sexta-feira, 3 de março de 2017

Madureira é muito mais do que um lugar, é a capital do samba que me faz sonhar





com Leonardo Antan e Vitor Melo.


O Carnaval, apesar de tudo, sobrevive! Continua para ver ressurgir a força de suas grandes escolas. Hoje, parafraseando Manoel de Barros, Madureira é o "maior quintal do mundo"!

Depois de 33 anos, às lágrimas, a Portela voltou a brilhar no ponto mais alto do pódio. A maior campeã do Carnaval mostrou que sabe ousar e ser tradicional, com a marca de sua elegância. Mesmo com o longo jejum, a Portela permaneceu invicta com seus 21 títulos, marca de quem foi a líder absoluta entre as décadas de 40 à 60. Hoje, em 2017, soube pisar na Sapucaí com a técnica e competência que uma escola precisa ter para impressionar o júri oficial. Aliando o passado, o presente de mão dadas rumo ao futuro. 

"Vai inspiração, voa em liberdade, pelas curvas da saudade."



Após perder seu maior líder desde Natal, ela se manteve aguerrida. Falcon foi o líder que a escola precisava por muito tempo. Chegou em 2013, fazendo Madureira de novo sonhar. Foram três carnavais sob a sua liderança, que mostraram uma Águia forte, competitiva e pronta para ser campeã. Após Paulo da Portela e Paulinho da Viola, Barros colocou seu nome junto a outros grandes xarás fazendo da agremiação mais uma vez campeã. 

Foram 3.500 componentes que fizeram mais uma estrela brilhar no pavilhão de Madureira. Elegantemente trajados, cada um deles foi fundamental para sua vitória. Derramando um rio de amor, que passou abençoado por grandes baluartes da nossa história. Como não se emocionar a ver um rio encher a Sapucaí e transbordar nossa mais pura raiz. Paulo, Caetano, Rufino, Candeia, Dodô, Clara e Maria Lata D'água. Sem citar ainda, Monarco, Surica, Waldir 59, Casquinha, Vicentina, Wilma Nascimento, Danielle, Samir Trindade, Gilsinho, tantos outros que fazem o azul mais azul e o branco mais branco. Sob as bençãos de nossos padroeiros, Oxóssi e, principalmente, Oxum, que banharam a azul e branca de Axé.


Nos últimos três carnavais, a Portela esperou pacientemente sua hora. Soube admitir suas falhas em alegorias e comissão de frente em 2015, e reconhecer a grande apresentação mangueirense ano passado. Neste ano, esperou até o último quesito. Sofreu a cada nota, a cada nove, vibrou a cada dez. Por cerca de duas horas, todos fomos um pouco portelenses. Sentíamos que seria dessa vez. Um 9,9 não deixaria isso acontecer, mas a Mocidade estava lá, para qualquer erro da Águia. Felizmente, não aconteceu! Pela 22ª vez, a Portela foi ainda mais Portela. E o carnaval foi ainda mais carnaval. 

Ainda andando pelas bandas de Oswaldo Cruz e Madureira, seguindo pela Edgar Romero, vem de lá uma certa verde e branca que andava esquecida em meio a tantos outros carnavais. O Império Serrano estava na Série A desde 2010, amargando um recorde de oito carnavais no segundo grupo, e vivendo nos últimos anos crises que deram um arrocho em seus desfiles. Briga políticas viraram protagonistas, quando o essencial devia ser o samba.

Tem poesia no ar, você já sabe quem sou, pelo toque do agogô




A aposta de 2017 foi em um enredo com promessa de patrocínio, ao invés de, no ano em que completa 70 anos, se homenagear. A crise pegou para todos, mas o enredo "Meu Quintal é Maior que o Mundo" caiu como uma luva para a escola em todos os sentidos. Trouxe de volta a brasilidade e essência imperiana, apesar de criticada por ter o mesmo eixo central do Acadêmicos do Sossego em 2016, na Série B. Desde a escolha do samba, a parceria de Lucas Donato deu o clima a um grande carnaval que ia ganhando corpo, sendo eleita por aclamação pelos componentes da escola.

Era hora da fibra e da disposição entrarem na disputa pelo Carnaval. Ao cruzar a Avenida, o Império Serrano mostrou que entrava na briga pelo título. Os problemas de outras escolas iam deixando a escola cada vez mais determinada. Com um grande circo da natureza, entraram em cenas aves, pássaros, repteis e grandes mamíferos. Entrou a coragem do índio e, acima de tudo, a beleza da poesia de Manoel de Barros. Menino Bernardo comandou a festa! 

Abriu-se a janela e o que se viu foi o fim de uma espera. O Imperiano voltar ao seu lugar: o de vencedor!

Os décimos perdidos pela escola em Alegorias e Adereços e em Mestre-Sala e Porta-Bandeira não tiraram a escola da luta. E mal sabia ela que iria assumir a liderança da disputa graças ao canto de sua comunidade, com quatro notas 10 em Harmonia. Dali em diante, cada torcedor foi mais verde e branco que tudo, e somente isso bastava. O Império Serrano voltava ao lugar de onde nunca deveria ter saído!

Neste 1º de Março de 2017, aniversário de 452 anos do Rio de Janeiro, Madureira se tornou o centro geográfico e cultural da nossa Cidade Maravilhosa, com seu mercadão, seu axé, suas lojas, estações de trens. A coroa e águia hoje brilham juntas e nem lembram mais do que já se estranharam. Exibem juntas a força de 31 troféus que fazem a história da folia. Que venham mais títulos, mais lágrimas, mais conquistas. O Carnaval merece, a Portela de Monarco e a Serrinha de Silas merecem!
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