segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A preparação dos casais de mestre-sala e porta-bandeira no carnavais de Rio de Janeiro e São Paulo


Por Juliana Yamamoto
Os casais de mestre-sala e porta-bandeira encantam com sua dança e fantasia, defendendo o principal símbolo de uma escola de samba com muita nobreza. Porém, antes de chegarem na pista esbanjando talento e força, são meses de preparo e trabalho por trás do grande dia. Treinamentos exaustivos, criação de coreografia e repetições, tudo para beirar à perfeição e alcançar a nota máxima.

Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, o trabalho dos casais de mestre-sala e porta-bandeira se inicia cedo. Considerados atletas, as duplas recebem todo o suporte de profissionais para ajudá-los em pontos importantes e cruciais para o desenvolvimento na avenida: resistência física, coreografia e movimentos obrigatórios da dança. Nas duas cidades, há três figuras importantes que ajudam inúmeros casais, sendo pilares que contribuem para a nota dez: Bruno Germano, do Rio de Janeiro e Ednei Pedro e Daniela Renzo, de São Paulo.

Foto: Alex Nunes
Bruno Germano é conhecido por ser um dos principais preparadores físicos de casais do Rio de Janeiro. Iniciou seu trabalho no final de 2013, a pedido do mestre-sala Sidclei, e nunca mais parou. Para Bruno, a preparação física dos casais é muito importante para uma boa evolução e apresentação na avenida. Segundo o preparador, os casais são atletas. As apresentações são de alto nível de intensidade, há muito peso sobre o corpo devido à fantasia, o calor envolvido e a grande responsabilidade, assim como nos casos de atletas profissionais. Por isso, a preparação precisa ser a mesma.

Bruno cria um repertório de treinos e exercícios específicos para cada casal, pois cada um tem uma necessidade específica. Seja de resistência, agilidade, coordenação motora... Além disso, o profissional trabalha também em cima da coreografia para o cortejo. Em 2020, Germano está trabalhando com os casais de Salgueiro (Sidclei e Marcella), Grande Rio (Daniel e Taciana), Unidos de Padre Miguel (Vinicius e Jéssica) e Viradouro (neste caso, apenas Rute é treinada pelo profissional). 

Foto: Arquivo pessoal/Bruno Germano
A preparação dos casais com Bruno inicia-se em outubro, indo até o dia do desfile. Para o preparador, é extremamente importante iniciar os trabalhos no período correto, para que o casal, junto ao profissional, consiga cuidar de todos os pontos necessários. Ele ainda sonha em ver um casal envolvido em todos os aspectos de um atleta, com fisioterapia, nutrição e psicologia do esporte.


Foto: Camila Abade
Ednei Pedro iniciou sua trajetória como preparador técnico em 1998, no Barroca Zona Sul, ainda ocupando a posição de mestre-sala. Entretanto, seus trabalhos começaram oficialmente a partir de 2005. 

Ednei se considera como orientador técnico, analisando a dança do casal. É através de sua observação que trabalha nos principais pontos a serem melhorados por cada dupla. Assim como Bruno Germano, o trabalho é diferente para cada casal. Para o Ednei, a dança de mestre-sala e porta-bandeira pode ser comparada a uma ginástica artística; todos precisam apresentar o mesmo movimento, mas cada corpo fará da sua maneira, quem atingir a perfeição conseguirá a nota máxima. O profissional trabalha em cima da dança que os casais já possuem, tentando melhorar o que os jurados estão exigindo no quesito.

Quanto ao início da preparação, quando um casal é novo, é necessário realizar o entrosamento entre os dois, num período de um a dois meses. Quando já é um casal formado, Ednei apenas trabalha na limpeza da coreografia, focado nos ensaios técnicos do Anhembi. Além de cuidar da técnica e correção da dança, ele também auxilia na criação da coreografia com os mesmos, dando a eles a liberdade de sugerir passos, mas também orientando-os para que se alcance o objetivo do casal. 

Foto: Arquivo pessoal/Miriam Acedo
O profissional tem contato direto com os ateliês que fazem as fantasias dos casais. Segundo ele, isso influencia também na dança, pois a coreografia criada precisa funcionar junto ao figurino, para que o mesmo não atrapalha os movimentos e a evolução da dupla. 

Apesar de tudo, Edinei não se considera um preparador físico. O foco do profissional é a dança, além do suporte de uma nutricionista caso haja necessidade. Para o carnaval 2020, Ednei está trabalhando com diversos casais tanto do Grupo Especial paulistano, como dos Acessos I e II, alguns deles são: Unidos de Vila Maria (Brunno e Tatiana), Águia de Ouro (João Carlos e Ana Reis), X-9 Paulistana (Marquinhos e Lyssandra), Vai-Vai (Pingo e Paulinha), Dom Bosco (Leonardo e Mariana) Amizade da Zona Leste (João Lucas e Jacque Silva).


Foto: Arquivo pessoal/Daniela Renzo
Daniela Renzo iniciou seus trabalhos como preparadora de casais no ano de 2004, quando integrou o curso da AMESPBEESP. Com seus primeiros casais, o trabalho começou logo após encerrar a carreira como porta-bandeira em 2009, no Morro da Casa Verde.

A preparadora possui um projeto intitulado “A nobre arte”, em que foca seu trabalho nas seguintes áreas: técnica (passos tradicionais de mestre-sala e porta-bandeira e o critério de julgamento), estratégia (desenho de pista, estudo da condição do casal e também os outros casais dos quadro e o que a escola procura) e força (busca outros fatores internos para motivar o casal. A dança por si só não basta, é preciso buscar outros estímulos e ferramentas para que a dança flua. A dupla precisa estar motivada e empoderada).

A preparação se inicia logo após o término do carnaval. Com alguns casais, são analisados os resultados e as notas junto às justificativas. A preparação física com as duplas se inicia em maio. Assim como Ednei, Daniela também ajuda na criação das coreografias. Seja partindo do princípio ou apenas ajustando um bailado já criado pelo próprio casal. Além disso, a preparadora acompanha a confecção dos figurinos, analisando o material que está sendo utilizado, o peso, se a roupa está confortável para os dois e se a mesma permite a realização dos movimentos coreográficos. 

Foto: Arquivo pessoal/Daniela Renzo
Seus trabalhos em São Paulo ganharam tanta força e notoriedade que Daniela atravessou a ponte aérea e também começou a trabalhar com alguns casais no Rio de Janeiro. O trabalho é o mesmo, o que muda são alguns pontos técnicos que são diferentes em relação à folia paulistana. 

Para o carnaval 2020, Daniela está cuidando de vários casais visando a nota máxima, são eles Tom Maior (Jairo e Simone), Mancha Verde (Marcelo e Adriana), Acadêmicos do Tatuapé (Diego e Jussara), Camisa Verde e Branco (Gabriel e Joice), Tradição Albertinense (Diego e Erica), Acadêmicos do Tucuruvi (Luan e Waleska) e Unidos do Peruche (Kawe e Nathalia). 

Waleska Gomes, que já vai para o seu quarto ano no Zaca, afirmou a importância de uma pessoa como a Daniela na sua preparação para o desfile: “o trabalho da Daniela é essencial e primordial, porque ela funciona como os olhos do casal. O que a gente não vê, ela vê. Sem ela é difícil, praticamente impossível”. O papel da preparadora é ser um terceiro olho sobre a dança do casal, trabalhando com a limpeza e a defesa dos critérios de julgamento, com finalidade de deixar a dança mais bonita, imponente e atraente.

Os casais de mestre-sala e porta-bandeira, para abrilhantar ainda mais a passarela do samba, contam com o apoio e o suporte de preparadores físicos e técnicos. Com eles, o trabalho é intenso e dura meses, tudo em prol do pavilhão que estão defendendo. Atrás dessa dupla, há uma equipe que também não mede esforços para ajudá-los a alcançar a nota máxima. Eles são extremamente essenciais para o sucesso do casal.
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