terça-feira, 5 de março de 2019

#Carnaval2019 - Ao som de bateria forrozeada, Ilha canta Ceará colorido


Por Redação Carnavalize

Vixe Maria! Terceira escola a cruzar a Marquês de Sapucaí, a União da Ilha do Governador transformou as arquibancadas em poltronas para o Ceará, pano de fundo do enredo que contou a peleja entre os escritores Rachel de Queiroz e José de Alencar. O desfile ganhou a assinatura do figurinista Severo Luzardo por mais um ano foi o primeiro da administração do presidente Djalma Falcão. 

Estreante no Grupo Especial, o coreógrafo Leandro Azevedo comandou os bailarinos da comissão de frente que eram abençoados por Padre Cícero. Os bailarinos utilizaram bem a pista para a execução de passos e um componente vestido de Padre Cícero surpreendia a arquibancada ao sair de um elemento cenográfico em cima um drone que sobrevoava na altura dos olhos do público. Apesar de boa fundamentada e do momento de explosão, o truque se fez desnecessário. 

Representando a realeza de Jericoacoara, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Ilha, fizeram uma excelente apresentação. Entrosados e com uma belíssima fantasia vermelha, eles defenderam bem o pavilhão com uma dança coreografada. A exibição dos dois foi uma das melhores do quesito nas duas noites. 
As fantasias da ala de baianas foi exemplo do bom conjunto apresentado por Severo Luzardo.
Esteticamente, as alegorias oscilaram. A abertura apostou em um abre-alas grandioso, mas as esculturas laterais de dragões no carro tinham um fundo mal concebido. Ademais, as outras alegorias eram bem acabadas mas o uso de algumas combinações cromáticas foi uma questão em que se pecou. No conjunto, houve altos e baixos, e o destaque positivo foi a última alegoria, que representava a renda nordestina. O conjunto de fantasias foi uniforme e bastante luxuoso. O enredo, no entanto, foi um ponto frágil: os fios condutores não ficaram explícitos e a narrativa seguiu o caminho de um CEP burocrático sobre o Ceará. 

A última alegoria da União da Ilha chamou atenção pela beleza.
A Baterilha também foi regida por uma nova dupla: Keko e Marcelo, os mestres que assumiram o posto após o desligamento do mestre Ciça. Um dos grandes destaques da passagem insulana foi a execução perfeita de bossas com triângulos que ditavam o ritmo de forró e xaxado e que deram o tom certo de animação que faltou à letra e melodia do fraco samba. No quesito harmonia, a escola se saiu bem, apesar do canto ter variado entre algumas alas. Ito Melodia, figura sempre carimbada por agregar qualidade aos sambas, não brilhou do jeito que se esperava nesta noite, fazendo uma apresentação apenas confortável e correta. 

Com um desfile bem linear e sem grandes preocupações, a Ilha deve se manter no conforto das posições intermediárias da tabela.
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