sexta-feira, 3 de março de 2017

Sete escolas em sete parágrafos: da 8ª a 14ª nos desfiles do Grupo Especial de São Paulo

Continuando a análise dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, falo agora das sete últimas colocadas. Apesar de suas posições na parte de baixo da classificação, as sete escolas a seguir ajudaram a abrilhantar as duas noites de festa no Anhembi.

O casal nota 40 da Tucuruvi (Foto: Flávio Moraes/G1)
Em oitavo lugar ficou o Acadêmicos do Tucuruvi. Com um desfile simpático, a escola se notabilizou em termos plásticos. Wagner Santos teve um ano inspirado e suas alegorias, além de belíssimas, eram coloridas e bem acabadas. Mesmo com o melhor conjunto visual da noite, as notas no quesito foram baixas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira também foi destaque: estreando na escola, Kawan e Waleska, que dançaram juntos pela primeira vez, conseguiram a nota máxima. A bateria do Zaca, dirigida por Guma Sena, passou correta e ajudou muito no desempenho do samba. Entretanto, as fantasias estavam irregulares e com falhas de acabamento. A harmonia também deixou a desejar,  pois muitos componentes não cantavam, ou quando o faziam, entoavam apenas o refrão principal. Ademais, o problema de harmonia da Tucuruvi é crônico, e em 2017 não foi diferente. A evolução foi outro calcanhar de aquiles, e a agremiação teve que acelerar o passo para conseguir terminar no tempo: os portões fecharam em 1:05, tempo máximo de apresentação. Em que pese ter um dos melhores enredos do carnaval, a escola também foi despontuada nesse quesito. Por esta série de fatores, a Tucuruvi terminou num tímido oitavo lugar.

Abre-alas da Gaviões, a 9ª colocada do Carnaval em 2017 (Foto: Alan Morici/G1)
A nona posição ficou com a Gaviões da Fiel, que teve seu chão como destaque. A comunidade cantou o samba com muita garra e força, e a evolução também foi ótima, sem nenhum problema com o cronômetro. O primeiro casal de meste-sala e porta-bandeira também teve boa atuação, com belo bailado e entrosamento entre ambos. O enredo, apesar de confuso, foi bem visto pelos jurados. O samba-enredo - que não era um dos mais elogiados da safra - foi conduzido corretamente pelo sempre competente Ernesto Teixeira. A bateria também ajudou no bom desempenho do samba. Entretanto, a escola pecou nos quesitos alegorias e fantasias. A plástica da "Torcida que Samba" foi muito irregular, com falhas de acabamentos nos carros, má concepção e fantasias muito abaixo do esperado. Com isso, a classificação final da alvinegra acabou sendo justa.

Mancha Verde e seu casal Marcelo e Adriana (Foto: Alan Morici/G1)
A décima colocada foi a Mancha Verde. Campeã do Grupo de Acesso de 2016, a escola abriu os desfiles de sábado com o grande desejo de permanecer no Especial, e conseguiu. Apesar do samba-enredo não ser um dos mais elogiados, acabou impulsionado por Freddy Vianna e seu excelente carro de som. A Mancha veio forte em quase todos os quesitos. As alegorias estavam muito bem acabadas e com boa concepção. A comunidade cantava com vigor o samba, e a evolução foi regular, não tendo problemas de "efeito sanfona" ou invasão de alas. O enredo também foi de fácil assimilação e muito bem explicado na avenida. O casal de MS&PB foi um dos pontos altos da noite, e encantou com sua elegância. A alviverde, porém, pecou no figurino, que além de irregular, apresentou algumas falhas. A bateria não foi uma das melhores da noite e o samba-enredo que apesar de ter sido bem conduzido pelo intérprete, recebeu algumas notas baixas. A escola fez um desfile para voltar nas campeãs, mas terminou em décimo lugar.

As baianas do Peruche, escola que homenageou Salvador (Foto: Alan Morici/G1)
Em décimo primeiro, ficou a Unidos do Peruche. A agremiação, que em 2016 conseguiu se manter no Especial, tentou alçar voos maiores. A alegre exibição foi embalada por um dos melhores sambas do grupo fez o Peruche levantar a arquibancada, que abraçou e cantou o samba junto com a comunidade. A harmonia, aliás foi um dos pontos altos do desfile: os componentes cantavam a bonita obra da escola da Rua Zilda com muita alegria. A bateria foi outro destaque da noite, e ousou nas bossas. O casal de MS&PB também estava belíssimo. As alegorias, apesar de apresentarem alguns problemas de acabamento e caírem no "clichê", contaram bem o enredo. Sobretudo o abre-alas que era um dos mais bonitos, junto com o carro do Pelourinho. Este teve em sua lateral uma bela encenação, que arrancou aplausos da plateia. As já citadas falhas de acabamento, aliadas à irregularidade presente nas fantasias e aos problemas de evolução, custaram ao Peruche uma posição melhor.
                         
A homenageada, Elba Ramalho, desfilando pela Tom Maior (Foto: Alan Morici/G1)
Logo atrás, veio a Tom Maior. A vice-campeã da segunda divisão abriu os desfiles de sexta-feira, com a difícil missão de se manter na elite, e surpreendentemente conseguiu. Além de fantasias pouco inspiradas, a vermelho e amarelo teve problemas de evolução, principalmente com o segundo carro, que teve dificuldades de entrar e deu origem a um grande buraco no primeiro setor. A harmonia, por sua vez, também foi inconstante. De positivo, dá pra citar o samba-enredo, que passou muito bem na avenida e caiu no gosto dos jurados. O enredo foi bem apresentado na avenida, e a bateria teve andamento dentro do aceitável, ajudando  no desempenho do samba. As alegorias, mesmo com falhas de acabamento e problemas de concepção, passaram bem pelo Anhembi. A permanência no Grupo Especial satisfez as ambições da Tom Maior.

Comissão de Frente da Águia de Ouro, que falou sobre o amor animal no Anhembi (Foto: Flávio Moraes/G1)
Em penúltimo lugar e caindo para o Grupo de Acesso, ficou o Águia de Ouro. A escola,desde o pré-carnaval sofreu duras críticas pela escolha do enredo, e principalmente do samba, acabou vendo isso se refletir em sua exibição. O enredo foi muito complicado de entender; as alegorias e fantasias também não ajudaram e passaram com muitos problemas de acabamento. O samba-enredo não ajudou, nem prejudicou o desfile, e passou com regularidade. O casal formado por João Carlos e Ana Paula, e a bateria, que acelerou o andamento do samba e arriscou um pouco nas convenções, ajudaram a melhorar o cenário da apresentação, assim como os componentes, que tentaram dar vida ao questionado samba. Os quesitos de chão estavam salvando a escola e mantendo-a no Grupo Especial, até chegar ao último quesito, justamente samba-enredo. Com  muitas notas baixas, o Águia acabou sendo rebaixado ao Grupo de Acesso.

A águia de uma das escolas mais tradicionais de São Paulo, a Nenê (Foto: Flávio Moraes/G1)
 A Nenê de Vila Matilde amargou a última posição. Apesar de um começo muito forte, com uma comissão de frente interessante, e o excelente primeiro casal de mestre-sala e porta bandeira, que é um dos melhores do Especial.  Mas nem mesmo os 40 pontos de Jefferson e Janny conseguiu salvar a Nenê. Apesar disso, contraste da Águia do abre-alas, com o céu azul foi uma das cenas mais bonitas de todo o carnaval. Ao longo do desfile, porém, o nível das alegorias foi caindo, e a animação dos componentes também. A harmonia foi muito inconstante: algumas alas cantavam, e outras não. As fantasias também foram irregulares, tendo alguns problemas de finalização. O enredo também não foi totalmente explorado, dando uma sensação de "vazio". Outro ponto negativo foram os tripés da escola, principalmente aquele que representava um ponto de ônibus. A evolução também não foi uma das melhores, e a Vila terminou o primeiro dia como grande candidata ao descenso, o que acabou se confirmando na terça-feira.

Termina aqui a análise das sete últimas colocadas do Grupo Especial de São Paulo. Você, leitor, aprovou a metade final da tabela? Achou os rebaixamentos justos? Comente!
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