quinta-feira, 2 de março de 2017

Sete escolas em sete parágrafos: resumo dos melhores desfiles do Grupo Especial de São Paulo

O Carnaval de São Paulo acabou. Muitas escolas já estão pensando no enredo de 2018, troca de carnavalescos, casais de mestre-sala e porta-bandeira, mas ainda precisamos falar sobre 2017. Nesse ano, tivemos desfiles marcados pela criatividade e também pela reciclagem. Com a crise no país, muitas escolas tiveram que reaproveitar materiais dos anos anteriores e utilizar peças mais baratas. Sem dúvidas, foi um ano de muita garra e superação para as escolas conseguirem colocar seu carnaval na avenida.

A Acadêmicos do Tatuapé foi campeã do Carnaval pela primeira vez (Foto: Acadêmicos do Tatuapé)
Em 2017 tivemos uma campeã inédita, a Acadêmicos do Tatuapé que, após seu vice-campeonato, pisou forte no Anhembi para conseguir o sonhado título. Com a estreia do carnavalesco Flávio Campello, a escola veio muito forte plasticamente e com fantasias coloridas, o samba-enredo - considerado um dos melhores da safra - foi cantado a todos pulmões pela comunidade da Zona Leste e também conduzido muito bem pelo intérprete Celsinho Mody. Com uma evolução regular - apesar dos problemas de invasão de alas e efeito sanfona -, além de bateria e outros quesitos corretos, a escola veio forte tecnicamente, plasticamente e com seu chão, tornou-se campeã do Carnaval com muito mérito.

A Dragões foi em busca do seu primeiro título, que está amadurecendo (Foto: Léo Franco/Dragões da Real)
A vice-campeã do carnaval, Dragões da Real, também poderia ter sido a primeira colocada, que a classificação continuaria justa. Com um dos desfiles mais bonitos, a escola da Vila Anastácio emocionou e agitou o público. Era impossível não se levantar, bater palmas e cantar o samba quando a bateria passava ou quando via-se aqueles carros alegóricos. Nos últimos anos, a Dragões andava tendo problemas em samba e enredo, mas em 2017, tudo foi resolvido. A tricolor veio forte tecnicamente em todos os quesitos. A parte plástica foi um dos pontos mais altos do desfile, assim como a Comissão de Frente, que foi de encher os olhos. O cantor Renê Sobral, estreando na escola, fez um desfile grandioso e mostrou o quanto é talentoso. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira surpreendeu a todos com um belo bailado, aliado à uma fantasia fantástica. A comunidade mostrou sua força ao entoar o samba com toda garra que o mesmo pedia. O único problema foi a evolução no terço final da exibição, mas nada que a tirasse da briga pelo título. Tanto é que brigou até o final e perdeu apenas na última nota. Definitivamente, a Dragões cresce mais a cada dia, e não deve demorar a conquistar uma taça.

Vai Vai trouxe a história de Mãe Menininha do Gantois para o Anhembi (Foto: Marcelo Brandt/G1)
A terceira colocada foi a "Escola do Povo",  o Vai-Vai. Muitos estavam ansiosos e aguardavam com entusiasmo esse desfile após os ensaios técnicos, porém foi muito abaixo do esperado. A Saracura teve pontos fortes no desfile como a harmonia, o casal de MS&PB. que bem fantasiado, dançou muito bem. Ademais, o enredo foi muito bem contado pela comissão de carnaval, o conjunto visual e a bateria foram bem aceitos, confirmando as expectativas. Porém, o  belo samba não "aconteceu" no desfile oficial, diferentemente dos anos de 2015 e 2011, em que as respectivas obras foram entoadas pelas arquibancadas,  impulsionando ainda mais tais desfiles da alvinegra do Bixiga. Mesmo não tendo o devido respaldo do público, a marcante obra foi defendida com louvor pelo carro de som do experiente Wander Pires, que contou com o luxuoso apoio de Grazzi Brasil. Em 2017, a plateia não respondeu à passagem do Vai-Vai, muito por conta do pequeno apelo da homenageada. Também precisamos ressaltar que nem sempre o público dos ensaios técnicos é o mesmo dos desfiles oficiais, então a recepção ao samba pode ser diferente. Outro ponto negativo foi a evolução. O início lento, somado à grande contingente de componentes fez a escola acelerar no final para conseguir terminar no tempo. Apesar dos problemas, a aguerrida comunidade alvinegra conseguiu dar à agremiação um honroso terceiro lugar.

O tigre da Império de Casa Verde veio alado e nas cores da escola (Foto: Paulo Pinto/LIGA-SP)
A quarta colocada foi o Império de Casa Verde. A agremiação, que estava em busca do bi, cantou a Paz na avenida. Com um desfile luxuoso - mas abaixo de 2016 - a escola apresentou belas alegorias, que estavam muito bem acabadas, assim como as fantasias. A Barcelona do Samba se destacou novamente, e ajudou no desempenho do samba, que mesmo não sendo um dos quesitos mais fortes da "Caçula", cumpriu seu papel. O ídolo imperiano Carlos Júnior também contribuiu para isso, já que esteve em uma noite de gala. Apesar disso, a escola passou fria para arquibancada e em comparação ao ano passado, não demonstrou a mesma potência. Além disso, o enredo mostrou-se confuso na avenida - apesar das notas 10 - fazendo com que a escola terminasse num quarto lugar.

A Rosas de Ouro desfilou com o dia clareando, fechando o Carnaval paulista (Foto: Alan Morici/G1)
Em quinto ficou a Rosas de Ouro. Após um desfile irreconhecível em 2016, a escola da Freguesia do Ó tentava se reerguer. Com a contratação de André Machado - um dos carnavalescos mais injustiçados de São Paulo - a azul e rosa sonhava voltar à sua força de antes. A Roseira teve como pontos fortes,o casal de MS&PB que passou muito bem pelo Anhembi, e o samba-enredo que cresceu na voz do intérprete Royce. Menção honrosa à harmonia, pois os componentes cantavam com gosto o samba. Apesar de alguns problemas de acabamentos nas alegorias, André Machado teve uma grande estreia em sua nova casa. O carnavalesco, aliás, conseguiu desenvolver com clareza o tema proposto. Foi muito bom ver o renascimento da Roseira após um ano difícil e uma surpreendente volta às campeãs.

O casal da Morada do Samba (Foto> Flávio Moraes/G1)
A sexta colocada foi a Mocidade Alegre. Mesmo se apresentando em uma posição ingrata de desfile, a Mocidade por pouco não voltou ao desfile das campeãs. Contando com a estreia do carnavalesco Leandro Vieira, a agremiação do Limão veio forte plasticamente, com destaque para o abre-alas e o quarto carro, da Kizomba. Outro destaque foi o casal de MS&PB que desde 2013 tira somente notas 10. Esse ano, receberam um 9.9, o que não tira em momento algum o encanto de seu bailado. Outro ponto positivo foi o samba-enredo. que com a ajuda de Ito Melodia no carro de som, tornou-se ainda mais forte. A Mocidade Alegre fez um desfile muito técnico: não levantou ou emocionou a arquibancada, mas emocionou os torcedores da escola. Comemorando o cinquentenário, a Morada do Samba tocou no coração de cada componente, principalmente no último setor, em que a escola foi, de fato homenageada. Mestre Sombra também investiu em paradinhas que não foram muito bem vista pelos jurados. No geral, a Mocidade fez um desfile de bom nível, mas acabou sendo prejudicada pelo fato de ser a segunda a desfilar na sexta-feira.

A Vila Maria falou sobre Nossa Senhora Aparecida no Carnaval 2017 (Foto: Flávio Moraes/G1)
A sétima escola foi a Unidos de Vila Maria. Com um desfile que foi aguardado por muitos, principalmente por contar os 300 anos de aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em um enredo que precisou de ser aprovado pela Igreja Católica para se concretizar. Na estreia do carnavalesco multicampeão, Sidnei França, todos esperavam uma apresentação impactante em termos plásticos, mas isso acabou não acontecendo. As alegorias apresentaram falhas de acabamento: o segundo carro passou apagado e no quinto, três "queijos" estiveram vazios. Esses problemas se refletiram nas notas da escola, que recebeu um 9.4 e 9.8 no quesito. Apesar disso, o desfile tivemos vários destaques positivos. Sidnei acertou nas fantasias que eram belíssimas e impecáveis, além do enredo que foi bem contado na avenida. O chão da escola também passou com brilhantismo pela pista. Os desfilantes cantavam com gosto e curtiam todos os momentos. A evolução, que sempre foi um dos problemas crônicos da Vila, também passou muito correta. Outro destaque acabou sendo o casal Edgar e Laís, que com uma dança elegante, gabaritou o quesito. Também vale mencionar a Cadência da Vila, comandada por Mestre Moleza, que com suas bossas e um bom andamento fez um grande desfile. Apostando em um tema de grande apelo emocional, a escola levantou as arquibancadas do Anhembi, que abraçou o samba e cantou alguns trechos da letra, principalmente o refrão principal. Apesar dos problemas em alegorias, a escola pisou forte em busca do título. O fim da apuração, contudo, reservou um decepcionante e inusitado sétimo lugar.




Assim termina a análise das sete primeiras colocadas do Grupo Especial de São Paulo. E você, leitor, o que achou do resultado? O título ficou em boas mãos? Comente!

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário