domingo, 26 de fevereiro de 2017

Coluna do Vitô: Tem de amar!



Que cada um de nós somos apaixonados por esse manifesto artístico-cultural vivo e em eterna transformação todos sabemos. "Ontem" (sexta-feira), já que escrevo agora tendo acabado de chegar da segunda noite de desfiles do grupo de acesso carioca, que começou no sábado (25), e ainda não me aconcheguei aos braços de Morfeu, domingo aínda é amanhã. Moro em Santa Cruz, longe, mas muito longe mesmo do destino apoteótico que todos nós, sambistas, almejamos nesse período de folia.

Entrei, "ontem", no trem, para ir ao primeiro dia de desfiles da Série A, com aquela disposição de quem iria encarar pouco mais de 30 estações de transporte ferroviário, escolhendo o vagão, dei-me com aquelas cenas tão maravilhosas que só o período da folia nos oferece e nos brinda. Pouco mais de 10 pessoas, cada qual carregando suas respectivas fantasias, seus respectivos adereços, com aquele sorriso no rosto de só quem ama tudo isso pode entender. As fantasias não eram daquelas mais pesadas, longe disso, no máximo, uns 10 quilinhos. Sussa. Ninguém tava nem aí, em certas horas, até entoavam o samba que a verde e branco do nosso bairro entoaria na avenida.

Tem de amar, entretanto, ninguém encararia duas horas, quase 30 estações de cara limpa. É amor. Ou ama ou ama - a escola, o bairro, a festa. Alguma coisa ama. Fiquei pensando, não há outra explicação. Peso, distância, horas,  para - no acesso - cruzar a avenida num desfile na casa dos 50 minutos. Maluquice? Tem de amar, simples. Amor não se escolhe, sente-se. Quem ama cuida - ou desfila - e ponto final.

Pensei ainda, tem alguma outra explicação a não ser amar? A gente nem espera o carnaval que esperamos "361" dias pra chegar (porque são 4 noites de desfiles) pra pensar no enredo do ano que vem assim que nossa escola cruza a Marquês, isso é, nosso ano começa já agora, nessa semana, lá por volta das 19h da quarta-feira de cinzas. Quando vai chegando maio, junho e julho então... Aí tem de amar mesmo. Escutamos sambas da disputa até de escolas recém formadas do "Grupo W". A gente ama. Quem vive ao nosso redor, porém, tem de amar também, porque ai deles se reclamarem que escutamos samba demais. Época de final de samba então... Ah, se meu samba perder! 

Ficamos torcendo pra chegar a época dos ensaios técnicos, tem de amar - e muito, A gente se encontra em feijoadas, roda de samba: tudo é motivo pra um cavaco chorar. Vai dizer que isso não é amor!? O grupo das 10 pessoas da Santa Cruz? Desfilaram. Até os vi no trem de volta; Sim, já bem mais silenciosos que na ida, não é pra menos, cansa, mas amamos. Eles exerceram um de seus direitos garantidos na constituição momesca carioca: honraram, defenderam e cantaram por sua escola até a rouquidão. E eu, desci na última estação da linha Santa Cruz pra vocês, mas, pra gente, a primeira. Tendo acabado de chegar da Sapucaí e parando pra "rabiscar" essas linhas, vou tentar dormir aquelas poucas horinhas que torcemos para que passem voando para poder voltar pro terceiro dia da saga momesca carioca e curtir o primeiro dia de desfiles do grupo especial. Tem de amar. E - graças à Santíssima Trindade salgueirense - a cada ano que passa, eu me apaixono mais por tudo isso.

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