quarta-feira, 26 de abril de 2017

Samba in Rio - Monarco, a Majestade da Portela

por Beatriz Freire, Felipe de Souza e Leonardo Antan.

Hildemar Diniz, portelense, 83 anos. Você o conhece? Sim, você o conhece. Autor de canções como "Coração em Desalinho", "Vai Vadiar" e "Vivência no Morro", o popularmente conhecido como Monarco é o primeiro a ter sua história contada pelo "Samba in Rio". O cantor e compositor, líder da Velha Guarda mais campeã do carnaval, é um dos artistas a se apresentar no "Viva o Samba", espetáculo em reconhecimento da importância do ritmo no Rock in Rio, em setembro.

"Juro que não posso me lembrar
Se for falar da Portela
Hoje eu não vou terminar"
Passado de Glória (Monarco)

O apelido Monarco surgiu pelas bandas da Baixada Fluminense - na época, Monaco, ganhou o "r" pelas ruas de Oswaldo Cruz, bairro onde viveu na infância. Lá, se apaixonou pela azul e branca e, ainda na adolescência, fugiu diversas vezes para a primeira quadra da escola, ainda na Estrada do Portela. Aos 17 anos, aquele o qual o apelido remete a reis, ingressou na ala de compositores da escola, onde décadas depois se tornaria presidente de honra. 

Apesar do grande talento escrevendo sambas, nosso homenageado jamais ganhou uma disputa de sambas de enredo. Seria pouco para ele? Jamais, pois é um dos destaques na composição de grandes sambas de quadra, ou exaltação, como preferir. Seu maior sucesso é "Passado de Glórias", que trata de seu maior amor, escola que deu seu nome para o batismo, a Portela.
Monarco, segundo da esquerda para a direita, com a Velha Guarda da Portela nos anos 80 (foto retirada de Lyrical Brazil)

Para as escolas de samba e o carnaval, Monarco representa muito. Sua presença na Velha Guarda da águia fez crescer o movimento pela comercialização musical deste segmento nas outras escolas. A constituição da noção de Velha Guarda como grupo musical, que faz shows e grava discos, foi conferida a partir do CD produzido por Paulinho da Viola lançado em 1970. Apesar de sempre estar presente no conjunto, apenas mais recentemente Monarco toma a liderança do grupo e se torna a principal figura masculina, ao lado de Surica que ocupa o protagonismo feminino. Essa conquista de uma participação mais efetiva dentro do segmento acontece logo após o lançamento do LP "Monarco e a Velha Guarda da Portela", exatamente no ano de 1980. Assim, Monarco dá início à conquista gradual de seu lugar ao sol, à época, ainda junto a Manicéia e Chico Santana.

Outro marco mais recente no processo de consolidação da liderança de Monarco e da Velha Guarda como instituição ativa da escola foi a partir da ideia de Marquinhos de Oswaldo Cruz, em 2003, de promover a Feijoada da Família Portelense. Os eventos na quadra passaram a reunir os mais diversos segmentos e convidados, com muito feijão e, é claro, muito samba embalado pelo grupo musical dos bambas portelenses. Foi a partir daí, então, que nosso personagem torna-se figura indispensável e um líder para a azul e branca.
Monarco com Paulinho da Viola na comemoração de seus 80 anos (foto: Ricardo Almeida)
"Eu não me esqueço daquele momento feliz
Eu sou Portela, sou do tempo da raiz"
Escolas em Desfile (Monarco)

Monarco teve em suas mãos o prazer de lapidar muitos talentos, como a respeitada e também portelense Teresa Cristina, nome importante e mais recente na atual divulgação das músicas dos discos da Velha Guarda portelense; Cristina Buarque cumpriu esse papel de divulgação nos anos 80, Marisa Monte nos anos 90 e Zeca Pagodinho a partir de 2000. No aniversário de 80 anos do baluarte, Teresa declamou a seguinte frase "A vaidade que acredito que o Monarco sinta é pelo trabalho dele e pela escola que ele pertence". E isso já diz tudo. Monarco faz samba sem agrotóxico, o "puro suco", e mostra para nós que o samba não morrerá tão fácil.

Falar de Monarco é falar de Velha Guarda e da própria Portela. A presença do segmento representa, além de tudo, o respeito e a gratidão por aqueles que ajudaram a escrever tantas páginas da história da escola de Oswaldo Cruz e Madureira. É, também, fundamental para o estabelecimento dela como patrimônio cultural e musical. Assim, suas tradições, ponto pelo qual a escola muito preza, continuam vivas e eternizadas na presença e nos ensinamentos de tantos bambas da águia altaneira.

Além de Monarco, Martinho da Vila, Alcione, Mart'nália, Roberta Sá, Jorge Aragão e Criolo também se apresentam no Rock in Rio 2017. O espetáculo contará também com participação do Jongo da Serrinha. É samba no rock, bebê!


Reações:

0 comentários:

Postar um comentário