sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Carnavanálise: Que enredo é esse? - Escolas de domingo do Grupo Especial do Rio de Janeiro 2019





Vocês acham que nossa análise de enredos pra lá de sério tinha enrolado a bandeira? Nada disso! A gente tarda mais não falha! Estamos pra lá de atrasados, mas como o pré-carnaval anda desanimado, vamos dar um sacode num geralzão sobre o que as 14 - valeu, virada de mesa #sqn - escolas vão apresentar nesse ano que se desenha. E já adiantamos que vai ter de tudo! De crítica social a auto-homenagem, passando por reedição e adaptação de samba, uma loucura. Apertem os cintos e se segurem no "Santo Antônio" (aquele negócio de segurar destaque), que a alegoria vai fazer a curva e a nossa comissão já está se apresentando no primeiro módulo.


DOMINGO:

O que é?
Numa aposta pra lá de ousada(?) que deixou o mundo do samba "o que é o que é" que eles tão pensando, o Império Serrano foi rápido ao anunciar seu enredo (e samba) para o carnaval 2019. Pouco mais de um mês após saber que desfilaria novamente no Grupo Especial, a escola de Madureira apertou o gatilho na direção da MPB e declarou que vai cantar e contar a história de um dos maiores sucessos de Gonzaguinha: "O que é, o que é?". Ousadia e alegria tour.

Buscando passar por todos os espectros que a vida possui, a setorização proposta pelo carnavalesco começa pela ciência, passa pela religião, pelo homem, pela lado controverso da vida, pelo lado lúdico e, por fim, no que ainda se espera da vida, terminando no grande sonho do Império em voltar a ser campeão. No final do desfile, lágrimas são esperadas ao passar uma homenagem à grande joia rara do samba, Dona Ivone Lara, que nos deixou em abril desse ano e foi - e continuará sendo - uma das mais importantes figuras da história imperiana.



O que esperamos?
Lutando para não cair, quando pensamos no último desfile da agremiação, isto é, se tiver rebaixamento em 2019, a escola vem com novo carnavalesco. Paulo Menezes, depois de 12 anos está de volta ao Império Serrano. Uma escola bem vestida com fáceis e objetivas leituras nós podemos esperar, já que uma das principais armas da escola com esse enredo é o diálogo com o público. Paulo é conhecido por seu bom gosto nos figurinos e terá trabalho dobrado ao tentar aproveitar o máximo do último carnaval e gastar o mínimo pra colocar sua escola na rua.

De 1 a 3 Gonzaguinhas mostrando o que ele espera do Império em 2019:


O que é?
Sou Viradouro e vou cantar... Abrindo um novo filão de "remakes", depois dos truques das alegorias e das receitas de bolos, Paulo Barros repete agora trocadilho de nome de enredo com a escola. VIRAVIRADOURO! Mas então... sobre o que é o enredo? Alguém nos explica que a gente ainda não entendeu, não, viu!? Só misturar umas magias aleatórias, uma vovó misteriosa, personagens de filmes, Michael Jackson, parques de diversão e uma pitada de Mocidade 2015 encantada... e voilà! Pra quem perdeu o fio da meada (tipo todo mundo), o enredo propõe uma viagem literária por um livro encantado e sombrio, a escola de Niterói vai buscar viver e "divertir quem gosta de histórias, brincar com a memória e se transformar senão pela vida toda, então por uma noite de carnaval".



O que esperamos?
Alegorias girando, subindo e descendo, alas  coreografadas, tudo bem Paulo Barros. O que pode se esperar do carnavalesco de "Segredo" a gente nunca se sabe, 2019 pode trazer uma reinvenção dele como artista ou a continuação de Paulo em sua zona de conforto que vimos nos últimos carnavais. 


De 1 a 3 bolos alegóricos o quanto esse desfile pode ter pitadas de "déjà vu":












O que é?
Sabe aquelx amigx que só abre a boca pra dar close errado? Então... tentando surfar na onda crítica que se estabeleceu no último carnaval, a agremiação de Caxias propõe um enredo que busca satirizar não só o papelão protagonizado pela escola nos desdobramentos do carnaval 2018, mas como todos e quaisquer desvios de conduta que eles, eu, você e nós podemos ter cometido e cometer.  A narrativa tenta ainda dar um final positivo, propondo uma saída pela educação para os jeitinhos brasileiros, parafraseando a sinopse do enredo que contraria a própria escola em seu passado recente que critica a máxima "faça o que eu digo, não faça o que eu faço", mas também esquece de dar o exemplo.



O que esperamos?
Partindo para uma pegada mais social, o enredo que a tricolor escolheu não é problemático apenas pelo seu lado social... Quem nunca empurrou uma velhinha? É... Mas também em como materializar um pena que pode ser de difícil execução... Com o lado plástico e temático comandados pelos gabaritados Renato e Márcia Lage pelo segundo ano consecutivo, é o onde os caxienses podem respirar um pouco aliviado e renovar suas esperanças sobre o que esperar em 2019.


De 1 a 3 Lages sorridentes, o quanto a Grande Rio será cara de pau nesse desfile: 


O que é?
Sério que o Salgueiro vai falar de justiça logo num ano como esse? Academia do Samba, negritude e macumba quase respondem pela mesma coisa, e não tem outro tema que o povo da vermelho e branco da Tijuca goste de desfilar mais do que esse. Depois de ser o enredo do Salgueiro em todos o pré-carnavais possíveis, a escola vai enfim falar de seu padroeiro espiritual: Xangô! Batendo cabeça para o rei de Oió, a escola vem saudando seu santo, mais vermelho (com muito branco) do que nunca e promete colocar pra incorporar até os eleitores do prefeito que estejam nos arredores da Sapucaí. 



O que esperamos?
Luxo, opulência, muito vermelho (e branco), mas muiiiiiiito vermelho mesmo... um pouquinho de dourado, muitos machados, outro pouquinho de dourado... Fugindo do esperado e materializando o antigo sonho de homenageá-lo da escola, Alex de Souza soube unir bem, embora o enredo não possua mistérios, uma leitura fácil mas sem cair num arroz com feijão sem graça, passeando não só pela mitologia iorubá mas pela cultura brasileira e prestando uma homenagem a própria vermelho e branco. É só não esquecer de firmar bem o ponto e pagar a iluminação que o Salgueiro vem para as cabeças mais uma vez.


De 1 a 4 enredos de curimba, o quanto a cota de macumba do ano está garantida:





O que é?
Tem escola se auto homenageando... Não, calma! Não é uma samba da Portela que foge do enredo. Dando uma de Majestade do Samba, a Deusa da Passarela resolveu colocar um espelho em sua frente e relembrar a importância de sua própria história. Apesar de ser a atual campeã, o quesito "Enredo" não foi assim o ponto alto do desfile vencedor... É, bem, melhor não entrar nesse detalhe... A escola promete uma sequência não cronológica de seus carnavais, dividindo suas trajetórias em blocos temáticos.



O que esperamos?
O enredo promete um certo tom de fábula, que pode facilitar o desenvolvimento e os links entre os desfiles. É, o que pode ser mais fácil que um enredo sobre si mesma para uma escola com uma história tão rica... Se até mesmo com um conjunto temático pra lá de duvidoso a escola levou o caneco, não podemos duvidar do poder nilopolitano e para o quê a escola vem em 2019. Isso é Beija-flor, amado, atura ou surta!



De 1 a 3 grandes desfiles da azul e branco de Nilópolis, o quanto a Beija-Flor precisa apresentar um enredo depois de passar sem o quesito em 2018:


O que é?
Sabe quando a gente tinha de fazer uma pesquisa pra escola, esquece e faz aquela resumão do Google? A sinopse vem nesse estilo... Dinheiro! É só a gente dividir em setores e ser feliz... Quer dizer, começa no tempo mais remoto e o amanhã? Como será? Vem, Ilha! Pronto, resolvido... De atrativo, nesse primeiro momento, apenas a pegada crítica e irreverente pouco comum nas bandas de Ramos... Da última vez que a tia Imperatriz resolveu fazer a linha engraçadinha, o resultado foi mais desastroso que piada de pavê em festa de família ou ter que voltar pro grupo da família depois das eleições (olá carnaval de 1988)... Esperamos agora que o destino da monarca seja melhor com esse viés crítico.


O que esperamos?
zzzZZzZzZZzZ... Brincadeira à parte que ronda o mundo do carnaval sobre os "frios" desfiles da Imperatriz, espera-se uma nova (nem tanto assim) cara, ao menos, pro povo de Ramos. Com gente nova no comando artístico, os cenógrafos Kaká e Mário Monteiro, que trabalharam com Cahê em 2013 na própria Imperatriz, serão os carnavalescos da agremiação e já prometeram usar e abusar da cenografia pra dar uma nova roupagem à escola. Jogo de luzes nas alegorias, fantasias mais interativas e extenso uso cenográfico provavelmente darão o tom do desfile do povo de Ramos.


De 1 a 3 Cahês a Imperatriz o quanto a Imperatriz voltará nas Campeãs:



O que é?
Se jamais podemos julgar um livro pela capa, com um enredo de escola de samba já não é bem assim. Macaco? Pão? Tijuca? Foi só o Laíla chegar mesmo que a cara da escola já mudou. Um bom enredo geralmente começa por seu título, ou isso que a gente espera! Se o título é confuso, o enredo tende a ser ainda mais. Joga uma linha histórica, um pouquinho de fermento, uma linha crítica e deixa crescer... isso tudo ao som de Aline Barros e um quê gospel também! Inovação teu nome é Tijuca! Atirando para todos os lados, digamos... Com uma linha de desenvolvimento, vamos dizer assim, mais abrangente... a azul e ouro do Borel troca seus enredos de narrativas simples comum nos últimos anos por algo que aparenta ter mais densidade... Fazendo a engajada para ficar bonita na foto, quem nunca, né, quiridos?



O que esperamos?
Veremos uma nova Tijuca com cara de uma atinga Beija-Flor? Será que as alegorias recicladas do ano passado, com direito a papel crepom e barbante, vão ficar de fora? Muitas perguntas, nenhuma resposta por enquanto. Mas a gente confia nas guias e orixás do mestre Laíla e na comunidade tijuca? Amém! 

De 1 a 3 padeiros aleatórios o quanto a Tijuca vai vir com fome de vencer:

                        

                        



E é com o pão quetinho da Tijuca, louvando Xangô e perguntando afinal "o que será?, o que será?" do carnaval de 2019, que a gente ficar por aqui, por enquanto, apostando e muito provavelmente enredo nossas grandes palpitações carnavalescas. Ainda essa semana, voltamos com a análise dos enredos das agremiações de segunda. Fiquem com Rosa e os orixás! Amém!


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