, apresentadores, comunicadores e afins. Por isso, fiz um apanhado geral e separei 6 desfiles que, para o bem ou para o mal, não passaram em branco ao abordar este tema.

Temos clássicos desfiles que falaram sobre personalidades bem ligadas à TV, como a homenagem que a Mocidade Alegre prestou, em 2015, à multitalentosa Marília Pera, fatidicamente no ano da sua morte. Teve também espaço para desfiles que falaram sobre a própria televisão, como aquele ponto de luz na imensidão que a Beija-Flor cantou em 1992. E não faltou espaço para as novelas, homenageadas pela São Clemente em 2013.

Unidos do Viradouro - 1991

Um dos desfiles mais memoráveis da escola de Niterói, o enredo que homenageava a saudosa e eterna Dercy Gonçalves entrou pra história por diversos motivos. Primeiro porque era a estreia da Viradouro no Especial. E, no grupo, ela ficaria ainda por muitos anos. Segundo porque o samba é considerado um dos melhores da história da agremiação. E terceiro porque, bem, Dercy é Dercy. E, pra provar essa máxima, ela já chegou na Sapucaí abaixando o seu vestido e deixando seus seios à mostra, fazendo com que essa imagem entrasse para a história do carnaval.

O desfile, desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes, contava a história de vida de Dolores Gonçalves Costa de forma tradicional. A homenageada veio logo no abre-alas. O detalhe é que, à época do desfile, ela estava com a bacia quebrada, mas mesmo isso não a fez perder a animação. E deu certo para a escola, que ficou na 7ª colocação naquele ano.


Beija-Flor de Nilópolis - 1992 

“Olê, lê, ô, vamos cantar, é a TV anunciando: a Beija-Flor está no ar”. Poderia fazer parte do samba-enredo da Beija-Flor em 2014 (e já falamos sobre Boni aqui), mas vem de muito antes. Este é um trecho do samba que a escola de Nilópolis levou pra Sapucaí em 1992, do enredo “Há um ponto de luz na imensidão”, do carnavalesco Joãozinho Trinta.

Nesse ano, a Beija-Flor buscava o título contando a história da televisão. Assim começa a sinopse deste enredo: “Cintilantes pontos de luzes irradiam-se pelo espaço. Uma caixa mágica transforma esta energia luminosa em imagens. É a televisão”. Para contar essa história, apostou-se muito em elementos futuristas, num desenvolvimento do enredo que não agradou muito, bem como o samba, que não conseguiu se sustentar. Além disso, a escola perdeu pontos por levar nudez à Avenida, pois dois integrantes saíram apenas com pinturas corporais.

Por isso mesmo, foi um desfile que a comunidade nilopolitana prefere esquecer. Amargou um sétimo lugar, pior colocação da escola desde 1975, que só viria a ser igualada em 2014, com um enredo que muito se comparou a este, inclusive.


Tradição - 2001

Hoje, a Tradição está na Série B (terceira divisão do carnaval carioca), mas um dos desfiles mais memoráveis do condor, ainda quando a escola estava no especial, foi o de 2001, no qual a agremiação falou sobre um dos maiores comunicadores e apresentadores da história do Brasil: Silvio Santos. O enredo, de nome “Hoje é domingo, é alegria. Vamos sorrir e cantar”, teve um desenvolvimento bem clichê. Começou contando a história dos pais de Silvio, depois o começo dele como camelô, a rádio, a TV, os programas inesquecíveis, a Tele-Sena, o Baú da Felicidade, enfim, de tudo um pouco. Por fim, a escola "ofereceu" um Troféu Imprensa a Silvio.

O desfile foi um dos mais festejados da escola, senão o mais (em questão de audiência, por exemplo, foi o mais assistido daquele ano, segundo a Folha, com 39 pontos). A escola distribuiu camisas, máscaras do Silvio Santos, bandeirinhas, o que fez com que a agremiação, que colocou o homenageado já no abre-alas (Hebe, por exemplo, veio no último carro), fosse recebida com muito entusiasmo, impulsionada pelo animado samba (“Vamos cantar, vamos brincar, vamos sorrir, é domingo, é alegria, Silvio Santos vem aí”).


Nenê de Vila Matilde - 2007 

A Nenê não vinha de um bom carnaval em 2006, quando amargou a 11ª colocação do carnaval. Então, para 2007, decidiu falar de uma figura muito importante da comunicação no país, João Jorge Saad. Saad é o fundador do grupo Bandeirantes de comunicação.

O desfile, do carnavalesco André Machado, cujo nome do enredo foi “A Águia radiante com o pioneiro das comunicações: João Jorge Saad - 70 anos de conquistas e realizações”, foi bem tradicional, respeitando o azul e branco da escola e contando com alegorias dedicadas ao rádio, inclusive com referências à primeira transmissão da rádio do carnaval de São Paulo, e à TV. O samba não é dos mais elogiados da escola, mas cumpriu seu papel e passou muito bem. É sempre bom lembrar que a Nenê ainda era uma grande potência na época. Não que hoje não seja, pois sua história jamais será apagada, porém a escola, a comunidade e a arquibancada não são mais as mesmas.


São Clemente - 2013 

Tentando se firmar no Grupo Especial de vez, para 2013 a São Clemente decidiu fazer um desfile falando sobre uma das maiores paixões nacionais, as novelas. Desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo e cercado de expectativas, o enredo, de nome “Horário Nobre”, foi uma grande mistura de personagens e novelas clássicas. No desfile, isso foi perceptível já na comissão de frente, que trazia Tieta, Carminha, Dona Redonda, Escrava Isaura, Viúva Porcina, Odete Roitman, entre outros personagens clássicos, à frente de uma grande TV que passava imagens de novelas marcantes.

O samba, que trazia um recorte com bordões famosos (como “Né brinquedo não”, da Dona Jura, de O Clone), personagens consagrados (Sinhozinho Malta, Viúva Porcina), cenas memoráveis (“Em Bole Bole, quem não viu? Dona Redonda explodiu”, “Segura a peruca, Perpétua”) e até nomes de novela (“A Viagem”, “Irmãos Coragem”) não agradou muito a crítica, mas passou bem, muito bem interpretado por Igor Sorriso. O desfile foi de fácil leitura, principalmente por suas alegorias e fantasias serem de assuntos e figuras conhecidas do grande público.


Mocidade Alegre - 2015

Marília Pêra, uma das maiores atrizes do país, ganhou homenagem da Mocidade Alegre em 2015. A escola do bairro do Limão prestou a ela uma emocionante homenagem num dos desfiles mais elogiados do ano do carnaval de São Paulo. Com muito luxo, a história de Marília foi cantada desde a infância (“Tão menina, a flor bailarina carrega no sangue o dom de encenar”) até a sua consagração, no último carro, em que veio Marília e vários amigos seus.

Foi uma homenagem que deixou a atriz naturalmente emocionada e rendeu à escola uma ótima colocação, o segundo lugar no carnaval daquele ano, perdendo para Elis na Vai-Vai. Infelizmente, Marília faleceu no final desse ano. Felizmente, a artista pôde receber, como bem frisou Chico Pinheiro durante a transmissão, flores em vida.


E pra você, qual outro enredo do tipo é marcante? Qual desses mais gostou? Pode falar pra gente nos comentários por aqui ou pelas nossas redes sociais! E até a próxima!



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Na Tela da TV: A transmissão das escolas de Vitória


Nem só do carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo vive o folião. Outras capitais vêm cada vez mais investindo na folia das escolas de samba. É sobre uma delas que vamos falar nesta semana: mais especificamente sobre as escolas de samba de Vitória, Espírito Santo, e como elas passaram a ser mais conhecidas graças à transmissão em rede nacional.

Primeiramente, é necessário entender que o carnaval capixaba ainda não é tão organizado profissionalmente quanto o das outras duas principais capitais. Há, ainda, resquícios de amadorismo e instabilidade todos os anos. Tanto que sempre há mudanças quanto aos grupos e o número de escolas deles. Inclusive, uma dessas mudanças quanto à dinâmica dos grupos esteve diretamente ligada à transmissão da Band.

Mas vamos por partes, a começar pela forma como a transmissão oficial é feita. Tradicionalmente, a TV Capixaba, afiliada da Band, é a responsável pelas transmissões dos dois dias de desfiles (sexta e sábado, sempre uma semana antes do carnaval oficial).

Um nome símbolo da cobertura capixaba é Ferreira Neto, que sempre ancorou os desfiles por aqui. Ele é mais conhecido por seu trabalho esportivo, mas é muito ligado às escolas de samba também, tanto que, em 2015, foi enredo da Chegou o que Faltava, pelo grupo de acesso. Nas transmissões, ele é conhecido pela sua empolgação com o carnaval local, o que às vezes se mistura com o exagero (ele não se cansa de comparar as escolas capixabas com as de São Paulo, por exemplo, colocando-as no mesmo patamar, quando, infelizmente, a realidade ainda está longe de ser esta).

Uma prova de toda essa empolgação você pode conferir abaixo, num vídeo do desfile de 2007 da Mocidade Unida da Glória, em que ele se descontrola com uma criança sambando antes do desfile.


As transmissões da TV Capixaba sempre foram locais. Mas isso mudou em 2013, quando a Band decidiu incluir a transmissão para todo o território nacional. O grupo especial, no entanto, desfilava em dois dias: naturalmente a sexta e o sábado. Mas o canal exibiu somente os desfiles de sábado. E foi aí que a cobertura fez com que a Liga fizesse a primeira mudança recente na dinâmica dos grupos.

Com isso, a Liga optou por desmembrar o grupo especial em dois. O A e o B, com o A sendo a elite e o B servindo como se fosse um Acesso – passando, assim, a ter três divisões. Isso acabou recentemente. Agora são duas divisões, uma desfilando na sexta e outra, a elite, no sábado, em 2017 com 6 escolas.


A Band transmitiu os desfiles de sábado até 2015, com a TV Capixaba, afiliada, transmitindo para o Espírito Santo os desfiles de sexta. Até 2015, quando transmitia para todo o país, a Band colocava Ferreira Neto ao lado de apresentadores da casa. Em 2013, Téo José e Rita Batista. Em 2014 e em 2015, o mesmo Téo José com Patrícia Maldonado.

Em 2016 a Record News entrou no jogo e comprou os direitos de transmissão. Com isso, em rede nacional, saiu a Band e entrou o canal de notícias da Record. Mas isso não afetou a transmissão local, da TV Capixaba, para o Espírito Santo. Dessa forma, para o território capixaba, duas transmissões simultâneas.


A diferença básica das duas transmissões (TV Capixaba versus Record News): o público para o qual se voltou a transmissão. Explico: a TV Capixaba, por fazer uma transmissão para um público menor, continuou a optar por comentaristas locais, enquanto a Record News chamou para comentar, por exemplo, Ivo Meirelles, que pouca intimidade tem com o carnaval do Espírito Santo, mas, a nível nacional, é bem mais conhecido. Além do mais, foi perceptível que a transmissão da Record News tentava não focar muito em alegorias ou fantasias que faziam referências diretas à religião afro.

Outro fato interessante é quanto à apuração, que só é transmitida através de streamings via internet. A transmissão, nesse caso, é feita até pelo G1-ES.

Para este ano ainda não há informações oficiais de como ficou a questão dos direitos de transmissão. Resta esperar. Pra quem gosta de entrar no clima das escolas de samba uma semana mais cedo e quer conhecer mais sambas e escolas, mesmo menores, é um prato cheio.


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

QUASE UMA REPÓRTER: Fabricio Pires, primeiro mestre-sala da São Clemente



Olá seguidores do Carnavalize!

Hoje, continuaremos na ponte aérea Anhembi-Sapucaí e Sapucaí-Anhembi e o entrevistado será o primeiro mestre-sala da São Clemente, Fabricio Pires.

Fabricio tem uma grande história no carnaval do Rio de Janeiro, já passou por várias agremiações como Caprichosos de Pilares, Portela, Porto da Pedra e atualmente está na São Clemente ao lado da maravilhosa Denadir.


Nessa entrevista pude saber de onde surgiu o interesse pela arte de mestre-sala e porta-bandeira e um pouco da relação com a sua parceira, Denadir. O que mais gostei foi tirar algumas dúvidas que com certeza, não só eu, mas muitos foliões têm sobre MS&PB. Por exemplo: "Como é montada a coreografia oficial?"; "Quando iniciam os ensaios?"; "O processo de criação da fantasia?". “Segredos” que, muitas das vezes, não são contados e que muitas pessoas são curiosas para descobrir. 

Além disso também entrei num assunto polêmico e que desde o pré-carnaval está dando o que falar: a cabine dupla. Foi muito interessante ouvir a opinião de um mestre-sala e sua visão sobre o tema. 

Durante a entrevista também abordei outros assuntos – não vou ficar contando tudo pra não soltar spoiler, né!? – Que com certeza vocês irão gostar.


Espero que curtam a entrevista, agradeço ao Fabricio Pires pela disponibilidade e por ter sido muito gentil comigo – desejo para você e para Denadir todo sucesso do Mundo – e também agradeço aos leitores que sempre me acompanham.

Um beijo da sua, da nossa Quase Repórter!

Confiram a entrevista na íntegra:








segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

7x1 Carnavalize: Sambas inesquecíveis de escolas "esquecidas"

por Leonardo Antan e Vitor Melo




O número de escolas do grupo especial, infelizmente, é limitado. Poucas conseguem se firmar, mas algumas escolas precisam de pouco pra eternizarem seus nomes na história da folia. Nessa nossa lista de hoje, vamos fazer um passeio por obras antológicas que foram cantadas por escolas pouco lembradas pelo folião e que nunca conseguiram alcançar as primeiras partes da tabela, mas deixaram um legado cantado até hoje. Afinal, escola é feita de samba, não apenas de títulos e bons resultados.

Eis verdadeiras grandes escolas da nossa folia:


 7 - Unidos de Lucas 1968 - Sublime Pergaminho

"Uma voz na varanda do paço ecoou:
'Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão'"



A Unidos de Lucas completou 50 anos recentemente e tem no seu DNA a vitória, nascida da fusão entre a Aprendizes de Lucas e a Unidos da Capela, campeã do carnaval em 1950 e 1960. Tendo como carnavalesco o eterno Clóvis Bornay, já em seu segundo ano ela nos brindou com um dos maiores clássicos da nossa folia. O samba que na verdade se chamava na época "História do negro no Brasil", ficou conhecido como Sublime Pergaminho graças a regravação de Martinho da Vila, que popularizou a obra. Anos mais tarde, Emílio Santiago também emprestaria sua voz ao samba. Atualmente, o galinho de ouro está na Série B, mas tem em suas histórias outros clássicos inesquecíveis, como o de 1969 (Rapsódia folclórica), 1976  (Mar Baiano em Noite de Gala), entre outros. 


6 - Unidos da Vila Santa Tereza 2013 - Axé - No caminho das águas sagradas

"Na proteção do rei amor eu peço axé, Santa Tereza desfilando sua fé"



Nem só de especial vive a nossa lista. Muito menos de sambas antigos, e essa de que os sambas de hoje não tem a qualidade como antes não cola com a gente. A Unidos de Vila Santa Tereza está localizada entre os bairros de Rocha Miranda e Coelho Neto e pode contar nos dedos  as vezes que já desfilou na Sapucaí. Em seu desfile mais recente no chão sagrado da folia carioca, a escola nos entristeceu com cenas que nenhum sambista gosta de ver. Alguns setores chegaram a desfilar sem fantasias, como a bateria e a ala de passistas femininas apenas de roupas íntimas. Nem tudo, entretanto, causava tristeza, a azul, branco e ouro da zona norte presenteava-nos com um belíssimo samba, defendido magistralmente na época das disputas pelo consagrado Wander Pires e interpretado com a garra e a força que não só esse sambaço pedia, mas também toda a conjuntura do emocionante desfile da agremiação pela grande voz do nosso carnaval, Tiãozinho Cruz. 


5 - Colorado do Brás 1988 - Catopês do Milho Verde, de Escravo a Rei da Festa

 "Que beleza, não criou raças, Deus apenas criou vidas"


Quem pensou que Sampa não marcaria presença na nossa lista se enganou. A Colorado é mais um escola de samba fundada a partir de um time de futebol e tem uma história de muita luta na folia paulistana. Fundada em 1976, ela demorou dez anos para conquistar um lugar no Especial e quando conseguiu passou um temporada de três carnavais no grupo principal. Em 1988, ela os brindou com um dos mais belos sambas da história da folia paulistana, o samba-afro tem letra e melodia emocionantes e fez um clamor pelo fim da discriminação racial em pleno ano do centenário da Lei Áurea. Um verdadeiro hino. 

4 - Unidos da Ponte 1984 - Oferendas

"Axé! O samba pisa forte no terreiro!"


Com muito marafo, dendê, pipoca, flores e tudo que a Unidos da Ponte tinha direito, a escola fez uma grande oferenda aos orixás, como propunha o enredo - e fez, de fato, o samba pisar forte no terreiro. A cinquentenária azul e branco de São João de Meriti embora desfilasse com esse interessantíssimo samba, só conseguiu ficar no 7° lugar do extinto grupo 1-A do carnaval carioca e acabou sendo rebaixada. A tradicional escola carioca já chegou a emplacar 4 carnavais seguidos na elite do carnaval carioca, mas desde 1996, no seu último desfile no pantheon do carnaval carioca, quando ficou em 18° lugar, permanecendo, até hoje, na Série B do carnaval carioca. Quem acha, todavia, que a contribuição da Unidos da Ponte foi apenas com esse samba, está muito enganado. Vale também ressaltar as duas belíssimas obras de 1973 e de 1983. No primeiro, com o enredo "Dança para os Orixás" (Saravá quem vai embora/Saravá quem vai ficar/Saravá o arco Íris/Salve todos Orixás) e o segundo, levando pro desfile um samba cantado até os dias de hoje, "E Eles Verão a Deus" (E eles verão a deus/Num sonho que fizeram seu sonhar/E eles verão a deus/Razão de todo seu imaginar)

3 - Leandro de Itaquera 1989 - Babalotim, a história dos Afoxés

"Axé pra quem tem, e quem não tem, axé para você também'"



A outra obra representante de SP é a Leandro de Itaquera, que tem uma história de fundação das mais lindas do carnaval brasileiro. A agremiação surgiu como um presente de aniversário da filha do seu Leandro, que dá nome a escola. Fundada em 1982, ela conseguiu rápida ascensão ao grupo de acesso. Sua estreia no especial aconteceu em 1989. E foi com o pé direito, o pelo samba embalou um desfile arrepiante com um show da bateria comandada por Mestre Lagrila, que conseguiu a façanha de alcançar um honroso sétimo lugar. No microfone, interpretando a obra, Eliana de Lima fazia história mais uma vez depois de sua passagem pioneira na Unidos do Peruche. No carnaval de 2017, a escola reeditará esse hino no grupo de acesso. 

2 - Tupy de Brás de Pina 1961 - Seca no Nordeste

"E olhando o firmamento, suas lágrimas se unem com as dádivas do céu"




Considerado pelos experts Luiz Antonio Simas e Alberto Mussa como o melhor samba de todos os tempos em seu livro "Samba de enredo - História e Arte", esta preciosidade é um samba belíssimo e emocionante que precisa ser mais conhecido no mundo do samba. A bela canção narra, carregado de poesia, as dores da seca na vida de um sertanejo e virou um sucesso da MPB, sendo regravado por nomes como Jamelão, Mestre Marçal, Fagner e Clara Nunes. A escola de Brás de Pina teve vários outros grandes em sua história, mas infelizmente enrolou a bandeira 1999 após a lutar pelos grupos secundários da folia. Em 2014, para nossa alegria, ela voltou a ativa e está ascensão pelos grupos de acesso. A gente torce que ela volte para a Sapucaí e reedite essa obra prima.

1 - Em cima da hora 1976 - Os Sertões 

"Os jagunços lutaram até o final, defendendo Canudos naquela guerra fatal"





Falou em sambas antológicos de escolas pouco lembrada, falou Em cima da hora. A mais tradicional das escolas pequenas. A azul e branco de Cavalcanti "marcada pela própria natureza" brindou nossa folia com algumas das mais belas obras que passaram pela avenida. "Os Sertões" é um dos nosso maiores clássicos, obra de apenas um compositor, o enorme Edeor de Paula, é inspirada no clássico de Euclides da Cunha e narra a história de luta da lendária cidade de Canudos. Infelizmente, no ano de sua apresentação original, uma forte chuva atrapalhou a apresentação da escola. Reeditado em 2014 na Série A, a escola fez uma apresentação emocionante e digna que garantiu sua permanência do grupo. Além deste clássico, vale destacar na história da escola o hino de 1974 (Festa dos deuses afro-brasileiros) e o de 1984 (33 - Destino D. Pedro), que virou clássico na voz da grande Clementina de Jesus e narra as dores da vida nos trens cariocas. 

Já dizia a sabedoria popular: Não julgue um livro pela capa! No mundo do samba, o velho ditado também se faz valer. Não é por uma escola ter uma bandeira menor que não pode nos presentear com belíssimos sambas, como em todas as listas que já fizemos, não conseguimos agradar a todos. Se você sentiu falta de algum samba ou acha que algum(ns) desse(s) não merecia(m) estar aqui, diga-nos!

domingo, 15 de janeiro de 2017

12 vezes que os ensaios técnicos são a melhor coisa do pré-carnaval

por Leonardo Antan, Felipe de Souza e Vitor Melo



Sapucaí recebendo público, as escolas colocando seus componentes na "rua", bateria, samba. Gritos de guerra, discursos dos presidente e o calor que só quem vive isso sabe explicar. Se todos esses fatores não te convenceram que o carnaval já tá batendo na porta... Vem com a gente! 

1. Carnaval na tela do TV 


As vinhetas do carnaval já estão, mesmo que passem num piscar de olhos, na TV - e, convenhamos, é maravilhoso ver o samba, os artistas e a nossa escola na telinha. Leia nossa máteria sobre a evolução das vinhetas: aqui

2. Portas abertas


 A Sapucaí, mais do que nunca, reaberta ao público. E de graça. 

3. Lugar nas frisas 


Quem não tem aquele amigo que madruga pra conseguir aquele lugarzinho nas frisas durante o ensaio? 

4. Sambas ao vivo 


Podemos ouvir nossos sambas preferidos ao vivo e ver como eles se comportam ao vivo. É uma sensação diferente de ouvir as gravações e na quadra, é era de saber se o samba vai "funcionar" ou não. Um verdeiro teste de fogo. 

5. Sentir as baterias de pertinho 


(...) não só ouvir o samba, mas sentir, de pertinho, toda a cadência que só uma bateria de escola de samba tem.

6. A cabine dos julgadores é o povo 


As escolas desfilam sem as obrigatoriedades recorrente dos desfiles - as apresentações dos quesitos aos julgadores. Mas, pera aí... Elas desfilam pra quem? Para as próprias escolas e, como deveria sempre ser, para o público!

7.   Desvendando o desfile


Já dá pra se situar um pouco sobre a setorização da sua escola e tudo mais. Levando em consideração que algumas escolas levam placas e, até, automóveis no lugar das alegorias e, em alguns casos, com os nomes delas. 

8. As escolas se enfeitam


 Muitas alas se enfeitam com objetos super especiais e coloridos que dão todo aquele charme especial que só o nosso carnaval tem, as baianas sempre capricham em suas "fantasias" e, principalmente, os casais, que sempre são um show a parte, vão com roupas temáticas remetendo ao enredo e até mesmo à fantasia que usarão no desfile e, em alguns casos, usam até a fantasia do ano anterior. 

9. Cante com a gente!


 É essencial chegar cedo para garantir sua revistinha "Cante com a gente" pra coleção. Pra que não decorou os sambas ainda é a oportunidade de poder acompanhar as letras e sambar junto.

10. Não tem fila do Bob's


 Tem ambulante vendendo de tudo, da cerveja ao doce, caipirinha, salgados - e, o melhor, sem filas.

11. Menos é mais


As escolas em seus ensaios técnicos que não precisam de fantasias luxuosas e nem alegorias mirabolantes e "hollywoodianas". Basta o samba! Basta o batuque de seus ritmistas, a força do canto de sua comunidade e pronto. Floresce a magia do carnaval, seu lado lúdico e encantador - a magia que move as escolas de samba e faz esse nosso sonho, a cada fevereiro, acontecer.

12. "Ninguém se interessa mais por carnaval"


Muitas vezes ouvimos essa frase por aí, na maioria das vezes, dita por algum daqueles que dizem preferir "Halloween ao Carnaval". Coitados. Mas é só ter um ensaio com o Salgueiro e Tijuca, como no último ano, que o Sambódromo parece não possuir espaço pra tanta gente, parecia desfile oficial. Contradizendo quem vive dizendo frases como essa do sub-título, nós seguimos em frente na missão de não deixar o samba morrer!