segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Na Tela da TV: A TV no carnaval


Até agora, aqui na coluna, nós temos falado muito sobre como a TV “vê” o carnaval. Já falamos do carnaval nas novelas, da cobertura carnavalesca de algumas emissoras, entre outras coisas. Mas, nessa semana, inverteremos: mostraremos um pouco de como o carnaval vê a TV e seus artistas. É claro que seria impossível falar de todos os desfiles que já falaram sobre TVs, atores, apresentadores, comunicadores e afins. Por isso, fiz um apanhado geral e separei 6 desfiles que, para o bem ou para o mal, não passaram em branco ao abordar este tema.

Temos clássicos desfiles que falaram sobre personalidades bem ligadas à TV, como a homenagem que a Mocidade Alegre prestou, em 2015, à multitalentosa Marília Pera, fatidicamente no ano da sua morte. Teve também espaço para desfiles que falaram sobre a própria televisão, como aquele ponto de luz na imensidão que a Beija-Flor cantou em 1992. E não faltou espaço para as novelas, homenageadas pela São Clemente em 2013.

Unidos do Viradouro - 1991

Um dos desfiles mais memoráveis da escola de Niterói, o enredo que homenageava a saudosa e eterna Dercy Gonçalves entrou pra história por diversos motivos. Primeiro porque era a estreia da Viradouro no Especial. E, no grupo, ela ficaria ainda por muitos anos. Segundo porque o samba é considerado um dos melhores da história da agremiação. E terceiro porque, bem, Dercy é Dercy. E, pra provar essa máxima, ela já chegou na Sapucaí abaixando o seu vestido e deixando seus seios à mostra, fazendo com que essa imagem entrasse para a história do carnaval.

O desfile, desenvolvido pelo carnavalesco Max Lopes, contava a história de vida de Dolores Gonçalves Costa de forma tradicional. A homenageada veio logo no abre-alas. O detalhe é que, à época do desfile, ela estava com a bacia quebrada, mas mesmo isso não a fez perder a animação. E deu certo para a escola, que ficou na 7ª colocação naquele ano.


Beija-Flor de Nilópolis - 1992 

“Olê, lê, ô, vamos cantar, é a TV anunciando: a Beija-Flor está no ar”. Poderia fazer parte do samba-enredo da Beija-Flor em 2014 (e já falamos sobre Boni aqui), mas vem de muito antes. Este é um trecho do samba que a escola de Nilópolis levou pra Sapucaí em 1992, do enredo “Há um ponto de luz na imensidão”, do carnavalesco Joãozinho Trinta.

Nesse ano, a Beija-Flor buscava o título contando a história da televisão. Assim começa a sinopse deste enredo: “Cintilantes pontos de luzes irradiam-se pelo espaço. Uma caixa mágica transforma esta energia luminosa em imagens. É a televisão”. Para contar essa história, apostou-se muito em elementos futuristas, num desenvolvimento do enredo que não agradou muito, bem como o samba, que não conseguiu se sustentar. Além disso, a escola perdeu pontos por levar nudez à Avenida, pois dois integrantes saíram apenas com pinturas corporais.

Por isso mesmo, foi um desfile que a comunidade nilopolitana prefere esquecer. Amargou um sétimo lugar, pior colocação da escola desde 1975, que só viria a ser igualada em 2014, com um enredo que muito se comparou a este, inclusive.


Tradição - 2001

Hoje, a Tradição está na Série B (terceira divisão do carnaval carioca), mas um dos desfiles mais memoráveis do condor, ainda quando a escola estava no especial, foi o de 2001, no qual a agremiação falou sobre um dos maiores comunicadores e apresentadores da história do Brasil: Silvio Santos. O enredo, de nome “Hoje é domingo, é alegria. Vamos sorrir e cantar”, teve um desenvolvimento bem clichê. Começou contando a história dos pais de Silvio, depois o começo dele como camelô, a rádio, a TV, os programas inesquecíveis, a Tele-Sena, o Baú da Felicidade, enfim, de tudo um pouco. Por fim, a escola "ofereceu" um Troféu Imprensa a Silvio.

O desfile foi um dos mais festejados da escola, senão o mais (em questão de audiência, por exemplo, foi o mais assistido daquele ano, segundo a Folha, com 39 pontos). A escola distribuiu camisas, máscaras do Silvio Santos, bandeirinhas, o que fez com que a agremiação, que colocou o homenageado já no abre-alas (Hebe, por exemplo, veio no último carro), fosse recebida com muito entusiasmo, impulsionada pelo animado samba (“Vamos cantar, vamos brincar, vamos sorrir, é domingo, é alegria, Silvio Santos vem aí”).


Nenê de Vila Matilde - 2007 

A Nenê não vinha de um bom carnaval em 2006, quando amargou a 11ª colocação do carnaval. Então, para 2007, decidiu falar de uma figura muito importante da comunicação no país, João Jorge Saad. Saad é o fundador do grupo Bandeirantes de comunicação.

O desfile, do carnavalesco André Machado, cujo nome do enredo foi “A Águia radiante com o pioneiro das comunicações: João Jorge Saad - 70 anos de conquistas e realizações”, foi bem tradicional, respeitando o azul e branco da escola e contando com alegorias dedicadas ao rádio, inclusive com referências à primeira transmissão da rádio do carnaval de São Paulo, e à TV. O samba não é dos mais elogiados da escola, mas cumpriu seu papel e passou muito bem. É sempre bom lembrar que a Nenê ainda era uma grande potência na época. Não que hoje não seja, pois sua história jamais será apagada, porém a escola, a comunidade e a arquibancada não são mais as mesmas.


São Clemente - 2013 

Tentando se firmar no Grupo Especial de vez, para 2013 a São Clemente decidiu fazer um desfile falando sobre uma das maiores paixões nacionais, as novelas. Desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo e cercado de expectativas, o enredo, de nome “Horário Nobre”, foi uma grande mistura de personagens e novelas clássicas. No desfile, isso foi perceptível já na comissão de frente, que trazia Tieta, Carminha, Dona Redonda, Escrava Isaura, Viúva Porcina, Odete Roitman, entre outros personagens clássicos, à frente de uma grande TV que passava imagens de novelas marcantes.

O samba, que trazia um recorte com bordões famosos (como “Né brinquedo não”, da Dona Jura, de O Clone), personagens consagrados (Sinhozinho Malta, Viúva Porcina), cenas memoráveis (“Em Bole Bole, quem não viu? Dona Redonda explodiu”, “Segura a peruca, Perpétua”) e até nomes de novela (“A Viagem”, “Irmãos Coragem”) não agradou muito a crítica, mas passou bem, muito bem interpretado por Igor Sorriso. O desfile foi de fácil leitura, principalmente por suas alegorias e fantasias serem de assuntos e figuras conhecidas do grande público.


Mocidade Alegre - 2015

Marília Pêra, uma das maiores atrizes do país, ganhou homenagem da Mocidade Alegre em 2015. A escola do bairro do Limão prestou a ela uma emocionante homenagem num dos desfiles mais elogiados do ano do carnaval de São Paulo. Com muito luxo, a história de Marília foi cantada desde a infância (“Tão menina, a flor bailarina carrega no sangue o dom de encenar”) até a sua consagração, no último carro, em que veio Marília e vários amigos seus.

Foi uma homenagem que deixou a atriz naturalmente emocionada e rendeu à escola uma ótima colocação, o segundo lugar no carnaval daquele ano, perdendo para Elis na Vai-Vai. Infelizmente, Marília faleceu no final desse ano. Felizmente, a artista pôde receber, como bem frisou Chico Pinheiro durante a transmissão, flores em vida.


E pra você, qual outro enredo do tipo é marcante? Qual desses mais gostou? Pode falar pra gente nos comentários por aqui ou pelas nossas redes sociais! E até a próxima!



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