terça-feira, 20 de junho de 2017

Minha primeira vez... Com Raissa de Oliveira

Você se lembra da sua primeira vez no Sambódromo? Seja aqui no Rio, na Marquês, em São Paulo, no Anhembi ou em qualquer outro estado que também cultive um dos nossos maiores patrimônios culturais, o carnaval. Para nós, que amamos essa festa e toda essa atmosfera que a envolve, acredito não existir alguém que não lembre sem um certo tom e ar nostálgicos de sua primeira vez, afinal, diz-se que da primeira vez ninguém se esquece. E, como a voz do povo é a voz de Deus, vamos em busca de descobrir se os personagens da folia lembram de sua primeira vez, não só como artistas da festa, mas também, de quando eles eram como nós, foliões.


Quando pensamos em rainha de bateria, uma das primeiras coisas que nos vem a cabeça - além do indispensável samba no pé - são as, cada vez mais, trabalhadas fantasias das grandes musas que reinam à frente das nossas queridas baterias; E com a nossa convidada de hoje não seria diferente. O primeiro contato da nossa rainha com carnaval, não com atmosfera dos desfile, mas com o espírito momesco, em si, foram nos "bailinhos" de carnaval, tão comuns antigamente, não tão vistos nos dias de hoje. A minha primeira vez como foliã era geralmente naqueles bailinhos de carnaval, dentro de clubes, eu lembro também que tinha premiação para as fantasias mais bonitinhas, sabe!? Todavia, nem tudo são - ou, pelo menos, eram - flores na vida de uma rainha... Na verdade, eu era criança, novinha, mas coitada de mim, nunca ganhava rindo. Ainda não dá pra adivinhar, né!? Vou dar uma dica: foi a rainha mais jovem a assumir o cobiçado posto à frente dos ritmistas, com apenas 12 anos. Ficou fácil, hein... Ainda mais com a foto ali em cima, né!? 

É ela, maravilhosa e soberana...

Coroada em 2003, Raissa de Oliveira é a rainha absoluta - e soberana - da Beija-Flor de Nilópolis, mas se engana quem pensa que a jovem rainha já estreou no cargo máximo. A primeira vez de Raissa  no carnaval foi lá pelos anos 90, na Deusa da passarela, obviamente. Minha primeira vez desfilando pela Beija-Flor foi emocionante, inesquecível... Eu lembro que eu saí no carro abre-alas e apareci na televisão - e fiquei toda boba, ficava chorando e tudo mais porque tinha aparecido ao lado da primeira dama, Fabíola de OliveiraSempre apaixonada por carnaval, a ligação de Raissa com a festa e com a azul e branco de Nilópolis é inegável. Fã declarada da inexorável Soninha Capeta, rainha da escola de Nilópolis por quase 20 anos , quando criança, não perdia um desfile se quer e ficava ligadinha na tevê, treinando e imitando os passos e tudo mais de quem seria sucessora. 

Então, chegou 2003... Minha primeira vez, de fato, como rainha de bateria, que foi assim uma das experiências, até hoje, dentro do carnaval, mais incríveis e indescritíveis que vivi. Não era pra menos, né!? Desde então, Raissa fincou seus dois pés, ou melhor, seus saltos e - com muito samba no pé - nunca mais saiu do posto. Fazendo 15 à frente da bateria, representando meu pavilhão, meus ritmistas, a ala de passistas. É como eu costumo dizer, a Beija-Flor me deu um presente, toda essa responsabilidade e essa confiança de representar e defender sua comunidade, que levo no coração e no peito, eles são a minha família.


"Ser rainha de bateria não é só você chegar na frente da bateria e sambar..."

De um tempo para cá, cada vez mais, tem se discutido sobre a comercialização do cargo de rainha de bateria. Já tivemos musas globais, cantoras famosas, modelos conhecidas e tudo  mais, todavia, a bandeira da "rainha da comunidade" é defendida por grande parte dos sambista. E pela Raissa também! Para mim, ser rainha de bateria não é só você chegar na frente da bateria e sambar. Ser rainha da bateria é se dedicar à escola, a comunidade... Raissa deixa claro que não concorda também com a rainha meramente figurativa, tem de suar a camisa, ou melhor, a fantasia de acordo com a nossa rainha. É necessário ter afinidade com os ritmistas, conhecer um por um dos seus componentes, que estão sempre torcendo por você. Ajudar a escola de alguma forma, estar ali sempre para somar. Mas depois fica fácil... Quando você aprende a ser a rainha da sua vida, você consegue levar a vida e ser rainha de qualquer coisa!

Estando ali para somar, com muito samba no pé e com um carisma inconfundível, Raissa é adorada pela exigente comunidade nilopolitana. Seu legado, entretanto, não se resume ao bairro da Deusa da passarela, a rainha é uma figurinha carimbada quando se fala em personagens adorados no mundo do samba. E assim foi a primeira vez da Raissa, partindo pro seu décimo-quinto desfile, a rainha azul e branca, continua, assim como a sua escola, soberana e a encantar todos com todo seu gingado e simpatia. Quer saber sobre a primeira vez de alguém especial? Deixe a sua sugestão nos comentários ou em nossas redes sociais, que nós vamos atrás! 

Quer ler o relato do Igor Sorriso sobre a sua primeira vez na coluna anterior? Aqui.


O relato sobre minha primeira vez e como escolhi, pelo resto de minha vida, o meu Torrão Amado, o Acadêmicos do Salgueiro? Aqui.

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário