quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Na Tela da TV: A evolução das vinhetas da Globo


Tradição na época de carnaval, as vinhetas da Rede Globo com as escolas de samba passam por mudanças todos os anos e, para o bem ou para o mal, são sempre aguardadas pelos sambistas. Elas já passaram por diversos formatos. Já foram ao vivo, tiveram grandes cenários especiais, foram gravadas a céu aberto... Enfim, inovação não faltou ao longo dos anos. Neste texto, analisaremos a evolução delas do começo da década de 90 até os dias atuais. 

1990, 1991 e 1992 

As primeiras vinhetas da década de 90 mostram um certo capricho por parte da Globo. Reunindo grande parte do contingente da escola em um grande cenário, elas contavam com as versões já pré-gravadas dos sambas e com imagens aleatórias dos desfiles dos anos anteriores. As vinhetas duravam 1 minuto e meio, sendo o primeiro minuto dedicado ao samba e o resto aos patrocinadores. Percebam, ainda assim, a diferença da vinheta de 1990 para as dos dois anos seguintes (para ver a de 91 e 92, clique aqui e aqui, respectivamente). Enquanto a de 90 apostava num clima mais de ‘roda de samba’, as demais já partem para o lado mais carnavalesco, com mais fantasias e apetrechos.


1993, 1994 e 1995 

Nos anos seguintes a esses, a Globo volta atrás na produção e reduz drasticamente os investimentos nas vinhetas, optando por um formato que fora de novo usado mais recentemente (conforme veremos mais à frente): a emissora coloca os intérpretes no chroma key com os desfiles dos anos passados ao fundo, enquanto o samba toca – remetendo também ao que a emissora fazia na década de 80 (para ver a de 94 e a de 95 clique aqui e aqui, respectivamente).


1996 e 1997

Nesses dois anos a produção avança novamente, mas com um pouco de cautela. Apesar de terem voltado com mais elementos da escola em um cenário mais simples, as imagens de desfiles passados continuam reinando na tela. Reparem também, em 1997 (clique aqui para ver), a cafonice maravilhosa da Globeleza de porta-bandeira, numa fantasia super à frente de seu tempo. Nos dois anos, a duração continuou sendo de um minuto para o samba. Para ver as de São Paulo em 96, aqui.


1998, 1999 e 2000 

Depois do pouco avanço dos anos anteriores, há, já em 98, uma sensível melhora na qualidade das vinhetas, com um cenário muito caprichado montado especialmente para elas. Neste ano, a escola ficava em cima de um grande pandeiro. Já no ano seguinte, o cenário cresce um pouco, no que parece fazer referência a uma máquina do tempo, talvez relacionada à virada do milênio (clique aqui para ver as do Rio e aqui, para as de SP). Por fim, em 2000, a vinheta vai para um cenário que remete ao de um programa de auditório (para ver, aqui).


2001 

As vinhetas de 2001 são, na minha humilde opinião, as mais bonitas já feitas pela Globo. Além da gravação com grande contingente da escola num cenário especial, ainda houve gravações externas em algum ponto da cidade que remetesse à escola. Infelizmente, nenhum registro das vinhetas das escolas do Rio neste mesmo ano foi achado, mas vale o das escolas de São Paulo.


2002 e 2003 

As vinhetas desse ano são mais simples que as do ano anterior, mas são tão parecidas que pouco se pode diferenciar entre um ano e outro. Além do mais, elas começam a ditar uma tendência que duraria até as vinhetas de 2009, conforme apresentarei mais à frente. Para ver um exemplo de 2002, clique aqui.


2004 

A diferença da vinheta de 2004 para a dos dois anos anteriores se dá, basicamente, pela introdução _ a vinheta é “saudada” por uma belíssima queima de fogos _ e pelo cenário, muito maior do que antes. O resto continua no mesmo modelo.


2005, 2006, 2007, 2008 e 2009

Este certamente foi o modelo de vinheta que muitos se acostumaram a ver no carnaval da Globo. Um cenário branco ao fundo, com muitas figuras da escola, alguns momentos de destaque pra rainha de bateria, pro intérprete dublando alguns versos (diferente de antes, ele não aparece mais à frente de todo o restante dos componentes) e um padrão que era sempre seguido: uma passada no refrão principal + o restante do samba até completar o 1 minuto de duração da vinheta. Abaixo uma de 2005. Para os demais anos: 2006, 2007, 2008 e 2009.


2010, 2011, 2012 e 2013 

A partir de 2010, as vinhetas perdem um pouco de seu tempo no ar, mas ganham uma produção há muitos anos não vista. Elas passaram a ser gravadas com o samba ao vivo e num espaço bem maior, com direito a torcida. A Globo aproveitou essa novidade para fazer um programa especial na programação: antes de as vinhetas começarem a rodar nos intervalos, esse programa mostrava todas completas, com algum apresentador avulso falando sobre os enredos das escolas. Apesar de todo investimento, nos anos finais os programas acabaram sendo jogados em horários locais, geralmente depois do Fantástico. Abaixo, a de 2010. Dos demais anos: 2011, 2012 e 2013.


2014 

Nesse ano, um grande retrocesso: sai toda a produção dos quatro anos anteriores para a volta do modelo mais simples, mas muito mais simples do que antes. Apenas alguns elementos aleatórios da escola passavam na tela, sem nenhuma lógica. Além de o tempo ter sido reduzido novamente. Mas o pior ainda estava por vir.


2015 

Pra quem reclamou, em 2014, das vinhetas se surpreendeu com as de 2015. Como diz o ditado, tudo pode piorar. O famigerado chroma key dos anos 90 volta com força total. Integrantes das escolas se apresentam na tela enquanto desfiles passados são colocados ao fundo. Nas do Rio, só intérprete e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Nas de São Paulo, algumas rainhas e alguns passistas. O resultado final é vexaminoso.


2016 e 2017 

A dignidade começa a voltar ao ninho desde o carnaval passado. Sai o chroma key e entra em cena novamente o cenário com os integrantes da escola. No ano passado mais escuro. E neste, mais claro. Apesar de o tempo padrão continuar pequeno, há versões alternativas das vinhetas, pegando diferentes momentos do samba, além de uma versão maior que passa na madrugada. Este ano, como padrão, são 30 segundos dedicados ao samba e 30 dedicados aos patrocinadores.




2018 

O que o futuro reserva para as nossas queridas vinhetas? Será que a fase ao vivo, celebrada por quase todos, volta? Será que o chroma key vem nos assombrar novamente? Isso só o tempo dirá. Por enquanto, resta ficar atento aos intervalos da Globo, sem piscar, para tentar não perder a vinheta quando ela pintar na tela.


Reações:

5 comentários:

  1. Que assunto delicado pra se comentar hoje, porém vamos lá.

    Concordo quanto as de 2001, as melhores produzidas até aqui. No Rio, as vinhetas daquele ano consistiam no intérprete aparecendo cantando o samba sentado numa mesa de bar, acompanhado de uma cervejinha e com os passistas atrás sambando - num cenário que lembrava os morros cariocas. Infelizmente, não há registros das vinhetas do RJ em 2001, nem mesmo nos vídeos de intervalos comerciais. E procurei muito.

    Aliás, algumas vinhetas (como de 2000, 2003 e 04 do Rio) poderiam ser acessadas, mas estas foram retiradas do ar no "arrastão" que a Globo fez de imagens de carnaval, em dezembro de 2013.

    O retrocesso nas vinhetas começou quando as colocaram ao vivo - ali já houve redução de tempo, de 1min para 45seg. Não curtia esse recurso.

    Creio que o motivo da redução drástica de 45 para 30 segundos foi para encaixar todos os patrocinadores da cobertura (antes somente a Brahma/Schin patrocinavam as vinhetas).

    2016 talvez foi o primeiro que se discutiu sobre o assunto. O Gshow havia divulgado a versão de 1:30, só que a TV divulgava apenas a de 25seg - a versão maior só era exibida de madrugada ou no fim de semana.

    Meu modelo ideal: 1:30, sendo 1:15 pro samba (com uma edição decente, já que os modelos atuais...) e os 15 restantes para o patrocínio. Se a platinada um dia tiver vergonha na cara e perceber que as dos anos 90/2000 estão anos-luz a frente das atuais, creio que o modelo seja esse.

    E mais uma vez estou podendo contribuir com uma postagem da coluna, desta vez com algumas vinhetas que consegui resgatar.

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    1. Mesmo que fosse só 1 minuto com samba, se houvesse, hoje, uma padronização como antes, seria ótimo. Porque tem samba que pega a parte final, o refrão do meio, o principal, enfim, uma loucura só. E nesse ano percebo que a Globo deixou ainda mais de dar destaque ao refrão nas vinhetas. Uma pena.

      E o seu canal tem várias vinhetas mesmo, Carlos. É ótimo. Aliás, tem uma com a cronologia da Viradouro: fui seco achando que acharia a de 2001, mas nada hahaha Virou lenda mesmo...

      E obrigado pelo prestígio de sempre, amg!

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  2. Postagem maravilhosa! As vinhetas de 2001 foram meio que inspiradas nas de 1987, em que o intérprete cantava em algum lugar relativo ao enredo. Por exemplo, Quinzinho numa antena da Embratel pra cantar o enredo sobre comunicação do Império Serrano, Carlinhos de Pilares na porta de um banco cantando "uma poupança cheia de cruzados"... Se não estou enganado, 1987 foi o primeiro ano em que a Globo utilizou vinhetas. A Manchete em 1989 exibia uma passada inteira do samba com o intérprete e componentes nos morros correspondentes às escolas.

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    1. Olá, Marco, que bom que gostou do post. Minha vontade inicial era pegar já desde a época de 80, porém, o material deste período é mais vasto. Vi algumas ditas vinhetas aleatórias de 1981 até, mas não devem ser as que passavam nos intervalos. hahaha Obrigado pelo prestígio e volte sempre!

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  3. Caramba, acabei esquecendo de um pequeno detalhe, estava com ele na cabeça e acabei por não colocá-lo: entre 98 e 2003 (a exceção de 2002) a Globo colocava figurantes como passistas. Da própria escola apenas o intérprete e o casal de MS&PB.

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