domingo, 25 de junho de 2017

Hiram Araújo: pioneirismo, coragem e resistência

por Guilherme Peixoto



Estariam medicina e samba tão conectados assim? Gustavo Clarão, compositor e ex-presidente da Viradouro, largou a profissão para se dedicar exclusivamente ao samba. Hiram Araújo, 87, outro ícone da cultura carnavalesca, também tinha a área da saúde como atividade profissional. Falecido nesta sexta-feira, Hiram era historiador da folia e teve papel fundamental no processo de expansão das escolas de samba.

A dedicação de Hiram (centro) ao carnaval, rendeu ao médico o título de professor honoris causa em 2006.
(Foto: Reprodução/LIESA)

Além de atuar na seção cultural da Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA), Hiram também teve participação na pesquisa e elaboração de incontáveis enredos. Um grande exemplo“Terra da vida”, popularmente conhecido como “Ilu Ayê”, feito na Portela, em 1972.

O historiador foi mentor do primeiro departamento cultural de uma agremiação, criado em 1967, na Imperatriz Leopoldinense. “Hiram viveu o carnaval de perto, meteu a mão na massa, e também o pensou historicamente, a partir dos departamentos culturais”, conta o jornalista Fábio Fabato.  A ideia implantada por Hiram fez tanto sucesso, que até hoje é seguida por escolas de várias partes do país. “[Hiram] Foi um dos pioneiros a mostrar para as próximas gerações que a festa não é mera diversão, mas discurso de Brasil”, completa o jornalista.



Em 2012, Hiram Araújo foi homenageado na Intendente Magalhães. À época no Grupo E, o Arame de Ricardo apresentou o enredo “Com prazer... Hiram Araújo!”. O pesquisador de carnaval também chegou a dar expediente como comentarista das apresentações na Marquês de Sapucaí.  A vida de Hiram é resumida em uma frase por Fábio Fabato: “Viveu a Portela, não temeu as críticas, e tem lugar entre os melhores apaixonados pela festa". 




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