quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Na Tela da TV: A aventura carnavalesca do SBT


Os direitos de transmissão das escolas do Acesso e dos Desfiles das Campeãs dos dois estados (Rio de Janeiro e São Paulo) sempre rodaram por várias emissoras. Já foram da CNT, Cultura, Band e até o canal a cabo Viva já transmitiu a folia. Mas, em 2012, uma emissora improvável fez uma parceria com a Globo para transmitir esses desfiles que a platinada não queria: o SBT, emissora de Silvio Santos. À época, o canal do Chaves e das novelas mexicanas vinha de uma experiência bem sucedida do carnaval de Salvador em 2011 e decidiu ampliar sua cobertura.

O SBT Folia em 2012 cobriu o desfile das escolas cariocas do Grupo de Acesso de 2012 (o último sob o comando da LESGA), além dos desfiles das campeãs de São Paulo e do Rio de Janeiro. Foi a primeira experiência do SBT em uma transmissão do tipo. Para isso, a emissora preparou uma série de especiais em seus telejornais sobre os mais diversos temas ligados à festa e uma vinheta reunindo dois grandes nomes do carnaval carioca: Neguinho da Beija-Flor e Dominguinhos do Estácio. Veja a vinheta em questão, que começa com um belo grito de guerra: 'Olha o SBT no carnaval do Brasil aí, gente'.


O diretor da cobertura foi Laércio Roma, que, durante a coletiva de imprensa, afirmou que o SBT Folia daquele ano buscaria levar ao público muita informação de qualidade. Ele também criou o slogan “SBT Folia, carnaval é alegria”. Explicou ele, de acordo com reportagem do site NaTelinha: “A ideia do slogan veio para resgatar a história do carnaval, que começou na antiga Grécia como uma celebração de boas colheitas e foi evoluindo ao longo dos séculos. Queremos que o público retome esse sentimento de celebrar as coisas boas com muita alegria no carnaval”.

A primeira transmissão foi a do Grupo de Acesso do Rio de Janeiro, no sábado de carnaval. Para apresentar, o SBT escalou o jornalista Carlos Nascimento e a animadora de auditório Eliana, ambos conhecidíssimos por seus trabalhos em seus respectivos nichos. A transmissão começou mais cedo para o Rio de Janeiro, já na primeira escola, a Paraíso do Tuiuti. Em rede nacional, começou com a Acadêmicos da Rocinha, segunda da noite.

Carlos Nascimento, por já ter mais experiência com coberturas ao vivo, atuou de maneira natural, enquanto Eliana mostrou-se um pouco mais desconfortável. Compreensível, afinal a apresentadora nunca havia tido uma experiência igual a esta antes – ancorar um programa, mesmo que ao vivo, por horas é muito diferente de cobrir o desfile das escolas de samba por aproximadamente 8 horas durante a madrugada, ainda mais quando não se tem afinidade com o tema.

Os comentários desse desfile ficaram por conta de Miro Ribeiro, João Wlamir e Arlindo Grund. Conhecido no meio carnavalesco, Miro Ribeiro é radialista e jornalista. Arlindo Grund é um respeitado estilista, enquanto João Wlamir é um coreógrafo famoso na área. Os dois já eram contratados do SBT à época. Importante destacar, inclusive, que Wlamir é também jurado do carnaval desde 1997, no quesito Comissão de Frente. Em 2012, passou a julgar o extinto quesito Conjunto. Ficou na função até 2014. Em 2015 e 2016 voltou a ser julgador do quesito Comissão de Frente (obrigado pela correção, Carlos Alberto!). Na equipe, ainda havia, entre outros, Isabele Benito e Rogério Forcolen cobrindo os ‘bastidores’ das escolas.

Se quiser conferir melhor como foi essa cobertura do SBT, segue abaixo o vídeo do desfile da (controversa) campeã naquele ano, a Inocentes de Belford Roxo.


A segunda cobertura do SBT foi o desfile das campeãs de São Paulo. Os jornalistas César Filho e Analice Nicolau ficaram responsáveis pela apresentação. Nos comentários, o coreógrafo Carlinhos de Jesus e o produtor musical Arnaldo Saccomani. A cobertura ainda contou com reportagens de Marcelo Torres, Celito Esteves, entre outros.

Para essa cobertura, o SBT alugou equipamentos com a TV Cultura, de acordo com reportagem da Folha. Explica-se: foi uma ajuda mútua das duas, visto que a Cultura transmitiu normalmente o Acesso de São Paulo, pelo qual o SBT não se interessou e repassou para ela, que cedeu unidades móveis de alta definição e alguns técnicos para a transmissão do SBT.

Para dar uma olhada em como foi a cobertura das campeãs de São Paulo, a seguir trecho do desfile campeão da Mocidade Alegre naquele ano.


Para a cobertura do desfile das campeãs do Rio de Janeiro, o último da safra, saiu Eliana e entrou a jornalista Karyn Bravo. O time com os três comentaristas do Acesso foi mantido, bem como Carlos Nascimento. O mesmo esquema de transmissão foi mantido em relação aos demais dias em que o SBT transmitiu os desfiles. Aqui, deu pra perceber mais claramente a diferença na cobertura da emissora para a tradicional da Globo. A mais sentida é quanto ao momento de início do "ala a ala" do desfile: enquanto o SBT pegava já desde quando a escola entra na pista, a Globo espera a escola chegar pelo menos no terceiro módulo de julgamento (que se localizava no setor 8 até ano passado).

A seguir, trecho do desfile da campeã desse ano, a Unidos da Tijuca, desfile que também encerrava a aventura carnavalesca do SBT pelo mundo das escolas de samba.


Em resumo, a cobertura do SBT, mesmo com falhas, mostrou-se bem intencionada e com alguns acertos, como se pôde ver acima. Mesmo sem experiência em eventos do tipo, mesmo sem a tradição de transmissão do desfile todos os anos, o canal de Silvio Santos se esforçou para levar o melhor possível para o seu telespectador e isso merece ser levado em conta. Tentativas assim são sempre válidas. O que não é válido é deixar a transmissão do maior espetáculo da Terra de fora da TV.


Reações:

2 comentários:

  1. Ótimo texto Jupa. Uma pena que no ano seguinte o SBT abriu mão do Acesso (muito por conta da junção dos grupos A e B) e das campeãs - que desde então, nunca mais passaram na TV.

    Uma cena clássica dessa transmissão foi a passagem dos playboyzinhos da Luma no desfile da Estácio. Os dois estavam numa (des)animação impressionante.

    Um grande erro desta cobertura foi na transmissão da Apuração - ancorada pelo Rogério Forcolen e comentada pelo Wlamir. A leitura das notas foi transmitida apenas para o Rio e teve que ser cortada faltando dois quesitos para não "atropelar" o começo do SBT Brasil.

    Ainda sobre o Wlamir, uma pequena correção: ele é jurado desde 1997. Na ocasião ele já julgava Comissão de Frente - acabou não tendo suas notas reveladas entre 99 e 2001, porque ainda valia o sistema de sorteio de exclusão. Em 2012 passou pra Conjunto e ficou até a extinção do quesito, quando retornou pra CF.

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    1. Morto! Essa parte do Wlamir eu não sabia. Já corrigi no texto, com os devidos créditos.

      E creio que o SBT nem teve a opção de abrir mão em 2013 porque a Globo não iria ceder os direitos mesmo, já que sempre se mostrou interessada em fazer a transmissão da Série A pro Rio.

      No mais, cena clássica envolvendo a Estácio mesmo! hahaha E obrigado pelo prestígio! :)

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