quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Na Tela da TV: A transmissão das escolas de Vitória


Nem só do carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo vive o folião. Outras capitais vêm cada vez mais investindo na folia das escolas de samba. É sobre uma delas que vamos falar nesta semana: mais especificamente sobre as escolas de samba de Vitória, Espírito Santo, e como elas passaram a ser mais conhecidas graças à transmissão em rede nacional.

Primeiramente, é necessário entender que o carnaval capixaba ainda não é tão organizado profissionalmente quanto o das outras duas principais capitais. Há, ainda, resquícios de amadorismo e instabilidade todos os anos. Tanto que sempre há mudanças quanto aos grupos e o número de escolas deles. Inclusive, uma dessas mudanças quanto à dinâmica dos grupos esteve diretamente ligada à transmissão da Band.

Mas vamos por partes, a começar pela forma como a transmissão oficial é feita. Tradicionalmente, a TV Capixaba, afiliada da Band, é a responsável pelas transmissões dos dois dias de desfiles (sexta e sábado, sempre uma semana antes do carnaval oficial).

Um nome símbolo da cobertura capixaba é Ferreira Neto, que sempre ancorou os desfiles por aqui. Ele é mais conhecido por seu trabalho esportivo, mas é muito ligado às escolas de samba também, tanto que, em 2015, foi enredo da Chegou o que Faltava, pelo grupo de acesso. Nas transmissões, ele é conhecido pela sua empolgação com o carnaval local, o que às vezes se mistura com o exagero (ele não se cansa de comparar as escolas capixabas com as de São Paulo, por exemplo, colocando-as no mesmo patamar, quando, infelizmente, a realidade ainda está longe de ser esta).

Uma prova de toda essa empolgação você pode conferir abaixo, num vídeo do desfile de 2007 da Mocidade Unida da Glória, em que ele se descontrola com uma criança sambando antes do desfile.


As transmissões da TV Capixaba sempre foram locais. Mas isso mudou em 2013, quando a Band decidiu incluir a transmissão para todo o território nacional. O grupo especial, no entanto, desfilava em dois dias: naturalmente a sexta e o sábado. Mas o canal exibiu somente os desfiles de sábado. E foi aí que a cobertura fez com que a Liga fizesse a primeira mudança recente na dinâmica dos grupos.

Com isso, a Liga optou por desmembrar o grupo especial em dois. O A e o B, com o A sendo a elite e o B servindo como se fosse um Acesso – passando, assim, a ter três divisões. Isso acabou recentemente. Agora são duas divisões, uma desfilando na sexta e outra, a elite, no sábado, em 2017 com 6 escolas.


A Band transmitiu os desfiles de sábado até 2015, com a TV Capixaba, afiliada, transmitindo para o Espírito Santo os desfiles de sexta. Até 2015, quando transmitia para todo o país, a Band colocava Ferreira Neto ao lado de apresentadores da casa. Em 2013, Téo José e Rita Batista. Em 2014 e em 2015, o mesmo Téo José com Patrícia Maldonado.

Em 2016 a Record News entrou no jogo e comprou os direitos de transmissão. Com isso, em rede nacional, saiu a Band e entrou o canal de notícias da Record. Mas isso não afetou a transmissão local, da TV Capixaba, para o Espírito Santo. Dessa forma, para o território capixaba, duas transmissões simultâneas.


A diferença básica das duas transmissões (TV Capixaba versus Record News): o público para o qual se voltou a transmissão. Explico: a TV Capixaba, por fazer uma transmissão para um público menor, continuou a optar por comentaristas locais, enquanto a Record News chamou para comentar, por exemplo, Ivo Meirelles, que pouca intimidade tem com o carnaval do Espírito Santo, mas, a nível nacional, é bem mais conhecido. Além do mais, foi perceptível que a transmissão da Record News tentava não focar muito em alegorias ou fantasias que faziam referências diretas à religião afro.

Outro fato interessante é quanto à apuração, que só é transmitida através de streamings via internet. A transmissão, nesse caso, é feita até pelo G1-ES.

Para este ano ainda não há informações oficiais de como ficou a questão dos direitos de transmissão. Resta esperar. Pra quem gosta de entrar no clima das escolas de samba uma semana mais cedo e quer conhecer mais sambas e escolas, mesmo menores, é um prato cheio.


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